Melgaço apresentou a excelência do turismo de natureza em quatro dias de Pegada Zero

Durante quatro dias, Melgaço apresentou as suas potencialidades turísticas do rio à montanha.
De 20 a 23 de Outubro, o programa do evento ‘Pegada Zero – I Jornadas de Turismo de Natureza – PNPG – Melgaço 2016’ contou com a participação conjunta e activa das empresas de animação turística, restauração, hotelaria e comunidade local na construção de uma imagem colectiva de diversidade e bem receber.

Com dois dias dedicados aos profissionais do sector e à comunicação social de todo o país, convidados a participar num programa que incluiu actividades de cada uma das empresas de animação parceiras desta primeira edição, o evento pretendeu levar mais longe as potencialidades do território e do concelho de Melgaço em particular, para o turismo de natureza.

Muitas vezes temos o falso pressuposto de que toda a gente nos conhece, e não é verdade. Embora já sejamos uma marca muito conhecida, é sempre necessário reforçar a comunicação, chegar mais longe”, considerou o presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista.

Jornalistas de meios de comunicação de referência nacional e bloggers partilharam destes dias em Melgaço e a experiência, admite o autarca, é para repetir já no próximo ano. “A iniciativa surtiu imenso efeito e tudo leva a crer que façamos a segunda e outras mais edições. O turismo e o desporto de natureza tem em Melgaço muitas condições, pela paisagem e condições criadas pelo Centro de Estágios, portanto fazer esta actividade juntando o actores locais com a autarquia e trazendo gente experiente para dar aqui alguma formação e dicas de trabalho é importante para todos”, referiu.

No momento em que o turismo em Portugal regista um aumento considerável, Manoel Batista dá nota de que também Melgaço acompanha a tendência nacional. “Gente que trabalha nesta área do Parque Nacional tem tido um crescimento do seu negócio. Julgo que este crescimento do turismo português poderá trazer ainda mais rendimento à nossa economia e ao nosso território”.

Do programa constaram várias actividades e acções, tais como rafting, canyoning, percursos pedestres, provas de alvarinho, Tour à Serra da Peneda, percursos de BTT, batismo hípico, primitive race, arvorismo, slide, rappel, escalada e para os mais curiosos a possibilidade de observarem as Cabras Montês, uma espécie rara em Portugal, existindo apenas na Serra do Gerês e na Serra Amarela.

O evento ofereceu ainda a possibilidade de se participar em workshops: ‘Plantas e sabores’ (uso de plantas aromáticas/medicinais da região), ‘ Fotografia de Natureza’ e ‘ Workshop de Pão Castrejo’. Os mais novos (a partir dos seis anos) também foram contemplados, com diversas atividades educativas que decorrerem durante as oficinas temáticas.

Colóquio “Rios e Montanha, Aventura e Segurança” apresentou projectos e soluções seguras

No dia 22 de Outubro, o colóquio “Rios e Montanha, Aventura e Segurança”, realizado no auditório da Porta de Lamas de Mouro, reuniu especialistas de renome apresentaram projectos, estratégias e soluções para que o turismo de natureza seja seguro.

Do painel de oradores constou um leque de representantes de entidades chave para o desenvolvimento e melhor conhecimento do sector do turismo, nomeadamente, Carla Rodrigues, Técnica Superior da ADERE Peneda-Gerês; António Marques Vidal, Presidente da Direção da Associação Portuguesa das Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE); Pedro de Faria Pacheco, formador de Turismo Aventura e Trabalhos em Altura/Director técnico da Trilho; Carlos Fernandes, Comandante do Grupo Intervenção Proteção e Socorro (GIPS), Sub-agrupamento de Montanha da GNR-UI-GIPS na Serra da Estrela; e Maria do Céu Osório, Técnica Superior do PNPG/ICNF.

Desta partilha de experiências e novos projectos para a região, o edil melgacense diz que o momento é de concretizações para o território protegido do Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), tendo inclusive sido vencidas algumas das dificuldades de “diálogo” com a gestão desta área protegida.

“O ICNF [Instituto da conservação da Natureza e das Florestas] tem procurado ter uma atitude muito menos radical do tinha a anterior gestão. Neste momento está mais aberto, mais dialogante, pronto a encontrar soluções com as autarquias e empresas. Entendo que procura colocar-se mais do lado da solução do que do lado do problema”, observou.

Grande Rota criará um corredor verde de 150 quilómetros entre Melgaço e Montalegre

A ADERE-Peneda Gerês, entidade que tem como plano de trabalho a área dos cinco concelhos abrangidos pelo PNPG, apresentou no colóquio “Rios e Montanha, Aventura e Segurança” o projecto da Grande Rota que ligará Melgaço a Montalegre, com candidatura já efectuada a fundos europeus destinados ao Património Natural no âmbito da sustentabilidade e eficiência no uso de recursos.

Com uma extensão de cerca de 150 quilómetros, com um trajecto desde S. Gregório (Cristóval) até à vila do distrito de Vila Real, o projecto complementa assim alguns dos investimentos que a autarquia melgacense tem previstos para candidatura no plano de desenvolvimento local no que respeita à promoção do turismo de natureza.
“Parece-me ser uma excelente iniciativa, a criação desta grande rota, poderá ser mais um grande polo de atracção de público por fazer toda esta circulação no Parque Nacional”, ressalvou o autarca.

Empresas de animação turística fazem balanço positivo e afirmam iniciativas próprias

A Melsport – Melgaço, Desporto e Lazer, E.M. com várias iniciativas desportivas lançadas nos últimos anos, desde o Trail às provas de BTT, a Melsport apresentou-se nesta acção de promoção turística como empresa dinamizadora de provas desportivas que integram os campeonatos nacionais das diversas modalidades.

Em vias de integrar uma prova de BTT à lista de provas realizadas em Melgaço, carecendo à altura desta iniciativa promotora de confirmação – “esperamos chegar a bom porto com a Associação de Ciclismo do Minho”, indicava Igor Moreira – a Melsport ten vindo a afirmar a marca Melgaço Alvarinho Trail, que em 2016 contou com cerca de 280 participantes.

Em 2017, esta prova, a realizar a 21 de Maio, integrará o campeonato Ultra Trail da Associação de Trail Running de Portugal, com 45 quilómetros de trilho. Para o representante da Melsport, é “um aumento qualitativo considerável”, pelo garante de qualidade que esta chancela poderá aportar ao evento desportivo que conta com dois anos de existência. “Temos condições de excelência para este tipo de práticas em Melgaço. Temos uma série de opções que nos permite, a cada ano, trocar totalmente o caminho e fazer uma prova diferente, com exigência diferente”, realça

Sobre a iniciativa Pegada Zero, a dar o seu primeiro passo, Igor Moreira refere que “a união faz a força e nós temos de estar entrosados para vender a marca Melgaço, porque é bom para todos. Foi um passo extremamente importante e tem condições para crescer muito mais. Temos de provocar o interesse por esta marca”.

A Melgaço Whitewater, de Paulo Faria, tem nas águas dos rios Minho e Laboreiro e ribeira da Varziela as potencialidades da sua oferta. A empresa começou a laborar em Abril de 2016, mas já faz um balanço positivo dos primeiros meses de trabalho.
“Foram bem melhores do que esperava. Acabamos por não conseguir desenvolver tudo o que pretendíamos na primeira época alta, porque não tivemos tempo”, notava com satisfação o responsável.
Sobre a apresentação à comunicação e profissionais do sector no contexto do Pegada Zero, Paulo Faria considerou ter sido “muito produtivo, lidar com outras empresas e a comunicação social”.

“Quase conseguimos juntar-nos todos [os operadores do sector da animação turística de Melgaço] e o tempo vai ensinar-nos que só junto conseguiremos fazer alguma coisa”.

“O facto de fazermos actividades iguais não significa que haja uma concorrência directa. Eu trabalho com várias empresas de Espanha que fazem o mesmo que eu faço, mas trabalho com eles. Acho que é mais uma questão de bom senso e de ver além do nosso umbigo. Um amigo é um apoio, e se eu trabalho com empresas de Espanha, dando-lhes apoio em algumas situações, porque é que não o posso fazer com os de cá?”, observou Paulo Faria.

A empresa Montes de Laboreiro, há vários anos a trabalhar a animação turística em Melgaço, tem como principais actividades as caminhadas na serra (algumas em contexto de actividades ligadas às tradições e à vida rural), o canyoning e os passeios de BTT.
Safira Matos, que apresentou a empresa sediada em Castro Laboreiro, realçou o espírito de partilha entre os agentes locais. “É um bom sinal que as empresas trabalhem em conjunto, sejam parceiras”.

Com uma afluência de turistas na ordem dos 1700 clientes por ano, essencialmente portugueses provenientes de localidades como Braga, Porto ou Lisboa, mas já com uma procura em crescendo por turistas espanhóis, franceses e holandeses, a empresa firmou a sua posição com a criação de pacotes que englobam actividade e alojamento que resultam mais atractivos para o turista e aumentam o período de permanência do visitante na região. O regime de duas ou mais noites representam grande parte das reservas que a Montes de Laboreiro garante nos espaços hoteleiros que gere ou explora, nos diversos conceitos de que dispõe.

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A empresa colaborou com a actividade desportiva Primitive Race, um conceito de prova de corrida na natureza que a Montes de Laboreiro realizou em Melgaço pela primeira vez em 2013, em que são criados obstáculos e dificuldades de vários níveis ao longo do percurso para que a relação do participante com os elementos seja mais intensa. No contexto deste programa temático, a prova contou com mais de quarenta participantes.

 

Sylvie Amorim, da Vertigem Trilhos, empresa de animação turística essencialmente vocacionada para o turismo estrangeiro, realiza caminhadas e trekking nas serras da Peneda e circundantes. Com um mercado turístico que procura visitar o país por períodos mais longos, a gerente da Vertigem organiza programas para períodos de quinze dias, em parceria com agências de viagens ou outros agentes do sector.

“Esta iniciativa pode ser uma boa rampa de lançamento se for bem aproveitada. Cada um trouxe um pouco do seu saber e entre todos tornaram a oferta mais completa e foi bom mostrarem-se, mas não sei se trabalharão em conjunto. Nem sempre é fácil, porque cada um tem a sua maneira de trabalhar e o perfil de cliente é diferente”.

Defendendo a “multi-actividade, para atrair o mercado mais jovem”, Sylvie Amorim sugere que o turismo temático na natureza, como o geocaching, poderão ser oportunidades para um turismo por períodos mais alargados.

João Martinho

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