Edifícios da fronteira em São Gregório albergarão projecto social Aldeia Nova

Espaço terá valências para a 3ª Idade e na área da saúde

 

Sem valores lançados para 2017, o projecto social que terá alguma capacidade no acompanhamento na área do Alzheimer considera um investimento na ordem dos 950 mil euros para os anos de 2018 e 2019.

O projecto ficará, nesta fase, a aguardar algumas ferramentas alternativas a promover pelo Governo, pelos fundos comunitários, depois de revistos os valores do quadro Comunitário para a área social ou pelo interesse privado.

Manoel Batista voltou a criticar o erro do anterior Governo, que delineou as áreas e volume de intervenção na estruturação do quadro para o país, por ter destinado apenas cerca de dois milhões de euros para todo o distrito de Viana do Castelo durante os anos de vigência do quadro, ou seja, até 2020. Ou 2023 se os prazos forem ajustados, dado o atraso na implementação.

“É lamentável o que aconteceu na estruturação do quadro comunitário. O problema não está em Bruxelas, está em quem o estruturou no país, que ao nível dos equipamentos sociais considerou valores irrisórios. Nós temos neste momento, para o distrito, cerca de dois milhões de euros para equipamentos sociais Os autarcas de todo o país tem chamado a atenção deste Governo e nomeadamente o senhor Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social para esta realidade dizendo-lhe que é crucial que este Governo, agarrando no dossier da revisão, seja capaz de alocar outros valores para os equipamentos sociais”, indicou.

Além dos equipamentos “que precisam de ser requalificados” ou “construídos de raiz”, o líder da autarquia refere que a necessidade não está em aumentar “em grande escala” as respostas sociais existentes, mas adequar os espaços e serviços que o concelho já tem. Para o efeito, o projecto da Aldeia Nova, desenvolvido com técnicos do Instituto Politécnico de Viana do Castelo “pretende ser um projecto que trabalhe a área da terceira idade e que possa tocar um pouco na área da saúde e na área da saúde mental, no sentido de fazer algum acompanhamento de áreas como o Alzheimer”.

A concretização deste projecto inovador resolverá algumas das antigas questões relativas ao aproveitamento do edificado de considerável valor na História recente do país e na criação de dinâmica junto da sociedade local, trazendo “novos públicos” à localidade fronteiriça.

Obras da ecovia “Onde Começa Portugal” começam já este ano

Dentro do lote de projectos que a autarquia diz ter vindo a construir nos últimos três anos e se apresentam agora “prontos para avançar” para candidatura estão alguns que darão outro rosto ao concelho face ao turismo de natureza. O sector, uma das bandeiras do executivo de Manoel Batista, aguardava o Portugal 2020 para mostrar a sua capacidade no terreno, literalmente.

O Parque de Campismo e Lamas de Mouro, com intervenção orçamentada na ordem do meio milhão de euros, ou a zona ribeirinha de Castro Laboreiro, serão algumas das ‘jóias da coroa’ do património turístico melgacense que a autarquia quer aperfeiçoar e tornar mais atractivas.

No entanto, a Rede Municipal de Trilhos Pedestres e Cicláveis, que prevê um orçamento total de 1 150 000 euros e a ecovia “Onde Começa Portugal” (1 300 000 euros de investimento), que abrirá uma rota ‘verde’ desde Cevide até à fronteira com Monção, serão um dos maiores investimentos no concelho para este sector. “Desenhamos estes projectos percebendo aquilo que é fundamental para o município. Os trilhos e a ecovia, mas também a renovação do parque de campismo de Lamas de Mouro ou a requalificação em Castro Laboreiro. Temos um conjunto de projectos preparados nesta área, na área cultural e na área económica também importantes. Era importante esta arrumação para que, perante as possibilidades de financiamento que o quadro apresenta ou venha a apresentar, nós estarmos capazes de entrar e poder financiar esses projectos”.

“A Rede de Trilhos levará mais algum tempo a ser implementada na integra, embora ela vá sendo implementada por fases, porque não temos capacidade de investir de uma vez. Relativamente à ecovia, estão para ser aprovados dois Interreg [Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal] candidatados, um da Raia Termal e outro no âmbito do Visit Rio Minho, que serão aprovados, temos capacidade para fazer já trabalho na ecovia. Não na totalidade, mas dois terços da ecovia. Entre 2017 e 2018, a ecovia ficará pronta desde São Gregório, mais concretamente desde Cevide, englobando o acesso ao marco Nº1 e a ligação à ecovia que existe do outro lado, em Padrenda, até à ligação a Monção, que cuidará de trazer a sua ecovia até à fronteira com Melgaço”, concretiza o autarca.

Com uma extensão de mais de 20 quilómetros, a ecovia “Onde Começa Portugal” irá ligar, ao longo do seu percurso, as localidades por onde passa, podendo servir os locais enquanto via pedonal de comunicação. A obra aproveitará nos locais possíveis os troços/caminhos existentes, criando novos corredores onde o aproveitamento não é possível ou não há caminho, pelo acidentado do terreno, pelo que esta projecto será “um elo de comunicação em toda esta zona baixa do território”.

João Martinho

Texto integrante do “Especial Orçamento 2017”, na edição de Janeiro de 2017 do jornal “A Voz de Melgaço”. Saiba mais sobre os restantes projectos principais do documento nas páginas 9,10 e 11 do jornal.

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