Melânia Gomes despiu-se de personagens e apaixonou-se por Castro Laboreiro

“Se Portugal fosse uma aldeia, era Castro Laboreiro”

O concurso  7 MARAVILHAS DE PORTUGAL® submeteu este ano as aldeias do país a votos e o burburinho não se fez esperar. Castro Laboreiro e Branda da Aveleira estavam na corrida, mas na mesma categoria (Aldeias Remotas) e só a localidade castreja passou à final.

Motivada pelo estímulo da passagem à final, cujo resultado das votações telefónicas foi conhecido na Gala decorrida na Branda da Aveleira no final de Julho, a actriz Melânia Gomes, madrinha da candidatura de Castro Laboreiro, regressou a terras castrejas para encetar uma campanha que agregou centenas de melgacenses em torno do propósito da vitória, mas sobretudo da divulgação de Melgaço e a sua carismática aldeia.

Entre 27 de Agosto e 3 de Setembro, as redes sociais da actriz enchem-se de pequenos videoclipes e fotos das experiências que teve em Castro Laboreiro durante cerca de quatro dias. Com o apelo ao voto sempre implícito (e por vezes mesmo explícito, sem rodeios), Melânia Gomes procura mostrar, através de imagens e do seu talento genuíno para contar histórias, porque é que Castro Laboreiro está nesta corrida.

A história de Castro Laboreiro e as suas particularidades não coube toda em quatro dias de visita, mas ainda assim, o trabalho da actriz de espírito minhoto sintetiza muitas das curiosidades sobre o território, provocando naturalmente um considerável buzz em torno da aldeia, dos seus costumes e paisagem.

Não sabemos se foi o nascer do sol no planalto de Castro Laboreiro, que Melânia Gomes não quis mesmo perder aquando da sua primeira visita ao concelho. A noite de Gala na Aveleira tinha sido de alegria para os castrejos e para a respectiva madrinha, pelo que, aos primeiros raios de luz dessa madrugada festiva – “praticamente sem dormir”, como confessa – já Melânia Gomes estava no planalto a admirar um nascer do sol como só as madrugadas de Verão do Alto Minho conseguem proporcionar.

Por altura da sua segunda visita a Melgaço e a Castro Laboreiro, o jornal “A Voz de Melgaço” acompanhou algumas horas de um agitado dia de gravação de vídeos para promoção nas plataformas online em período de votações. E o ritmo era frenético. Em menos de quatro horas, Melânia Gomes acompanhou pastores na saída do rebanho (numa daquelas manhãs frias que quase dão razão ao ditado popular “primeiro de Agosto, primeiro de Inverno”); visitou um canil de cães de raça Castro Laboreiro; vestiu um traje castrejo para estar a rigor enquanto lavava roupa num tanque público e ensaiava o dialecto castrejo; acendeu a lareira para falar de transumância… E ainda teve tempo para nos dar esta entrevista antes de planear as actividades da tarde!

“Tive a sorte de o Paulinho [Paulo Azevedo, da empresa Montes de Laboreiro, que acompanhou e colaborou na realização do trabalho de promoção que a actriz desenvolveu durante a sua estadia] ser um braço direito fantástico, que me leva para todo o lado e mostra tudo, e de ter todo o apoio da Câmara Municipal. Tem sido incrível,é muita generosidade”, começou por agradecer Melânia Gomes.

“Nós [os minhotos] somos assim: Grandes, abundantes, intensos” 

Com alguns dos mais importantes apontamentos históricos de Castro Laboreiro na ponta da língua, a actriz falou com elevação sobre a mística do planalto e das suas necrópoles megalíticas, da vida selvagem, dos hábitos populares, da “experiência mágica” que foi ver os cavalos, as raposas, as corças e os coelhos em estado selvagem, no seu habitat.

“Procuramos fazer o máximo de registo possível para mostrar Castro Laboreiro a Portugal e ao mundo. Merece ser visto por todas as pessoas, e aquelas que ainda não vieram cá vão ficar com curiosidade. Tudo isto são experiências que tive, mas o importante é que as pessoas tenham as suas próprias experiências aqui, e certamente que vão ser muito bem recebidos como eu estou a ser, porque está no ADN das pessoas”, explicou a actriz, que diz comungar da genuinidade do povo que a recebeu.

“Eu sou minhota. Nasci em Tomar, mas é como se fosse de Viana porque fui para lá muito pequena e a minha alma é minhota porque nós somos assim, somos grandes, abundantes, intensos. E a gente de Castro Laboreiro é assim, acolhedora e muito generosa”.

Quiçá longe de Lisboa ou do Porto, mas Castro Laboreiro tem o seu mundo e o dia é sempre cheio para quem quer conhecer, ou neste caso, registar em vídeo. “É difícil conseguir chegar a todo o lado, porque é muito pouco tempo e Castro Laboreiro é enorme, tem uma cultura tão rica, tem tanta coisa, que estamos a dar o nosso melhor para compactar tudo isto”, observou a actriz.

Sobre os vídeos, “cada um tem a sua forma de se relacionar”, explica ainda a mentora desta acção. “São vários conteúdos, que vão apelar a vários tipos de público. Num só vídeo há pessoas que vão ficar fascinadas com a informação histórica, outras pela natureza, ou pela vida animal”.

A imensidão de pontos de interesse turístico e cultural, desde os hábitos populares à oferta turística que hoje se sente na localidade serrana, imprime na actriz a sua melhor síntese sobre a diversidade da montanha: “Há tanta coisa que, se Portugal fosse uma aldeia, era Castro Laboreiro. Portugal é riquíssimo e tem uma cultura imensa e apesar de ser um país pequeno, tem um povo gigante, com um coração de ouro. E Castro Laboreiro tem tudo: Tem um dialecto próprio; tem a transumância, um estilo de vida muito próprio, que teve que ver com adaptação ao clima; tem um microclima incrível. E isso é único”.

“É uma aldeia viva que não tem medo de crescer e abraçar o futuro”

Na ânsia de querer conhecer e participar da vida e actividades locais, Melânia Gomes acabou por sobrelotar as horas de permanência na aldeia. E afinal, “havia tanto para fazer”. Foi durante essa correria permanente que olhou em volta e viu que havia gente, outras correrias e projectos a acontecer numa “aldeia viva”.

“Podia ter isto tudo, como muitas outras aldeias que não têm tanto, mas algumas coisas, mas já não vive lá ninguém, ou tem pouca gente. Aqui, muita gente vai para fora mas volta e outros que nem sequer são de cá, vem para aqui. É uma aldeia viva onde as pessoas não só respeitam e preservam o passado, como vivem o presente de uma forma incrível, respeitando a natureza”, observou Melânia Gomes.

A Castro Laboreiro, agora colocado no epíteto de ‘molde’ daquilo que deve ser um país, cumpre agora corresponder aos desígnios do seu exemplo: Valer pelo passado, pelo presente e pelo futuro. “Há aqui muito potencial. As pessoas não devem ter medo de crescer e abraçar o futuro, e aqui não têm, estão de braços abertos para o futuro, para receber os turistas e os portugueses e a prepararem-se com infra-estruturas e tudo aquilo que é preciso para continuar a viver Castro Laboreiro”, conlclui.

João Martinho
(texto e foto)

Sobre Melânia Gomes:

Melania Gomes, actriz, tem 32 anos, nasceu em Tomar, mas veio viver para Viana do Castelo desde muito cedo. Faz teatro desde os 4 anos de idade e é profissional de teatro desde os 18. Está actualmente a gravar a telenovela “A Herdeira”, em transmissão na TVI, cuja acção decorre em Viana do Castelo, Galiza e México.

Além desta mais recente produção da TVI, no ar pela primeira vez, a actriz pode ser vista em mais dois projectos de ficção que a mesma estação está a actualmente a transmitir, em reposição, durante a semana, as telenovelas “Deixa que Te Leve” e “Espírito Indomável”.

Melânia Gomes é ainda embaixadora do Festival de Cinema Espanhol, que decorrerá em Lisboa no final de Setembro e princípio de Outubro, promovido pela distribuidora Cinemundo.