Dicionário Clínico: T – Tiróide

“Senhor Doutor, tenho tiróide!”

A tiróide é uma pequena glândula que se encontra na base do pescoço e que é responsável pela produção de hormonas e sua libertação no sangue. Essas hormonas são essenciais para o funcionamento do organismo humano, interferindo com a regulação da temperatura corporal, a frequência cardíaca, a tensão arterial, o funcionamento dos intestinos, o controlo do peso, os estados de humor, entre outras funções.

Assim, conseguimos entender que todos nós nascemos com tiróide! No entanto, por vezes esta glândula começa a funcionar mal levando ao surgimento de certas doenças. As doenças da tiróide são muitas vezes silenciosas mas são muito comuns, afetando mais de um milhão de portugueses.

Existem diversas causas para o surgimento destas doenças.

O hipertiroidismo é a doença que se relaciona com um aumento exagerado da produção das hormonas da tiróide e pode dever-se a uma doença auto-imune, à presença de nódulos produtores de hormonas, à toma de certas medicações ou suplementos com iodo, entre outras. Esta patologia manifesta-se com sintomas compatíveis com a aceleração do metabolismo: perda de peso mas aumento do apetite, sensação de palpitações, aumento da frequência cardíaca, maior irritabilidade, tremores, insónias, intolerância ao calor, irregularidades menstruais e aumento da sudação. Pode haver um sinal muito característico chamado: exoftalmia que é a protusão dos olhos, ficando mais salientes.

O hipotiroidismo está associado à produção de hormonas em quantidade inferior à necessária e pode resultar também de uma causa auto-imune, défice de iodo, uma cirurgia de remoção total ou parcial da glândula por diversos motivos, exposição a radiação ou a toma de alguns fármacos. Neste caso, a sintomatologia é oposta à anterior descrita. Há sintomas típicos de diminuição do metabolismo como: aumento de peso por retenção de líquidos, sensação de cansaço permanente, obstipação, pele seca, intolerância ao frio, depressão, queda de cabelo e fraqueza das unhas tal como dores musculares.

O bócio corresponde à situação em que a tiróide se encontra aumentada de volume. Esta pode estar aumentada por ter nódulos e aí designamos de bócio nodular ou aumentada de forma difusa e então chamamos de bócio difuso. Os nódulos podem ser benignos ou malignos pelo que exigem um estudo e controlo por parte do médico.

O diagnóstico das doenças da tiróide faz-se através da sintomatologia do doente, análises sanguíneas que permitem detetar e medir os níveis de hormonas tiroideias na corrente sanguínea e ecografia da tiróide para perceber a sua estrutura. Em casos particulares pode ser necessária biopsia.

O tratamento do hipertiroidismo depende da sua causa, já o hipotiroidismo trata-se com a administração das hormonas da tiróide, sob a forma de comprimidos. Em ambos os casos a vigilância com o seu médico é essencial uma vez que podem ser necessários ajustes terapêuticos.

Esteja atento. Cuide de si e dos seus. Nós somos os primeiros médicos de nós mesmos.

Alexandra Táboas
Drª