Castro Laboreiro | Conhecer o território entre um copo de licor e uma fornada de pão

“Turismo Parque Nacional Peneda-Gerês” promoveu iniciativa de fim-de-semana na serra castreja

Castro Laboreiro foi ao baú das tradições e daquilo que de melhor possui e preparou-se para receber visitas. A turística localidade melgacense tem por hábito receber turistas, mas a iniciativa ‘Verão em Castro’ levou um propósito diferente ao grupo turista que nos dias 9 e 10 de Julho quis conhecer a vila de Castro Laboreiro.

A iniciativa partiu de Sónia Nogueira, administradora da página Facebook “Turismo Parque Nacional Peneda-Gerês: stakeholders, redes e relacionamento”, doutorada em Marketing com especialização na vertente do Marketing de Turismo em espaços naturais.

A sua “paixão grande” pelo Parque Nacional já motivou inúmeras visitas a Castro Laboreiro desde a infância e até a sua tese de mestrado, intitulada ‘Stakeholders, Redes e Qualidade do Relacionamento no Turismo do Parque Nacional Peneda-Gerês’ entretanto publicada em livro em Outubro de 2015.

Um grupo de cerca de cinquenta pessoas rumou a Castro Laboreiro propondo-se “à descoberta dos costumes e do património da vila melgacense” e durante dois dias provaram, viram como se faz e se geram os melhores sabores e aromas da montanha.

Na sessão de abertura que marcou o arranque do evento marcaram presença os representantes dos vários patrocinadores e entidades envolvidas nesta acção, nomeadamente o presidente da União de freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, Alfredo Domingues; o Comando da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, Gaspar Caldas; Carlos Oliveira, da gerência do Hotel Castrum Villae e Marina Carvalho, da empresa de animação turística Elos da Montanha.

O programa de fim de semana incluía uma caminhada solidária com os Bombeiros Voluntários de Melgaço e dos Bombeiros Tirsenses. Além da vertente solidária, a agenda incluía muito da tipicidade castreja, como o acompanhamento do Ciclo do Pão – desde a preparação da massa à colocação no forno e, obviamente, à degustação – ao workshop de licros caseiros, mas também a visita aos espaços históricos e museus onde história da vida castreja de outros tempos se evidencia.

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O grupo criado nas redes sociais há cerca de um ano conta já com mais de dez mil seguidores e é um dos motores do projecto de Sónia Nogueira
, natural de Vila Nova de Famalicão, que tem promovido de forma diferente o PNPG e Castro Laboreiro em particular. Apresentou nesta vila o livro da sua tese de doutoramento, que não quis que fosse uma cerimónia de gente sentada. Em vez disso, chamou um grupo de turistas a conhecer o meio de que a obra também fala em programa de fim-de-semana com caminhadas e conhecimento da envolvente.
DSC_1520A ideia é levar as pessoas a conhecerem. Com as caminhadas, com o recuperar as tradições locais, incentivar as várias entidades a estabelecerem acordos entre si. No fundo foi a base de todo o livro da tese de doutoramento e houve evidências de que, quanto mais cooperação houver, todos ganham e o turista também vai ganhar com isso”, referia Sónia Nogueira, notando no entanto que “há ainda muito trabalho a ser desenvolvido” no espírito associativo dos organismos e agentes locais.

Já há alguma colaboração, entre Câmaras, Juntas e algumas entidades promotoras do turismo, como a ADERE – Peneda-Gerês,mas com o próprio Parque Nacional não, existe muito distanciamento. Preocupam-se mais com a vertente mais natural e de preservação, portanto esta área do turismo não é uma das preocupações centrais deles”, nota.

Nesta iniciativa que durante dois dias fez mexer a comunidade e as tradições, reactivando o forno comunitário, revitalizando o mercado dos licores, a organizadora nota ainda que nem sempre é fácil estabelecer parcerias num meio onde as empresas não quererão partilhar atenções. “Quisemos juntar estas pessoas, o produtor de licores artesanais, as pessoas que fazem o pão, e há empresas e entidades que são resistentes a este tipo de parcerias”.

Com esta actividade promovemos todos os apoios que cá temos, mas há ainda empresas que querem só autopromover-se, não querem juntar-se com ninguém. Nós tentamos fazer este trabalho o melhor possível, mas também não vamos criar bloqueios com quem depois possa não estar tão receptivo”, reitera, considerando haver ainda “pontos difíceis” nesta discussão, mesmo numa abordagem ao território que promove o território e quer “manter vivas as tradições”.

João Martinho

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