Vinho Verde: Exportações geram receita de cerca de 55 milhões de euros

Festa do Vinho Verde de Ponte de Lima promoveu castas e sub-regiões

De 10 a 12 de Junho, Ponte de Lima foi o centro das atenções do sector ligado ao vinho. A 26ª Festa do Vinho Verde e dos Produtos Regionais de Ponte de Lima reuniu na Expolima, recinto privilegiado daquela vila para as festas e feiras temáticas, a montra mais emblemática do Alto Minho.

Organizada em parceria entre o Município de Ponte de Lima, a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Ponte de Lima (EPADRPL) e a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, a feira chama a si, pela longevidade, o pioneirismo enquanto festa temática dedicada ao vinho. Victor Mendes, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, apresenta o evento maior do concelho no que ao mercado do vinho diz respeito, admitindo que o evento é “seguramente uma das primeiras feiras que se fizeram neste contexto em Ponte de Lima, no Alto Minho e mesmo na região”.

A importância do vinho Verde para a economia regional e nacional é no entanto o melhor argumento para a realização destes eventos. A economia do vinho vem ganhando expressão e nos últimos anos os vinhos verdes tem-se destacado no mercado das exportações, com a região de excelência do Loureiro, do Alvarinho e do Vinhão a concretizar valores próximos dos 55 milhões de euros. “É um valor significativo na nossa balança comercial e no fundo, esta feira é a oportunidade para dar a conhecer os nossos produtos, os nossos empresários e o território. Ninguém consegue promover o território de forma isolada, é preciso ter uma estratégia supra-municipal”, frisava Victor Mendes.

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Logomarca para o Loureiro: A aposta na casta

Lançada a logomarca alusiva ao turismo de Ponte de Lima o ano passado, o município associou naturalmente o símbolo ao seu território, mas também aos seus produtos. De olho no enoturismo, “uma área muito importante de promoção turística do território”, a autarquia criou um símbolo específico para os vinhos da casta Loureiro, já este ano. A diferenciação, notou o edil de Ponte de Lima, é natural. “Ponte de Lima e a ribeira Lima é o solar do Loureiro, é aqui que esta casta branca tem maior expressão, com vinhos de enorme qualidade, portanto associamos a logomarca do turismo de ponte de lima à marca Loureiro”, explica.

Feira pioneira: 26 anos, mais dois de experiência

Amâncio Cerqueira, director da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Ponte de Lima, dá datas mais objectivas acerca da origem desta festa dedicada ao vinho e aos produtos locais.

Antes de se apoiar em máquina promocional enquanto Festa do Vinho Verde e dos Produtos Regionais de Ponte de Lima, o evento nasceu vocacionado para ser Feira Agrícola, há 28 anos, na Quinta do Cruzeiro, propriedade da Escola Profissional Agrícola de Ponte de Lima. Como entidade organizadora da feira, realizaria naquele espaço duas edições, mas teve de mudar agulhas face à concorrência.

Feiras agrícolas já havia muitas. Havia a Feira Agrícola de Braga que era muito forte, havia a de Santarém, não havia espaço para mais uma feira com dimensão, porque esse era o objectivo da escola na altura. Então achamos que devíamos fazer uma feira temática, alguma coisa que ainda não se fizesse, que não existisse. Achamos que a ideia era o Vinho Verde, a região dos Vinhos Verdes estava a precisar de alguma promoção e achamos que poderíamos dar ali algum contributo”, esclarece Amâncio Cerqueira, assegurando que, enquanto feira temática do Vinho Verde, “não havia mais nenhuma, esta foi de facto a primeira”.

DSC_9729Bom momento para os vinhos Verdes, mas cada sub-região tem de promover a sua diferença

É uma boa altura para o vinho verde, em geral. Nós só ouvíamos falar do vinho Alvarinho, de Monção e Melgaço enquanto sub-região, mas não se ouvia falar dos outros. Dos alvarinhos sempre se falou, mas não se falava em mais nenhuma casta em específico”, admite o director da EPADRPL.
A história deu razão à experiência da Adega Cooperativa de Ponte de Lima, que viu na casta Loureiro produzida no Vale do Lima as potencialidades se apresentar como monocasta às melhores mesas, como recorda Amâncio Cerqueira.
“O engenheiro Gaspar Castro, que era à altura presidente da Adega, teve o interesse pela casta, achou que ela deveria ser potenciada, que tinha características para ser um grande vinho. Hoje assistimos a um crescimento exponencial desta casta e de um vinho monocasta extraordinário, capaz de rivalizar com o vinho alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço”, atira.

O momento favorável aos vinhos da região dos vinhos Verdes não deverá deixar cair na inércia as sub-regiões, defende Amâncio Cerqueira, considerando que a região não deve esperar que o organismo que representa o sector na região, a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), assuma a campanha de cada sub-região.

A Comissão de Viticultura faz a promoção dos Vinhos Verdes, mas depois há sub-regiões muito particulares, como é o caso de Monção e Melgaço, agora o caso de Ponte de Lima e se calhar o caso de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, que tem características muito particulares para determinadas castas, que têm de potenciar a sua diferença. A CVRVV faz a sua função e a nós, sub-regiões, compete-nos promover aquilo que temos de mais particular”.

Resultados do XIV Concurso de Vinhos Verdes

Categoria – Vinho Verde / Regional Minho de Casta Loureiro

1º Prémio (Categoria Ouro) – Casa das Buganvílias Loureiro – Figueiredos Sociedade de Vinhos Lda.
2º Prémio (Categoria Prata) – Pecadinhos do Abade Loureiro – Laureano Barbosa Machado
Menção honrosa – Socalcos do Bouro Loureiro – Corina Maria Pereira Antunes de Almeida

Categoria – Vinho Verde / Regional Minho Branco

1º Prémio (Categoria Ouro) – Adega de Monção Vinho Verde Alvarinho – Adega Cooperativa Regional de Monção, CRL.
2º Prémio (Categoria Prata) – Adega Cooperativa de Ponte da Barca Alvarinho/Loureiro – Adega Cooperativa de Ponte da Barca, CRL.
Menção honrosa – Socalcos do Bouro Vinho Verde Branco – Corina Maria Pereira Antunes de Almeida

Categoria – Vinho Verde / Regional Minho Tinto

1º Prémio (Categoria Ouro) – ARKOS Vinhão – ARKOS – Vinhos / Wines
2º Prémio (Categoria Prata) – Adega de Monção Vinho Verde Vinhão – Adega Cooperativa Regional de Monção, CRL.
Menção Honrosa – Adega Ponte da Barca Vinhão Grande Escolha – Adega Cooperativa de Ponte da Barca, CRL.

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