Aboua Escola levou alunos da ESDL a voar por um dia

Alunos de Desporto e Lazer iniciaram-se no parapente

O curso superior de Desporto e Lazer, da Escola Superior de Desporto e Lazer de Melgaço, promoveu uma semana de campo no qual os alunos aprenderam algumas noções de como voar sozinho.

No intuito de lhes dar asas, a Aboua Escola – Escola de Parapente e Paramotor, a convite da Federação Portuguesa de Voo Livre, veio até Melgaço para ministrar um módulo de como saber lidar com o equipamento, como guardar e, num dos dias, sentir a liberdade de voar experimentando os comandos.

David Rodrigues, instrutor da Aboua Escola, foi um dos orientadores desta semana de campo dos alunos do primeiro ano de curso de Desporto e Lazer. Mas voar não é só pegar no Parapente, como explica.“Este programa dependeu muito da meteorologia. Escolhemos uma semana em que tínhamos de ter um dia para voar, e um dia para dobrar reservas (o pára-quedas suplente para quando o acidente com a asa acontece) e nesses dois dias não podia chover, porque os reservas não podem ser dobrados em dias húmidos”.

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No entanto, para do dia de teoria e da descida em slide para abertura de reservas, o dia preferido dos alunos foi o dia em que descolaram, em bi-lugares, sobre o Cerdal, em Valença. Nesse dia, as práticas variaram: houve oportunidade para ensaiar o voo directo, o voo térmico, voo dinâmico e voo termodinâmico. “Nenhum aluno fez um voo igual ao outro, cada um teve a experiencia”, diz David Rodrigues.

Carlos Celso, de Barcelos, com 53 anos de idade, aluno do primeiro ano, teve a sua primeira experiência em parapente. “Foi uma experiencia fantástica. Andei algumas vezes de avião e estava com algum receio, mas depois de levantar voo, é relaxante. Andamos ao sabor do vento”.

Ainda assim, o pico de adrenalina ocorreu no ar. “Estávamos a 300 metros de altitude quando o piloto me perguntou se queria dar uma volta. Na minha ignorância, pensei que era dar uma volta à zona em que íamos aterrar. Quando dou por ela, tenho a asa ao meu lado e estou a rodar 360 graus. Foi a loucura. Deu duas voltas, fugiu-me tudo, vi a vidinha passar toda à minha frente! Claro que aquilo é uma manobra natural para eles”, recorda, como humor.

Isabel Escaleira, 20 anos, do Porto, aluna da mesma turma, descreve-nos as três componentes da prática, desde a aprendizagem do controlo da vela no cão até à terceira, que é voar sozinho em voo dinâmico. “Temos de estar muito atentos àquilo que estamos a fazer, para não fechar a asa”, refere com pragmatismo.

Para a aluna portuense, a maior parte os desportos que a ESDL lhe proporciona já não são novidade, mas diz que a escola lhe trará vantagens. “Pratiquei estes desportos quase todos, excepto os radicais, mas em termos daquilo que estamos a fazer é muito bom”.

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Admite que gostaria de trabalhar na área dos desportos de natureza, mas elogia a formação, que lhe trará novas formas de trabalhar. “Ser um técnico é também mudar mentalidades. Muitos dos técnicos em Portugal não sabem muito da anatomia do corpo. Nós temos a cadeira de anatomia para que possamos ter bases para perceber do que estamos a falar”, ressalva.

Para Carlos Celso, a actividade desportiva “começa a abrir novos horizontes” e é hoje mais presente no quotidiano dos portugueses. “Cada vez há mais ginásios, mais pessoas a fazer montanhismo, parapente, canyoning… Há uma série de desportos radicais que se estão a expandir em Portugal e a escola vai dar saída a profissionais que podem acompanhar as pessoas, para que estes desportos não sejam feitos de qualquer forma”.

Melgaço prepara pontos de descolagem de parapente

Descolagem de Sainde poderá ser oficializada ainda este ano

Nesta primeira semana de campo, os instrutores da Aboua Escola preferiram pontos mais experimentados, como é o Cerdal, em Valença. No entanto, David Rodrigues garante que está em boa evolução os trabalhos no terreno e burocráticos para que Melgaço possa ter pelo menos um ponto de descolagem de parapente.“Não se fizeram  os voos aqui em Melgaço porque ainda não há condições para bi-lugares, só para voar a solo. A autarquia está a criar melhor condições, em Saínde (Paderne)”, diz o instrutor.

“O coto de Pomedelo ficou fora de questão porque a Ventominho apoderou-se do espaço, e não deixa qualquer actividade lá”, aponta David rodrigues, notando no entanto que está a ser observado um outro ponto, próximo de Fiães (que terá ponto de aterragem na vila, junto ao Centro de Saúde) que complementará o de Sainde. “O de Sainde é para incluir na formação, está oficializada e será colocada no mapa das descolagens a nível nacional, as outras, ainda estamos em fase de crescimento, temos de ser diplomáticos”, explica o instrutor e piloto da Aboua Escola.