Sport Clube Melgacense continua com o sonho adiado

Desaires a meio da época atrasam mais um ano o regresso à primeira distrital

A consagração do Grupo Desportivo de Moreira do Lima como o grande vencedor do campeonato da 2ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Viana do Castelo (AFVC), com 59 pontos, não deixou mais do que a missão de cumprir o calendário aos restantes clubes.

O Sport Clube Melgacense fechou a época com 49 pontos somados, menos dez que o líder da tabela, mas segurou o lugar entre os primeiros, ficando em quarto lugar. Ainda que indicador de uma maior consistência do futebol da equipa melgacense, moderou as expectativas em relação à primeira metade da época 2016/2017, na qual vinha persistindo em primeiro ou nos primeiros lugares.

Coincidentemente, foi perdendo norte desde que o treinador Gil Silva abandonou o clube melgacense para assumir o comando técnico do Valenciano. Com a saída do técnico, iniciou-se também uma sangria de atletas vitais para a continuidade na linha da frente do campeonato, pelo que nem a pronta substituição de Gil por Renato Pombo, que trazia boas referências do trabalho realizado no Raianos, evitou a perda de lugares.

Alguns jogadores chamados a jogo por Gil Silva seguiram também para o clube de Valença, voltando o plantel do SC Melgacense a sofrer das maleitas que já lhe tinham afectado o rendimento em épocas anteriores.

No último jogo em casa, frente ao Ancorense, o clube melgacense deu sinais de cansaço e pouco estímulo, acabando por perder por 1-6 frente a uma equipa à qual saía tudo de feição e a concretizar sempre que avançava com perigo para o meio campo da equipa da casa.

A permanência entre as cinco primeiras equipas transparecem um trabalho que terá tido dias de sorte, mas o jogo em casa quase ao cerrar do pano desta época desportiva não estimulou o publico que, da bancada, mostrou indignação e teceu críticas a um jogo sem grande garra e que deitou definitivamente por terra as hipóteses de conquistar pelo menos o segundo lugar, ainda que matematicamente difícil.

Quando o apito final selou o 1-6 como o resultado oficial deste encontro, os adeptos e o treinador assumiram que algo tem de mudar na organização do plantel da equipa da terra de Inês Negra.

“Temos de ser realistas, o plantel neste momento não é sólido em quantidade. Fomos sendo desfalcados ao longo deste período, principalmente desde meados de Fevereiro e isso custou-nos os verdadeiros pontos que nos fariam estar lá em cima. Sofremos empates seguidos, quando andávamos semana a semana a construir equipa e em fase de decisão não podemos estar a fazer equipa”, considerava o treinador.

Sendo quase certa a sua continuidade na orientação do treino para a próxima época, Renato Pombo quer que o próximo período desportivo seja mais sólido em termos de plantel. “Se falharmos, que seja um falhanço da nossa estrutura, que seja nossa responsabilidade total. Neste momento, embora todos nós tenhamos responsabilidade, tivemos factores externos que nos levaram a este fracasso”.

Ainda sem se saber concretamente quem ficará ou quem sairá para a época 2017/2018, Renato Pombo assume que irá apostar em alguns atletas que saem este ano dos Juniores. “Nesta época já fui lançando jogadores. Eles precisam de entrar, de ganhar esta confiança para poderem produzir o futebol que tem mostrado nos treinos que tem feito com a equipa principal”.

“No próximo ano é intenção de todos ter meia dúzia de jogadores que terminam esta época os juniores, integrados no plantel principal para poderem treinar. Para que possam crescer e chegar ao patamar dos outros que aqui estão”, promete Renato Pombo.

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Ultras 2017, uma claque para lá do rendimento desportivo

Durante a segunda metade da época que agora termina, alguns jogos com mais público estimularam um grupo de mais de trinta jovens a formar uma claque de apoio ao clube melgacense. De bandeira ao vento e tambor sempre preparado para festejar, os Ultras 2017 terão no próximo ano 30 jornadas para mostrar o seu apreço festivo pelos atletas. A cumprir-se a estratégia avançada pelo técnico, uma equipa com pelo menos seis jogadores provenientes da formação do SC Melgacense poderá trazer outra tranquilidade aos adeptos motivos redobrados à claque para puxar pelos ‘seus’.

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João Martinho