Fibromialgia – Doença verdadeira ou ficção?

F – Fibromialgia

A Fibromialgia é uma entidade muitas vezes designada como doença invisível.

Apenas foi reconhecida como doença, pela Organização Mundial de Saúde, no final da década de 1970 e desde então tem sido alvo de diversos estudos pela sua natureza enigmática.

Trata-se de uma patologia crónica caracterizada por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões específicas. Outras manifestações que podem surgir são a fadiga crónica, alterações cognitivas e até perturbações de humor como a depressão. Por vezes também se acompanha de distúrbios gastrointestinais, cefaleias e perturbações do sono.

Os sintomas variam muitas vezes de intensidade, podendo até desaparecer e reaparecer de forma esporádica, consoante os níveis de stresse, ansiedade ou as mudanças de temperatura.

As mulheres são 5 a 9 vezes mais afetadas que os homens e 80% dos casos são diagnosticados em mulheres entre os 20 e os 50 anos de idade. Em Portugal, acredita-se que sejam afetadas cerca de 300 000 pessoas.

Supõe-se que o desenvolvimento da doença possa ser influenciado por fatores como: o stresse, doenças imunológicas, endocrinológicas e ainda traumas físicos ou psicológicos. Outras teorias sugerem uma alteração nas áreas cerebrais responsáveis pela perceção da dor. Isto é, o cérebro dos pacientes com Fibromialgia seria excessivamente sensível aos estímulos dolorosos. No entanto, o mais provável é que seja uma causa multifatorial.

Dado o facto de ser uma doença com alguma controvérsia na comunidade médica, existiram dificuldades em proceder à sua classificação, estando atualmente classificada como uma doença de foro reumatológico e não psiquiátrico, ao contrário do que muitos pensam.

Atualmente, a Fibromialgia é diagnosticada tendo em conta dois pressupostos: a presença de sintomas como fadiga crónica, acordar cansado, dor generalizada e alterações cognitivas durante um período superior ou igual a 3 meses e a pesquisa de pontos dolorosos em regiões anatómicas concretas. A pesquisa desses pontos, que englobam zonas como: a 2ª costela, o músculo trapézio ou a zona occipital, não são de dor espontânea. Essa dor é desencadeada pela pressão digital (carregando com o dedo). São necessários mais de 12 pontos em 18 para se fazer o diagnóstico.

Não existe nenhum exame laboratorial ou de imagem que façam o diagnóstico de Fibromialgia e apenas são pedidas análises e exames para excluir outras doenças que expliquem os sintomas do doente. No caso de se tratar de Fibromialgia, todos os exames e análises serão normais, daí a sua designação de invisível.

A doença em questão não tem cura! Existe no entanto forma de aliviar o sofrimento destes doentes. O tratamento deve ter em conta o doente como um todo e basear-se numa abordagem centrada nas suas necessidades, de preferência levada a cabo por uma equipa multidisciplinar. O primeiro passo é acreditar nas queixas do doente, explicar-lhe a sua condição e ensiná-lo a lidar com a situação! Envolver a família e a comunidade neste trabalho ajudará todo o processo. Existem também medicamentos para aliviar os sintomas, como são: os relaxantes musculares, analgésicos, ansiolíticos, antidepressivos entre outros. Os fármacos quando complementados com psicoterapia, técnicas de relaxamento e adoção de um estilo de vida saudável tornam a doença num fardo menos pesado de carregar.

Sabe-se que, quando o diagnóstico é realizado corretamente e o tratamento iniciado, cerca de 2/3 dos pacientes com fibromialgia mantém-se ativos, referindo pouca ou nenhuma interferência da doença no seu dia-a-dia.

Por isso, em caso de dúvida, procure o seu médico. Cuide de si e dos seus, não se esqueça que nós somos os primeiros médicos de nós mesmos.

Drª Alexandra Táboas

(texto publicado na edição impressa do jornal “A Voz de Melgaço” de 01 de Fevereiro 2018)