“Foi bonita a festa, pá”*

 

Castro Laboreiro está na final das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias Remotas

Enchia de orgulho e, ao mesmo tempo, era desconfortável. Duas aldeias melgacenses competiam na mesma categoria pelo mesmo título. Das três candidatas a pré-finalistas, formalizaram-se duas: Castro Laboreiro e Branda da Aveleira eram pré-finalistas do concurso 7 Maravilhas de Portugal na categoria Aldeias Remotas.

Não se falou de bairrismo, apenas da preferência e dos normais apelos ao voto, cada um naquela que mais lhe significava. O desfile começou em Castro Laboreiro e, desde o dialecto à raça de cães, passando pelas valências da paisagem da montanha ao rio, muito pouco terá ficado por dizer daquilo que a estratégia turística para aquela freguesia tinha preparado.

A Gala, das mais equilibradamente ricas que a RTP emitiu até ao momento – pela tipicidade dos participantes que representaram as localidades melgacenses a concurso, mas também pela simpatia dos padrinhos de Castro Laboreiro e Branda da Aveleira – contou até com uma escolha feliz na artista convidada por Tatanka. Será consensual o encantamento pela voz de Luísa Sobral, que ao lado do artista residente destas Galas, entoou melodiosamente e acertado com o ‘comprimento de onda’ da Branda da Aveleira. 

Pedro Górgia defendeu os brandeiros da Aveleira, com a dedicação possível ao longo dos últimos dias, mas foi a actriz Melânia Gomes que, com a sua espontaneidade e simpatia natural, brilhou no momento de falar e defender Castro Laboreiro. Houve quase um sentir minhoto (e afinal, Viana do Castelo foi a sua casa durante anos) neste lobby em prol da ‘sua’ localidade. E até no momento de receber os louros, enquanto Laurent Filipe (padrinho da candidatura de Piódão, a outra finalista) estava preocupado com o frio da Aveleira, Melânia Gomes, em casaquinho de Verão,  quase (?) chorou lágrimas de emoção pela conquista. Uma escolha muito acertada para as gentes de Castro Laboreiro.

Uma noite feliz para os castrejos, mas igualmente feliz para a Branda da Aveleira, pela visibilidade que ganhou dos seus espaços, pelos hábitos ancestrais que aqui tiveram o devido tempo para explicar e pela sua claque, das mais alegremente barulhentas que já passaram pelo programa (embora sejam destronados já no próximo programa pelos caretos de Podence, fortes nisto do chocalho).

A final disputa-se a 3 de Setembro, com a Gala final, que será emitida pela RTP a partir do Piódão, localidade que é rival de Castro Laboreiro na categoria Aldeias Remotas. Um forte adversário que beneficia do facto de ter a emissão em directo da aldeia. Os melgacenses serão por isso chamados a votar novamente. “Por Castro, e em força” (parafraseando, claro), são por isso as palavras de ordem aos melgacenses, quando os números para votar forem anunciados.

Parabéns, Castro Laboreiro!

João Martinho

*frase da canção “Tanto Mar”, de Chico Buarque de Hollanda

(texto publicado na edição de 1 de Agosto do jornal “A Voz de Melgaço”)