Aqui começa Portugal!

 

embro-me bem da forma como franzia o sobrolho, mostrando espanto e alguma indignação, quando alguém dizia não saber onde ficava Melgaço. A minha resposta saía de forma automática:

Podemos perceber muito pouco de geografia, não saber onde fica a maioria das terras, mas Portugal começa em Melgaço!

Era assim que eu reagia, nos meus tempos de estudante. Confesso que não ficava assim tão espantado e muito menos indignado, mas era a minha forma de afirmar, não deixando margem para discussão ou dúvidas, que eu era da terra onde Portugal começa.

No primeiro artigo que escrevi para este espaço, refiro um texto onde Miguel Esteves Cardoso afirma que é no Norte que começa Portugal. É, também, esta lógica da construção, da leitura, da perceção de cima para baixo que nos permite afirmar, com propriedade, que é aqui, no mais nortenho dos concelhos, que começa Portugal.

Este título, de terra onde começa Portugal, não é uma descoberta recente, ou algo que tenhamos começado agora a reivindicar. Já em 1973, numa visita do então Presidente da República Almirante Américo Tomás, foi inaugurado um pequeno monumento, junto aos edifícios da alfândega, na fronteira de São Gregório, onde podia ler-se “Aqui começa Portugal”.

Nos últimos anos temos assistido a um intenso reavivar desta bandeira, muito por força do trabalho e da persistência de um habitante da aldeia melgacense de Cevide (a aldeia mais setentrional de Portugal, situada na freguesia de Cristóval) – o Mário Monteiro.

Com o seu esforço, a sua luta incansável, o Mário tem perseguido o objetivo de divulgar os muitos e inegáveis encantos da sua aldeia, nas margens dos rios Minho e Trancoso, aliados ao facto de ali se situar o marco fronteiriço número um.

A linha de fronteira terreste portuguesa encontra-se sinalizada por marcos numerados. É ali, em Cevide, Melgaço, que começa a numeração e que, portanto, se situa o primeiro marco, o marco número um.

Não sendo o Mário formado na área da comunicação, desde logo percebeu a importância deste facto do ponto de vista do marketing territorial. Como ele muitos de nós, que crescemos a franzir o sobrolho quando alguém dizia não saber onde ficava a nossa terra, acreditamos na força desta marca identitária.

Pessoalmente, tive oportunidade de manifestar, junto dos órgãos autárquicos com competência na matéria, a minha profunda convicção da importância de trabalharmos a imagem do concelho de Melgaço, aliada a esta marca distintiva. É, indubitavelmente, aquilo que temos de mais exclusivo.

Estou certo que a marca Melgaço, enquanto território, sairia muito reforçada se, em cada desdobrável, em cada viatura, em cada página da net ou rede social, em todo o material de informação ou divulgação do nosso concelho, junto do logotipo e do nome Melgaço, pudesse sempre ler-se “Aqui começa Portugal”.

Jorge Ribeiro
Consultor

(texto publicado na edição impressa do jornal “A Voz de Melgaço” de Fevereiro 2018)