DICIONÁRIO CLÍNICO: A – Apneia do sono

“Quando durmo, dizem que paro de respirar. E agora?”

O ressonar é algo muito comum, sobretudo nos homens com mais de 40 anos. Este facto pode ser o primeiro indício de uma doença chamada Síndrome de Apneia de Sono e esta pode ter implicações graves como o risco aumentado de Enfarte Agudo do Miocárdio.

A Apneia do Sono carateriza-se pela paragem do fluxo respiratório durante o sono por mais de 10 segundos e mais de 5 vezes por hora devido ao relaxamento das estruturas do palato e faringe que levam ao colapso da via aérea superior. Esta situação leva a uma incapacidade de se atingir as fases profundas do sono, porque ocorrem micro-despertares durante essas paragens de respiração, não permitindo que a pessoa atinja a fase reparadora do sono e consiga um descanso físico e mental.

Há diversas causas associadas a esta doença, sendo que a obesidade é um fator de risco, tal como a ingestão de álcool ou de medicação para dormir.

Esta situação leva à sensação de sonolência excessiva diurna inclusive durante a condução, após as refeições ou em momentos de paragem durante o dia. Para além desta sensação é comum haver maior irritabilidade, sensação de cansaço diariamente, afetação da memória e da concentração. A longo prazo, a incorreta oxigenação do sangue durante a noite induz problemas graves como o aumento do trabalho cardíaco, hipertensão arterial, arritmias cardíacas e aumento significativo do risco de enfarte como já foi acima referido.

A correção dos fatores de risco é o primeiro passo para uma melhoria consistente desta patologia. A perda de peso é essencial, no caso de haver excesso ponderal. Evitar ingerir álcool após as 18 horas, deixar de fumar e evitar dormir de barriga para cima e numa posição completamente horizontal também é importante. Alguns doentes tentam dormir com mais almofadas ou também tentam coser uma bola de ténis nas costas do pijama, o que faz com que fiquem mais incómodos nessa posição e procurem a posição de lado. Por fim e não menos importante evitar a medicação para dormir.

Deve suspeitar desta doença se: o seu parceiro lhe diz que a sua respiração se interrompe durante o sono e fica sem respirar e se esta situação se repete durante a noite; se tem muito sono durante o dia e adormece com facilidade a ver televisão, parado no trânsito ou a ler o jornal; se está sempre de mau humor e tudo o aborrece com muita facilidade e ainda se acorda com dor de cabeça e se sente deprimido e exausto durante o dia.

O diagnóstico é possível com um estudo chamado Polissonografia que monitoriza o sono e muitos outros parâmetros.

No caso de se confirmar a doença, a resolução pode passar por uma cirurgia ao nariz/garganta se se verificar que a possível causa é desse âmbito ou então o uso de uma máquina que tem uma máscara facial e que vai passar a ser a sua aliada durante o sono. Esta máquina que usará durante a noite, aumenta a pressão do ar nas vias aéreas superiores, impedindo deste modo o colapso das estruturas e as paragens de respiração. Este tratamento tem como vantagem ser eficaz em quase todos os doentes, mas como desvantagem o facto de poder ser incomodativo e gerar uma certa dificuldade na adaptação tal como o facto de ter de ser usado permanentemente.

Não menospreze as alterações no seu sono. O sono é uma necessidade vital e deve ser tido em conta. Cuide de si e dos seus, nós somos os primeiros médicos de nós mesmos.

Dr.ª Alexandra Táboas