Casa do Povo de Melgaço, solidária e cultural na sua segunda vida

As caminhadas, as marchas e a Universidade Sénior

 

Desde o seu reinício de actividade, em 2015, a Casa do Povo de Melgaço tem chamado a população melgacense a descobrir em grupo alguns talentos, recantos ou até qualidades daqueles que partilham experiências do programa que tem sido elaborado.

Se as noites de fado são já um sucesso entre a comunidade que acorre à Casa do Povo, as caminhadas têm sido também um forte agregador de melgacenses de todas as idades que querem conhecer o seu território de outra perspectiva.

As iniciativas, organizadas com fins solidários, tem apoiado instituições do concelho através de donativos dos participantes, mas este ano de 2017, a Casa do Povo quer saltar para a praça – literalmente – e tem pedido apoio para fazer parte de uma das tradições festivas do concelho que nos últimos anos vem perdendo expressão participativa.

 

Uma Marcha de São João com mais de 40 elementos

As marchas de São João, que a cada mês de Junho trazem ao largo Hermenegildo Solheiro as associações e clubes do concelho, têm perdido participantes. A Casa do Povo quer, nesta sua primeira participação, colorir e alegrar a noite sanjoanina.

“Apesar de ser uma actividade que engloba muita despesa, vamos participar e gostávamos de continuar, vamos ver como corre este ano. Está um grupo bem formado, que trabalha muito e estamos muito animados com esta participação”, conta Manuel Fernando Pereira, presidente da Direcção da Casa do Povo de Melgaço.

Desta forma, a IPSS melgacense junta-se a outras instituições e clubes numa celebração que este ano contará com cinco marchas, como a tradicionalmente presente Associação Noites Gaiteiras, e ainda as da Santa Casa da Misericórdia, Sport Clube Melgacense e da APPACDM Melgaço.

Para suportar as despesas inerentes a esta participação, a Casa do Povo organiza actividades que são já um valor seguro quanto ao número de participações e donativos. A Caminhada dos Reis, as noites de fado ou ainda a Noite Melgacense, que procurou juntar jovens melgacenses de distintas correntes artísticas, desde a música à poesia, foram algumas das acções de referência.

Em planeamento, assegura Fenando Pereira, está a realização de uma caminhada nocturna com componente cultural. “Seria uma caminhada nocturna no centro de Melgaço, com visita aos museus”, revela, indicando que a autarquia se terá mostrado receptiva à iniciativa, mantendo os espaços museológicos do centro histórico abertos na noite a definir para a visita.

Um grupo de melgacenses representará a Casa do Povo na decoração das ruas com tapetes florais por altura do Corpo de Deus, a 15 de Junho, apoiando o grupo que habitualmente embeleza a rua e largo junto da Igreja Matriz. A ideia é, como nota Fernando Pereira, fazer ressurgir iniciativas que se perderam pela “falta de bairrismo”. “Noutros concelhos há três ou quatro ranchos folclóricos, uma banda de música ou uma fanfarra, mas aqui acaba tudo. Parece-me que não há responsabilidade. Há a ideia de fazer e todos começam por dizer ‘vamos fazer!’, mas depois cada um tem a sua vida”.

A criação de um Rancho Folclórico foi um dos projectos que, à altura da tomada de posse, a direcção assumiu estudar e tornar realidade. O projecto parece não ter caído no esquecimento. “Queremos fazer um rancho, mas com um bom trabalho feito de base. Queremos que seja um rancho tradicional de Melgaço, em que as músicas, os cantares, os trajes e as danças sejam mesmo de Melgaço”, esclarece Fernando Pereira.

“Já falamos com um antropólogo que tem conhecimento da área e que vai fazer pesquisa, para que fique editado em livro e multimédia, mas queremos que seja diferente e nós temos aqui muitas diferenças. Em Castro Laboreiro, os cantares do Ribeiro de Baixo já não são iguais aos do centro de Castro. Lá em cima há mais base de trabalho”, ressalva o presidente da Direcção.

Para a formação do grupo que se encarregará das danças e cantares genuinamente melgacenses, Fernando Pereira diz-se “positivo” quanto à adesão de quem pode ser uma mais-valia. “Depois da pesquisa, queremos formar o rancho. Temos de ser positivos, acho que conseguimos. Nas marchas também conseguimos 40 elementos”.

No espaço adjacente à sede da Casa do Povo, um terreno exterior pertencente à instituição poderá ser, num futuro próximo, um espaço para a prática de jogos tradicionais como a malha ou a petanca. A ideia pretende dar outro uso ao terreno abandonado mas também responder às necessidades dos emigrantes mais idosos que têm por hábito estes jogos. “No Verão é um espaço para eles virem cá jogar”.

A criação de um Centro Ocupacional para seniores em actividade, com vista à instalação de uma Universidade Senior, é um dos grandes objectivos da Casa do Povo para potenciar a sede, no centro urbano da vila. “Temos um grupo grande de pessoas que acompanham as nossas actividades. Como associados do INATEL, se tivéssemos aqui um centro, seria a base para criarmos aqui uma Universidade Sénior”.

João Martinho

(texto publicado na edição de 01 de Junho do jornal “A Voz de Melgaço”)

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