DICIONÁRIO CLÍNICO – Sarampo: O fantasma voltou?

O fantasma voltou?

O sarampo é uma infeção viral que se transmite de pessoa a pessoa, por via aérea através de gotículas. Isto é, as pessoas ficam infetadas através da inalação de microgotas que se encontram em suspensão no ar após serem expelidas pelo doente.

O vírus pode permanecer infecioso no ar até duas horas após a pessoa infetada sair de uma determinada área ou espaço. É uma patologia extremamente contagiosa, sendo que a primeira infeção pelo Sarampo protege a pessoa para o resto da vida.

“…ao 5º dia há uma erupção na pele com manchas vermelhas irregulares…”

As pessoas não vacinadas e que nunca tiveram Sarampo têm uma grande probabilidade de contrair a doença, se forem expostas ao vírus.
É, na maioria dos casos, uma doença benigna embora, em alguns, possa ser grave ou mesmo fatal. O facto de existir uma vacina eficaz e segura contra esta doença e da sua transmissão acontecer exclusivamente entre humanos faz do Sarampo uma doença passível de ser erradicada.
Nos últimos dias tem-se falado de um surto de Sarampo no nosso país com ponto de partida na região Norte. O que devemos então saber e como nos podemos proteger desta infeção?
Primeiro devemos ter capacidade de identificar os sintomas. A sintomatologia caraterística inicia-se com: febre, olhos vermelhos, congestão nasal, dor de garganta, cansaço e tosse seca (semelhante a uma gripe). Após 2 a 4 dias destes achados inespecíficos podem surgir manchas brancas na parte interna das bochechas e restante mucosa oral (manchas de Koplik) e geralmente ao 5º dia há uma erupção na pele com manchas vermelhas irregulares que geralmente se iniciam no pescoço e orelhas estendendo-se depois ao tronco, braços e pernas.
Após alguns dias a febre cede e as manchas desaparecem, com alguma descamação da pele.

O diagnóstico faz-se através da clínica do doente, e da aferição dos seus contactos com alguém infetado. Os casos só são considerados como confirmados após realização de alguns testes laboratoriais.
Não existem tratamentos específicos para a doença, a não ser a medicação para controlo de sintomas de modo a proporcionar o maior conforto ao doente.

E a vacinação? Qual é a regra para estarmos protegidos? Atualmente recomenda-se a 1ª dose da vacina aos 12 meses e a 2ª dose aos 5-6 anos, antes da escolaridade obrigatória, sendo uma vacina que faz parte do Plano Nacional de Vacinação. É uma vacina que se faz conjuntamente com a da Papeira e da Rubéola.
E como se gere então a vacinação nos diferentes grupos etários? Aquilo que é preconizado pela Direção Geral de Saúde é:

1- Os indivíduos nascidos antes de 1970 não têm indicação para fazer qualquer dose da vacina, uma vez que existe indicação que cerca de 99% da população nascida nesse período tem proteção contra o Sarampo;

2- Os nascidos após 1970 deverão fazer 1 dose da Vacina; 3- as crianças devem seguir o Plano Nacional de Vacinação; 4- os profissionais de Saúde, independentemente do ano de nascimento, devem fazer 2 doses da vacina.

Esteja atento aos sinais e sintomas e ao seu boletim vacinal. Cuide de si e dos seus. Nós somos os primeiros médicos de nós mesmos.

Dr.ª Alexandra Táboas