“Temos jovens com ‘garra’ que querem participar na discussão política do concelho e viver em Melgaço”

Fátima Pereira é a nova moderadora da democracia melgacense

Fátima Pereira, a sucessora de Artur Rodrigues na presidência da Assembleia Municipal de Melgaço, inaugura também um novo marcador na história da política local ao ser a primeira mulher a assumir um cargo de destaque no garante da democracia política em Melgaço.

Habituada a decidir na vida profissional, a curiosa nota é apenas de destaque na política. Professora e coordenadora da disciplina de Matemática no Agrupamento de Escolas de Melgaço, Fátima Pereira é ainda Vice-presidente da Associação de Pais.

Na vida política, já foi Vereadora do pelouro da Juventude no executivo liderado por Rui Solheiro, Secretária da Assembleia Municipal durante quatro anos e já integrou a lista anterior de Manoel Batista, nas autárquicas de 2013. Perante o percurso político, a escolha de Fátima Pereira para moderar a discussão política do concelho afigurava-se natural, mas a conhecida professora das escolas melgacenses, onde exerce há mais de vinte anos, não recebeu o convite com tanto entusiasmo.

“Quando o convite me foi feito fiquei um bocadinho reticente, porque sei que é uma função bastante complicada e é difícil orientar essas reuniões, mas depende da Assembleia que vou apanhar pela frente”, confessa.

“Não vamos deixar pontas soltas”

A cerimónia de tomada de posse dos órgãos autárquicos, a 14 de Outubro, deu a conhecer uma assembleia mais jovem que promete tornar a discussão política mais activa, prevê a nova presidente do órgão deliberativo melgacense. “Estou a prever uma assembleia muito activa, muito viva em termos de discussão de assuntos e isso é bom. Estou a contar, até pelas características dos membros da assembleia, que são pessoas jovens com vontade de estar na vida política, de intervir e contribuir”.

Sobre a moderação democrática, diz ser a favor da discussão e do esclarecimento e promete não deixar “pontas soltas”. “Nem tudo o que está feito está bem e nem tudo o que vem de uma bancada tem de ser aprovado, temos de chegar a consensos em algumas matérias, de ambas as partes. Devemos deixar os partidos de fora, ali o que está em causa são os interesses dos melgacenses”.

Ainda este ano, é tempo de se discutir o Orçamento para 2018, o tema mais ‘delicado’ de qualquer Assembleia Municipal. “Engloba muitas medidas, uns estarão a favor e outros contra. O presidente da Assembleia pode pedir dados, fomentar a discussão, a participação, é a melhor forma de ajudar. Garanto que iremos discutir os assuntos até à exaustão, se for pedido, mas o Presidente da Assembleia tem de ser imparcial”.

Sobre o aumento da participação dos jovens na política, Fátima Pereira refere que é no equilíbrio entre gerações que a democracia poderá ser discutida com “garra” e modelada pela “experiência” e que este sinal de juventude na política concelhia pode significar mais do que vontade de política

Há pessoas que tem muita experiência e que são muito válidas e que se devem aproveitar, mas também há que ir buscar os jovens porque eles têm ideias, tempo, vontade e a garra que alguns, pelo desgaste, vão perdendo, embora a experiência deles seja importante na mesma. O meu primeiro Secretário foi o primeiro presidente da Assembleia Municipal, o professor António Domingues. Nas nossas listas fazem parte pessoas da JS [Juventude Socialista]. O doutor José Adriano é um Vereador bastante novo mas com uma capacidade de trabalho excelente”, exemplifica. “É preciso ir introduzindo os jovens nestes assuntos, para também se preocuparem com as questões do concelho, não passarem ao lado. Temos aqui gente com vontade de trabalhar e que querem estar aqui, em Melgaço”, acrescenta ainda.

Sobre os próximos quatro anos do executivo, Fátima Pereira diz que vão ser “quatro anos mais fáceis” em termos de discussão política de projectos.

“É um momento de viragem que é de aproveitar. Os projectos que estão pela frente, como o [da recuperação] das Piscinas Municipais, que muita gente dizia que era um elefante branco, trazem muita gente para aqui, tem muitos alunos inscritos. O investimento nas Termas, traz-nos agora o investimento do Hotel.  Acredito há coisas que vão ser mais pacíficas, outras não serão…” considerou.

João Martinho

(texto publicado na edição de Novembro do jornal “A Voz de Melgaço”