Melgaço já tem Associação Empresarial. “Mais do que uma associação, Melgaço precisa de associativismo”

A Associação Empresarial Minho Fronteiriço (AEMF) realizou a 9 de Novembro o seu acto eleitoral. A única lista candidata, encabeçada por Nelson Dias, conta ainda com Paulo Azevedo, Catarina Barbosa, Joana Castro e Verónica Solheiro nos órgãos directivos da associação que promete gerar consensos e dar a palavra aos associados.

O sufrágio decorreu entre as 9 e as 17 horas, nas instalações da Junta de Freguesia de Vila e Roussas, deu posse plena à única lista candidata. A sede da associação será, no entanto, no antigo Posto de Turismo de Melgaço.

Nelson Dias, Paulo Azevedo e Catarina Barbosa reuniram pouco depois do processo eleitoral e garantem estar a criar bases para “uma dinâmica de trabalho onde toda a gente esteja envolvida”.

Determinados em trabalhar em acções que marquem pela diferença e com real impacto na comunidade, lamentam que a associação inter-municipal já existente no território não tenha potenciado a actividade do concelho melgacense. “Infelizmente, a associação que existe e cujo objectivo é o mesmo da AEMF, não tem tido o impacto que os comerciantes desejam para a região, não tinha presença activa”, observou Nelson Dias.

aemfMelgaço terá, segundo estes representantes, mais de uma centena de pequenas e médias empresas e será, numa primeira fase, com estas unidades locais que a AEMF procurará criar a base da sua acção e ganhar força para se apresentar como parceiro forte das empresas fora da sua casa-mãe. “A AEMF surgiu pela necessidade que há em cativarmos os empresários da região para ganharmos escala, para termos alguma dimensão e podermos fazer parte dos processos de decisão aqui do concelho, mas também abrir as portas à questão fronteiriça, olhando para as localidades da Galiza, com que poderemos vir a trabalhar no futuro”, esclarece Nelson Dias.

Para já, a missão passa por angariar associados para depois poder discutir actividades. “Nem que sejam poucas iniciativas, mas bem feitas”, esclarecem.

Melgaço, mais do que uma associação, precisa de associativismo. Se o tecido empresarial for dinâmico e se associar, as coisas podem funcionar. Não quer dizer que com esta associação os problemas fiquem já todos resolvidos, mas vai depender muito deles e da abertura para este projecto”, sublinha por sua vez Paulo Azevedo, rogando por uma mudança entendimento acerca de Melgaço no seio dos críticos negativistas. “Neste momento há uma onda de descrédito em Melgaço, e nós queremos criar uma onda positiva. Na rua ou nas redes sociais, vê-se muito as pessoas a explorarem o lado negativo, mas também há coisas positivas. Mas claro, dez acontecimentos positivos acabam sempre por ter menos destaque que um negativo”, atira.

“Queremos que os associados sejam o mais representativo possível. A direcção não decide por si só o que se deve fazer”

Mais de meia centena de comerciantes terão manifestado, aquando da campanha de apresentação desenvolvida pela comissão instaladora, a sua pré-adesão, cabendo agora aos órgãos executivos a transformação dessas intenções em sócios efectivos.

Com a construção de uma carteira de sócios robusta, o trabalho poderá não ser fácil para a equipa recentemente empossada, já que o organismo pretende criar grupos de trabalho por ramo de actividade para que os grupos reúnam consoante o seu interesse nos assuntos a tratar. “A Festa do Alvarinho, por exemplo, é um evento concelhio comum a todos, mas o funcionamento dos bares e o alargamento do horário de funcionamento durante o evento é uma discussão que já não terá interesse para a restauração ou o alojamento, por isso serão criados grupos de trabalho específicos, representativos, para cada assunto”, explica Nelson Dias.

Sobre a época festiva que se aproxima e que já mereceu aposta significativa em campanha de dinamização do mercado local, a AEMF diz que as campanhas a realizar terão de ser discutidas e da vontade dos associados, não garantido por isso a realização de actividades neste período. “Queremos que os associados sejam o mais representativo possível, por isso, falaremos para que em 2017, em conjunto, possamos dizer o que fazer. A direcção não decide por si só o que se deve fazer, não vai ser essa a nossa forma de actuar, frisam.

João Martinho

(Texto publicado na edição de Dezembro do jornal “A Voz de Melgaço”)