Festival Filmes do Homem “não faria feio em nenhum grande festival brasileiro de cinema documental”

Melgaço volta a estudar o mundo e a si próprio em seis dias de filmes

De 30 de Julho a 5 de Agosto, o FILMES DO HOMEM – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, volta a promover e divulgar o cinema etnográfico e social, mantendo como mote os temas que representam a história local mas que partilham semelhanças com a realidade social de muitos locais do mundo: A identidade, memória e fronteira.

Ao longo das últimas edições, o festival tem sido dinamizador da recolha de imagem, depoimentos e histórias de quem ainda vive para contar, trazendo a reflexão sobre os conflitos das fronteiras, dos traços identitários de um povo e sobre o futuro do interior às discussões de hoje.

O espólio de fotografia e filme do município de Melgaço voltará a ser reforçado através das residências fotográfica e cinematográfica Plano Frontal, de que resultam a cada ano em quatro filmes documentais e exposições fotográficas sobre figuras e histórias do concelho.

“Como brasileiro e alguém que vive muito longe da Europa, pude entrar em sintonia, aproximar-me muito de grandes temas sociopolíticos europeus deste momento, graças a estes filmes. Como cidadão brasileiro, vi uma selecção internacional que não faria feio em nenhum grande festival brasileiro de cinema documental”, considerou Sérgio Rizzo, Jornalista, mestre em Artes/Cinema, natural de São Paulo (Brasil), no final da edição do Filmes do homem 2017, no qual foi júri oficial dos filmes a concurso ao prémio Jean Loup Passek.

O jornalista, com experiência na curadoria de festivais e em inúmeras actividades ligadas ao cinema em São Paulo, lamenta que o Brasil não tenha direccionado o foco para estes temas.

“A produção documental brasileira, assim como a produção de audiovisual, é muito concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro, que estão muito distantes de fronteiras e tem os seus próprios problemas, que são muitos, então a produção que é feita nesses pólos muito raramente tratam das fronteiras. Mas todos os estados que tem vizinhos. Nos sul-americanos, próximos da Bolívia, a produção de documentário costuma lidar com esses temas, mas os problemas do Brasil são tão grandes e numerosos que o problema das fronteiras parece secundário”, explicou.

Sobre o festival de Melgaço, Sérgio Rizzo reconhece que o Filmes do Homem “ainda é pouco conhecido entre a comunidade de documentaristas brasileiros, mas já assumi o compromisso de contribuir para divulgar o festival e garanto que no próximo festival teremos brasileiros”.

Sobre a região, a impressão, recolhida em 2017, era mais plena. “Não conhecia a raia, mas levo a impressão de uma região de muita beleza natural, de um povo muito caloroso, tanto do lado português como do lado galego, e de uma cultura muito vibrante. É a melhor das impressões”.

João Martinho