PSD considera que o “estado de guerrilha” no caso do vinho Alvarinho não favorece o município

Vítor Cardadeiro apresentou-se aos melgacenses e está oficialmente na corrida pela liderança da autarquia

 

O PSD Melgaço apresentou a 25 de Maio, em jantar que reuniu mais de duas centenas de pessoas no restaurante do Hotel Boavista, aquele que será o candidato do partido a concorrer à liderança da autarquia. Vítor Sílvio Cardadeiro, empresário melgacense, rodeou-se neste dia pelos representantes locais, regionais e nacionais do partido, tendo contado nesta sua primeira sessão pública com o apoio do líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

“Teria de ser este o dia que marca o arranque na conquista da câmara municipal”, observava Vítor Cardadeiro a este jornal ao início da noite, prometendo ter uma actuação diferente da que a autarquia socialista protagoniza actualmente junto de entidades locais e regionais sobre o Alvarinho.

“É uma estratégia que tem sido discutida nos últimos anos, terei outra actuação junto das entidades competentes, junto da tutela, vitivinícolas e entidades competentes. As Câmaras não têm conseguido fazer entender aos produtores que são eles que tem de estar à frente deste processo, não as Câmaras”, atira Vítor Cardadeiro.

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A questão do Alvarinho tinha de resto sido assunto no início dos discursos pelo presidente da concelhia do PSD Melgaço, Jorge Ribeiro, que considerou o confronto entre a autarquia local e algumas entidades “uma guerrilha quase permanente”.

“Assistimos a situações de ruptura, de abandono de negociações, de abandono de processos de decisão, de ataque a tudo e a todos. Desde o Governo, Comissão dos Vinhos Verdes, adegas Cooperativas, Associação de Produtores, Câmara de monção, todos os agentes tem sido alvos de ataques deste executivo. O problema é que, enquanto o presidente de Câmara vai andando nesta política de show-off, consumindo energias nestas guerras inúteis, as coisas continuam a acontecer, a evoluir, mas sem o contributo e a influência de Melgaço e dos melgacenses”, notava Jorge Ribeiro no seu discurso.

Travar o despovoamento do concelho é outra das questões que o agora candidato acolhe como primordial. “Estou aqui para me bater por uma coisa, evitar o despovoamento. Temos de voltar a repovoar Melgaço e vou-me empenhar para mostrar que é agora o momento de mudar”, referiu Vítor Cardadeiro.

DSC_4491 (2)Ao jornal “A Voz de Melgaço”, Luís Montenegro assumia que a representatividade do PSD no Alto Minho, sendo poder em apenas dois dos dez concelhos da região, “fica muito aquém” da força eleitoral do partido, no entanto assume que o candidato de Melgaço poderá surpreender, ainda que num concelho governado pelo PS há mais de três décadas.

“Sabemos que é muito difícil ombrear com uma estrutura de poder que está montada, mas eu já estive aqui noutro dia e vi que há um movimento de apoio a esta candidatura que extravasa o partido que a sustenta, o PSD. Integra pessoas de outros partidos, que entenderam que era altura de dar uma oportunidade a outra equipa para tentarmos ter um território mais desenvolvido do ponto de vista económico, que aproveite melhor as suas potencialidades”, reconheceu Luís Montenegro.

Além dos sectores chave em que Melgaço tem o seu potencial com dinâmicas concretas, o líder parlamentar social-democrata diz que é essencial que o concelho tenha “mais empreendedorismo, mais empresas, mais ofertas de emprego para que as pessoas não tenham de sair desta terra.

“Em Melgaço, temos de facto um movimento que supera aquilo que tem sido habitual nos últimos anos. Hoje somos mais mobilizadores e temos um projecto consistente e sólido, com uma boa liderança”, observou Luís Montenegro, destacando que a visão política de Vítor Cardadeiro não visa o ataque. “Uma das coisas que mais me tocou, nas conversas que tenho tido é que ele não está propriamente contra ninguém, está apenas a favor de um futuro diferente, mais arrojado para a sua terra e isso é uma base excelente para um projecto vencedor”.

Ainda que o Governo liderado por António Costa reúna algum favoritismo popular pela esquerda, Luís Montenegro diz que o PSD não teme o ‘estado de graça’ da equipa governativa no momento de decidir a liderança autarquias. “Nas autarquias estão em cima da mesa os projectos locais. Em 2013 sofremos uma derrota copiosa nas eleições autárquicas e ganhamos as legislativas, passados dois anos. Mas também por aí não vinha nenhum problema de afirmação do PSD, nós hoje temos um governo que vende um estado de grande satisfação, mas teve duas condicionantes, como tive oportunidade de dizer ao Primeiro-Ministro no debate quinzenal, que são fora do comum: Uma herança excelente, nós deixamos, o país a crescer, o desemprego a diminuir, a divida controlada, e uma conjuntura externa favorável”.

O crescimento da economia espanhola é, para Luís Montenegro, um exemplo de que os resultados de Portugal poderiam ser mais consistentes. “A Espanha está a crescer o triplo do que crescemos aqui e nós estamos paredes meias, mas do lado de lá da fronteira cresce-se mais! Porque é que não conseguimos, ou porque é que não aproveitamos os espanhóis para fazer crescer o nosso território? Nós não estamos contra a que as coisas possam correr bem, mas é preciso ver se estamos a fazer tudo aquilo que possa sustentar que no futuro elas também estejam bem”.

João Martinho

(texto publicado na edição de 01 de Junho do jornal “A Voz de Melgaço”)

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