Filmes do Homem 2018: 27 filmes seleccionados das mais de 2500 candidaturas integram cartaz da 5ª edição

Festival Filmes do Homem apresentou programação no Porto

O programa do Festival Internacional de Documentário de Melgaço – FILMES DO HOMEM foi apresentado ontem (17 de Julho) no espaço Mira Forum, no Porto, com a presença do presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista, Carlos Eduardo Viana, presidente da associação AO NORTE e director do Festival, José de Silva Ribeiro, coordenador do curso de verão Fora de Campo, Álvaro Domingues, coordenador do projeto “Quem somos os que aqui estamos? em trânsito”, Patrícia Nogueira, coordenadora do Kino Meeting, e Bernard Despomadères, curador das exposições temporárias do Museu de Cinema Jean Loup Passek (Melgaço).

A 5ª edição do festival, que se realiza de 30 de Julho a 5 de Agosto em vários locais do município de Melgaço, recebeu mais de 2 500 candidaturas de filmes ao prémio Jean Loup Passek, “um acréscimo de submissões na ordem dos 300% face ao ano passado”, garante a organização.

“Os Cantadores de Paris”, de Tiago Pereira, é um dos filmes candidatos

Destas candidaturas, foram seleccionadas para competição 13 longas-metragens e 14 médias e curtas-metragens oriundas de vários países, tais como Portugal, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Áustria, Suécia, Alemanha, Holanda, Polónia, Quirguistão, Irão, Brasil, Cuba e Congo. À semelhança das edições anteriores, vários dos realizadores estarão presentes durante o festival para partilharem as suas experiências e desvendarem um pouco do seu processo de trabalho.

Todos estes filmes são candidatos às três categorias do prémio Jean Loup Passek. Os prémios a atribuir pretendem distinguir a melhor longa-metragem internacional (3000€), a melhor média ou curta-metragem internacional (1500€) e o melhor documentário português (1000€) entre os seleccionados.

O júri desta edição é constituído por Jasna Krajinovic, realizadora vencedora no ano passado na categoria de melhor longa-metragem internacional, Luciana Fina, realizadora italiana radicada em Portugal, Margarita Ledo, realizadora e professora da Universidade de Santiago de Compostela, Luís Miguel Oliveira, crítico de cinema do jornal Público, e o cinéfilo e crítico Ricardo Vieira Lisboa, em representação do website À Pala de Walsh.

O curso de verão Fora de Campo que este ano dedica grande parte da programação ao cineasta e antropólogo Jean Rouch, com especial incidência na relação do realizador com o cinema português e com o médio oriente. Além da projecção do filme “En Une Poignée de Mains Amies”, co-realizado por Jean Rouch com Manoel de Oliveira, a iniciativa conta com a presença da realizadora Mina Rad, para falar sobre a influência de Rouch no cinema Iraniano e apresentar o seu filme Contes Persans, Jean Rouch en Iran, em estreia nacional. Tempo também para rever Chronique d’un Été e o filme Un Été+50. Jocelyne Rouch, presidente da Fundação Jean Rouch e viúva do realizador, irá inaugurar a exposição de fotografia “A descida do rio Niger” no dia 3 de Agosto na Casa da Cultura de Melgaço.

Ainda integrado na programação do curso Fora de Campo, passarão por Melgaço o realizador e amigo de Jean Rouch, Bernard Surugue, e a atriz brasileira Carmen Silva, para apresentar o filme Era o Hotel Cambridge, realizado por Eliane Caffé.

Após uma estreia bem sucedida da iniciativa Kino Meeting: Encontro internacional de serviços educativos de cinema, o festival FILMES DO HOMEM recebe pelo segundo ano consecutivo o encontro, reunindo instituições europeias que trabalham na educação para as imagens, tais como: Deutsche Kinemathek – Museum of Film and Television (Alemanha), Mucho (+) que cine (Espanha), Kinodvor (Eslovénia), Filmoteca de Catalunya (Espanha), Casa Museu de Vilar, Cineclube de Faro e AO NORTE, estas últimas de Portugal.

À semelhança das edições anteriores, o festival organiza também a residência Cinematográfica e Fotográfica Plano Frontal, a decorrer em Melgaço de 27 de Julho a 5 de Agosto de 2018, durante a qual irá receber 12 alunos ou recém-graduados de cinema e 3 de da área de Fotografia. Os participantes trabalharão com as comunidades locais do município de Melgaço para realizarem quatro documentários e três projectos fotográficos. Esta iniciativa pretende contribuir para a criação de um arquivo audiovisual sobre a região e preservar o património imaterial.

A programação do festival conta ainda com seis exposições de fotografia, entre projectos desenvolvidos pelos participantes da residência Plano Frontal, Pedra e Pele do fotógrafo João Gigante, que acompanhou e registou em imagens o quotidiano da freguesia de Parada do Monte, a exposição da actriz Anna Magnani, a estrear no Museu do Cinema, e a exposição “Quem somos os que aqui estamos? Em trânsito”.

Esta última exposição resulta de um projecto de recolha e tratamento documental sobre a freguesia de Parada do Monte, produzido pela associação AO NORTE e coordenado pelo geógrafo Álvaro Domingues, que envolve a produção de um documentário, uma exposição de fotografia documental, a publicação de um catálogo da exposição, a recolha e digitalização de fotografias de álbuns familiares de habitantes de Parada do Monte e Cubalhão, uma exposição criada a partir desta recolha de álbuns familiares e uma publicação sobre o projecto.

O festival internacional de documentário de Melgaço – FILMES DO HOMEM, é organizado pela Câmara Municipal de Melgaço em parceria com a AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual, e pretende promover e divulgar o cinema etnográfico e social, reflectir sobre identidade, memória e fronteira e contribuir para um arquivo audiovisual sobre a região.

 

Prémio Jean Loup Passek: Filmes em competição

Melhor Longa-Metragem Internacional:

Welcome To Sodom

WELCOME TO SODOM, de Christian Krönes, Florian Weigensamer | Áustria, 2018, 92′
LUZ OBSCURA (OBSCURE LIGHT), de Susana de Sousa Dias | Portugal, 2017, 76′
THIS IS CONGO, de Daniel Mccabe | Congo, 2017, 93′
THE DEMINER, de Hogir Hirori | Suécia, 2017, 83′
O TEMPO NA LUPARIA (THE TIME IN LUPARIA), de Plácido Romero | Espanha, 2018, 67′
O TERMÓMETRO DE GALILEU (GALILEO’S THERMOMETER), de Teresa Villaverde | Portugal, 2018, 105′
BOSTOFRIO, OÙ LE CIEL REJOINT LA TERRE, de Paulo Carneiro | Portugal, 2018, 70′

A CASA (THE HOUSE), de Rui Simões | Portugal, 2017, 78′
HERANÇA (HERITAGE), de Flávio Cruz | Portugal, 2017, 50′
NI JUGE NI SOUMISE SO HELP ME GOD, de Jean Libon, Yves Hinant | França, 2017, 99′
OS CANTADORES DE PARIS (THE ALENTEJO SINGERS OF PARIS), de Tiago Pereira | Portugal, 2018, 80′
IMPREZA THE CELEBRATION, de Alexandra Wesolowski | Alemanha, 2017, 75′
HANAA, de Giuseppe Carrieri | Itália, 2017, 57′

 

Melhor Curta ou Média-Metragem Internacional:

THE LAST TAPE, de Cyprien Clement-Delmas, Igor Kosenko | Alemanha, 2017, 12’21”
BOCA DE FOGO (FIRE MOUTH), de Luciano Pérez Fernández | Brasil, 2017, 9′
MANKURT, de Gulzat Matisakova | Quirguistão, 2018, 13’12”
ARMINDO E A CÂMARA ESCURA (ARMINDO AND THE DARK CHAMBER), de Tânia Dinis | Portugal, 2017, 20′
TIJUANA TALES, de Jean-Charles Hue | França, 2017, 11′
90 SECONDS IN NORTH KOREA, de Ranko Paukovic | Holanda, 2017, 15′
THE SEASON OF WARM BREEZES, de Hosseini Rigi | Irão, 2017, 43′
ATÉ A PRÓ/CIMA! A FRIENDSHIP IN TOW/TOE, de Atsushi Kuwayama | Portugal, 2017, 10’08”
MIĘDZY NAMI BETWEEN US, de Maciej Miller | Polónia, 2017, 30′
LOOKING AT OTHERS, de Dennis Stormer | Alemanha, 2018, 30′
PALMIRA, de Diana Gonçalves | Espanha, 2017, 30′

The Good Fight – A Vida é uma Luta

THE GOOD FIGHT – A VIDA É UMA LUTA, de Ben Holman | Brasil / Reino Unido, 2017, 16′
EXPOSIÇÃO (EXHIBIT), de Luís Azevedo | Portugal, 2018, 15′
NORLEY Y NORLEN (NORLEY AND NORLEN), de Flávio Ferreira | Portugal / Cuba / Espanha, 2017, 8′

Melhor Documentário Português:

LUZ OBSCURA (OBSCURE LIGHT), de Susana de Sousa Dias | Portugal, 2017, 76′
O TERMÓMETRO DE GALILEU (GALILEO’S THERMOMETER), de Teresa Villaverde | Portugal, 2018, 105′
BOSTOFRIO, OÙ LE CIEL REJOINT LA TERRE, de Paulo Carneiro | Portugal, 2018, 70′
A CASA (THE HOUSE), de Rui Simões | Portugal, 2017, 78′
HERANÇA (HERITAGE), de Flávio Cruz | Portugal, 2017, 50′

OS CANTADORES DE PARIS (THE ALENTEJO SINGERS OF PARIS), de Tiago Pereira | Portugal, 2018, 80′
ARMINDO E A CÂMARA ESCURA (ARMINDO AND THE DARK CHAMBER), de Tânia Dinis | Portugal, 2017, 20′
ATÉ A PRÓ/CIMA! A FRIENDSHIP IN TOW/TOE, de Atsushi Kuwayama | Portugal, 2017, 10’08”
EXPOSIÇÃO (EXHIBIT), de Luís Azevedo | Portugal, 2018, 15′
NORLEY Y NORLEN (NORLEY AND NORLEN), de Flávio Ferreira | Portugal / Cuba / Espanha, 2017, 8′

 

Exposições

30 de Julho: “Pedra e Pele”, João Gigante | Portugal, 2018

Na consciência de uma procura pela narrativa plural, o projecto apresentado baseia-se num conceito de relação directa e imersiva entre as pessoas e o território, o quotidiano: pedra e pele. Enquanto autor, num primeiro contacto com aquilo que abordo, é necessária uma clareza sobre o que pode ser uma construção imagética. A origem, o desmantelamento de uma realidade, em mutação, em reorganização constante. Parada do Monte é um lugar onde os socalcos se apoderam da forma de estar, onde os caminhos são uma viagem discursiva pelo próprio território. Cada curva ou desnível, criam aquilo que considero um território que nos consome, que deixa em aberto aquilo que pode ser o foco de uma narrativa sequencial, de uma narrativa imagética.

 

05 de Agosto: “Anna Magnani”, por Anna Magnani | Exposição comissariada por Bernard Despomadères

A exposição ANNA MAGNANI constitui uma homenagem àquela que foi uma das presenças mais extraordinárias da História do Cinema. Poucas actrizes (ou atores) terão marcado o ecrã de uma forma tão intensa e única e gerado uma admiração tão consensual e apaixonada. A sua extensa filmografia, com alguns dos realizadores mais determinantes na já referida história (De Sica, Rossellini, Visconti, Pasolini, Cukor ou Renoir), oferece-nos não só personagens intensíssimas e inesquecíveis, mas sobretudo revela um modo de fazer cinema: justo, verdadeiro, generoso.

30 de Julho: “Cá e Lá, Nosotros”, Sandra Teixeira | Portugal, 2018

“Cá e Lá, Nosotros”

Este projeto foi o resultado de uma Residência Artística realizada em Melgaço, em agosto de 2017, cujo tema foi Identidade, Memória e Fronteira. A realização destas imagens acompanhou a tomada de consciência da existência do outro lado da fronteira enquanto expressão de uma dualidade. Na fronteira, há um jogo entre aproximação e distanciamento que transparece, ao mesmo tempo que a fronteira espacial transpõe a fronteira temporal e se entrega às suas contradições.

 

30 de Julho: “Impermanência, ou, da Memória da Vida de Brandeiro”, Luís Miguel Portela | Portugal, 2018

Na freguesia da Gave a impermanência sempre foi uma constante. Muito antes da imigração já a transumância empurrava para longe a sua gente, que subia cada verão a montanha até às suas brandas para lá morar, cultivar, pastar o gado. Entretanto tudo mudou. A estrada fez o caminho mais fácil e a transumância desnecessária. Os últimos brandeiros ainda sobem o rebanho, mas são tão só uma memória, a da vida dura que hoje se celebra em festa a cada ano na Branda da Aveleira. É essa memória que este projecto visa retratar.

 

30 de Julho: “Fôlego”, Ana Luísa Martins | Portugal, 2018

Um projecto que nasce na travessia. Partindo de uma vontade do autor de entender (sentir) a fronteira, este projecto fotográfico e performático, desenvolve-se num reconhecimento através da travessia do Rio Minho, fronteira Portugal – Espanha, a nado. Sendo o corpo e o fôlego do autor os seus instrumentos. O perigo e o medo do rio, como um conjunto de forças que nos levam.

 

05 de Agosto: “Quem Somos os que Aqui Estamos? Em trânsito”

“Está tudo disperso, uns para um lado, outros para o outro… desde a Austrália, à França, na América, nos Estados Unidos, em Andorra, na Suíça… o pessoal dispersou-se. A maior parte andámos todos juntos na escola, muito deste pessoal andou comigo na escola, e depois aos 18, 17, 16 anos, cada qual foi à vida. Uns por um lado, outros pelo outro”.

A forte emigração de gente do concelho de Melgaço na segunda metade do século XX deixou marcas permanentes. Aqueles que ficaram, ou para cá voltaram, obrigam-nos a repensar o que entendemos por cultura local, ou pertença a uma terra. Aqui, o local e o global confundem-se, já que é dificílimo encontrar alguém cujo sentido de identidade e pertença não esteja de uma forma ou de outra relacionado com pessoas, e lugares, que estão longe.

“Quem Somos os que Aqui Estamos? Em trânsito”

As histórias de cada pessoa são por isso histórias em trânsito, entre diferentes localidades e línguas. Em Melgaço, o local é também cosmopolita: nem o ser daqui significa estar cá, nem o estar cá implica cá ficar. Se alguma permanência se pode decifrar nos herdeiros destes movimentos migratórios, ela é encontrada neste estado de pertença partilhada entre diferentes terras. Ser “destas” aldeias é então também olhar constantemente para fora. As pessoas que permanecem, convivem com esta presença-ausência. Os ‘seus’ dispersam, pelo país e pelo mundo. Alguns retornam, regularmente, reafirmando o seu lugar; outros perdem-se, encontrando novos poisos e identificações. Inversamente, os que cá estão também visitam os ‘seus’, levando consigo os limites da aldeia.

Identidades em movimento, veiculadas em relações de amizade e família, transbordando os limites da geografia convencional e desafiando radicações culturais estanques. A exposição QUEM SOMOS OS QUE AQUI ESTAMOS – em trânsito procura reflectir esta desconstrução das fronteiras e identidades. Ela é resultante da recolha de fotografias pessoais entre habitantes da União de Freguesias de Parada do Monte e Cubalhão. Desta recolha, foram escolhidas cerca de 60 fotografias entre o antigo (década de 1950) e o recente, permitindo uma viagem entre o cá e o lá, o tradicional e o inovador, o ontem e o hoje.

 

01 de Agosto: A descida do rio Níger

Tudo começou em 1946. Jean Rouch partiu com os seus dois amigos Jean Sauvy e Pierre Ponty para fazer uma descida do rio Níger de canoa desde a nascente até ao Golfo da Guiné, ao longo de mais de 4200 quilómetros. A viagem durou cerca de nove meses e Rouch filmou as paisagens, a savana, o rio, os povos … O cineasta etnólogo nunca deixou de se maravilhar com os meandros deste rio complexo e misterioso que exerceu nele um verdadeiro fascínio.

Rouch leva-nos numa viagem ao centro dos mistérios dos povos da bacia do Níger. Aos aldeões mágicos da aldeia de Wanzerbe, aos pescadores Sorko do Médio Níger, aos Songhay e o culto à água, ou aos Dogons, no Mali, que celebram o culto dos mortos e comemoram a invenção da palavra. Sociedades sobre as quais vai trazer, através de uma centena de filmes e milhares de fotografias, um olhar distanciado mas profundo e respeitador das suas identidades culturais e étnicas.

 

II Kino Meeting: Encontro sobre literacia para o cinema

O cinema é uma ferramenta importante que nos abre uma porta para vermos o nosso mundo e para compreendermos melhor o mundo dos outros, real e imaginado. Enquanto instituições de Cinema com interesse na educação para as imagens entendemos que é nossa missão preparar os mais jovens para ver cinema criticamente, para pensarem as imagens, aprenderem com elas e usá-las proficuamente.

O 2º Kino Meeting: encontro internacional de literacia de cinema reúne pelo segundo ano consecutivo no festival internacional de documentário de Melgaço – Filmes do Homem – instituições educativas de cinema, oriundas de Portugal e de outros países Europa, durante os dias 2 e 3 de Agosto. O encontro pretende ser um espaço de partilha de experiências e de reflexão sobre a importância da literacia visual das imagens em movimento. Pretende-se também fomentar o debate, troca de ideias e pensar formas de trabalhar os temas do festival – identidade, fronteira, memória – no âmbito dos serviços educativos das instituições participantes.

O encontro conta com a participação activa de serviços educativos das seguintes instituições: Deutsche Kinemathek (Alemanha), Filmoteca de Catalunya (Espanha), AO NORTE (Portugal), Mucho (+) que Cine (Espanha), Kinodvor (Eslovénia), Cinanima (Portugal), Cineclube de Faro (Portugal) e Casa Museu de Vilar (Portugal). Durante o segundo dia do encontro (3 de Agosto) será promovido um workshop de cinema de animação com o realizador e animador Abi Feijó, destinado a entidades e profissionais de serviços educativos e professores com interesse na dinamização de atividades de cinema com os seus alunos. A participação é gratuita mas sujeita a inscrição prévia.