Unidade de Cuidados Continuados de Melgaço vai abrir, mas gestão é de Barcelos

No momento em que Melgaço se prepara para abrir a breve trecho a Unidade de Cuidados Continuados (UCC) do concelho, finalizada em Setembro 2012 e desde essa data sem qualquer contratualização formalizada, o PSD Melgaço critica a autarquia melgacense por não ter estado do lado das instituições locais na atribuição da gestão desta unidade.

Na edição de 01 de Junho, “A Voz de Melgaço” dava nota da abertura da UCC Melgaço para o período do Verão, tendo o presidente da Câmara, Manoel Batista, em declarações a este jornal, adiantado haver “compromisso do Governo” para que a ambicionada valência na área da saúde fosse finalmente inaugurada em data próxima.

Admitindo a “inegável importância da entrada em funcionamento daquela unidade”, o PSD Melgaço lamenta, em comunicado divulgado hoje (26 Junho), que a autarquia não tenha priorizado as instituições locais, que “maximizariam” a empregabilidade da população local.

A descrição dos procedimentos para que a gestão da UCC de Melgaço fosse entregue preferencialmente à Santa Casa da Misericórdia ou à Associação Social e Cultural Dona Paterna, segue descrita no comunicado emitido pelo PSD Melgaço, que transcrevemos abaixo:

 

O Presidente da Câmara não esteve ao lado das instituições de Melgaço, não defendeu Melgaço e os melgacenses

Como é do conhecimento público, o actual governo prepara-se para alargar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, abrindo as unidades construídas, mas que ainda não estão a funcionar. Está nessa situação a unidade de Melgaço, pelo que se prevê para breve a sua abertura.

No nosso caso, esta situação tem vindo a mobilizar vários sectores da sociedade no sentido de alertar os decisores para a importância da abertura daquele equipamento. Também os agentes políticos melgacenses, dos vários quadrantes, tem movido esforços para que essa abertura acontecesse.

Há já algum tempo que se percebeu que o Ministério da Saúde havia optado por não explorar directamente aquelas unidades, entregando-as a Instituições Particulares. Nessa sequência, instituições melgacenses, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia e a Associação Social e Cultural Dona Paterna, pediram reuniões com o Presidente da Câmara de Melgaço, onde mostraram a sua disponibilidade para assegurar a gestão da Unidade de Cuidados Continuados de Melgaço. Foi pedido ao Presidente da Câmara que intercedesse junto da tutela, exercendo a pressão política necessária no sentido de assegurar que seria dada prioridade às Instituições locais, na procura da entidade que se encarregaria da gestão daquela Unidade.

Com efeito, é inegável a importância da entrada em funcionamento daquela unidade. Vai garantir que os melgacenses que necessitem daqueles serviços possam obtê-los sem saírem de Melgaço, sempre que haja vagas. Todos nos congratulamos com esta decisão do governo que abrange Melgaço.

Mas também é inegável a importância, a urgência, a prioridade máxima que temos que dar à criação de emprego e de dinâmicas económicas no nosso concelho. E obviamente que tal só será assegurado e maximizado se for uma instituição de Melgaço a assumir a gestão da unidade. Instituições e empresas melgacenses fortes, fazem um concelho forte!

As instituições de Melgaço contavam com total empenho do Presidente da Câmara nesta questão. Era sua obrigação enquanto defensor dos interesses do nosso concelho.

No entanto, eis que na Assembleia Municipal de 22.06.2016, o Presidente da Câmara informa, impávido e sereno, que a exploração da Unidade de Cuidados Continuados de Melgaço havia sido entregue a uma instituição de Barcelos, lavando daí as suas mãos. Chegou ao ponto de argumentar que não tinha sido uma instituição de Melgaço a construir a unidade! E foi a de Barcelos, senhor Presidente?

Estamos perante mais uma oportunidade perdida para Melgaço. É claro que alguns dos postos de trabalho a criar destinar-se-ão a melgacenses. Mas o grosso, os cargos de direcção, a mais-valia gerada, sairá de Melgaço rumo à sede dessa Instituição que nada tem nem nunca teve a ver com Melgaço, que nada investiu nem vai investir em Melgaço.

Melgaço tem pessoas e Instituições capazes, idóneas. Recusamo-nos a aceitar esta ideia que tem que vir alguém de fora gerir os nossos interesses, os nossos destinos e retirar de Melgaço a mais-valia. Essa mais-valia devia ficar em Melgaço, fortalecendo as Instituições Melgacenses, gerando investimento, dinamizando a economia,

O Presidente da Câmara não consegue perceber a importância desta questão, ou não tem peso político para defender os interesses de Melgaço. Ou ambos. Uma coisa é certa, o Presidente da Câmara não esteve ao lado das instituições de Melgaço, não defendeu Melgaço e os melgacenses.

Somos forçados a ponderar o que por aí se vai ouvindo “Noutros tempos isto não acontecia”. Mas acima de tudo, não temos qualquer dúvida que connosco isto não acontecia. Com um Presidente de Câmara, também ele de Melgaço, isto não acontecia.

O GIC do PSD Melgaço