Termas de Melgaço prestes a entrar em funcionamento após “intervenção profunda” nos equipamentos

Praticamente um ano após o início da concessão ao Grupo Pinto da Costa & Carriço, as Termas de Melgaço entrarão em “pleno” funcionamento ainda no período alto desta época balnear.

A promessa da nova gerência, à altura da apresentação da sua estratégia, era manter o balneário termal aberto todo o ano, mas com o “privilégio” de dinamizar e gerar negócio com um espaço natural de referência vieram também alguns dissabores, como nota a CEO do grupo, Carina Pinto da Costa.

“Procedemos a uma avaliação técnica especializada, que ditou uma intervenção profunda nos equipamentos da estância. Temos, até então, trabalhado na requalificação de todos os aparelhos de tratamento para que as Termas de Melgaço voltem a oferecer tratamentos médicos”, explicou.

Apesar de não haver data ‘oficial’ para o arranque da época termal, as estâncias procuram iniciar as campanhas de relançamento após o Inverno durante a Primavera, entre Abril e Maio. Por cá, o processo foi mais “moroso”, mas com a garantia de voltar sem constrangimentos.

“Queremos que as Termas reabram o quanto antes, mas queremos que estejam em pleno funcionamento para que possam servir todos, por isso o processo tem sido tão moroso. Neste momento estamos a terminar a intervenção e encontramo-nos em fase de testes. Tudo o que estamos a fazer serve, e fará, com que a piscina hidrodinâmica e os tratamentos termais comecem a funcionar em pleno”, assegura Carina Pinto da Costa.

As mudanças ocorrem em várias frentes. Além do balneário, também o parque de estacionamento e de lazer da estância estão a ser intervencionados, assim como a florestação natural. “O Parque está a ser alvo de duas grandes intervenções: Requalificação arbórea do espaço e beneficiação de locais que se encontram debilitados, como o estacionamento e as comportas, e do campo de minigolfe, que dará lugar a um espaço equipado para o treino físico exterior”. 

 

Vagas de trabalho sem resposta

Empresa procura especialistas para tratamentos e funcionários para o bar e até já alargou a procura à Galiza

 

Enquanto único espaço para o efeito, o Bar de apoio ao balneário tem experimentado abrir a tempo parcial, procurando cativar o público de fim-de-semana que visita a estância, mas as dificuldades na contratação de colaboradores para abrir a tempo inteiro tem adiado também aqui a entrada em funcionamento pleno deste serviço.

“Temos enfrentado um problema no que respeita à contratação, mas se no futuro conseguirmos ultrapassar esta questão e a procura o justificar, teremos o Bar em pleno funcionamento. É um espaço de substancial interesse, que responde às necessidades de quem nos visita, um complemento ao relaxamento na estância. Temos procurado dinamizar a oferta respondendo às necessidades dos turistas e dos melgacenses, mas sempre apostando nos produtos de Melgaço”, indicou a CEO do Grupo.

As dificuldades de recrutamento estendem-se também às funções mais especializadas, nomeadamente de técnicos massagistas, termalistas, dermatologistas e ortopedistas, obrigando ao alargamento da área de procura de especialistas. “Estamos a estabelecer contactos com diversas entidades de ensino e outros, a nível nacional e também na Galiza, mas tem sido um processo difícil”, revelou Carina Pinto da Costa.

Diabetes, digestões lentas, reumatismos, psoríase…

Saiba que novos tratamentos podem aproveitar as potencialidades destas águas termais

           

Dr Luís Cardoso de Oliveira Foto: Idealmed/DR

Com a recuperação dos equipamentos do balneário e o seu funcionamento sem constrangimentos surgem novos tratamentos que se propõe rentabilizar as potencialidades das águas das Termas de Melgaço.

Para nos esclarecer das novas propostas e fundamentação médica para os tratamentos, colocamos três questões ao Doutor Luís Cardoso de Oliveira, Director Clínico das Termas, que traça um plano de usos que promete atrair utentes com inúmeros diagnósticos, além da diabetes, sem que o circuito termal perca a sua vertente lúdica e sem prescrição médica.

 

Estão previstos novos tratamentos ou terapias, para além dos que os equipamentos e salas de apoio ofereciam até ao momento?

Estão previstos tratamentos na área das doenças respiratórias, com a aquisição de equipamento para a realização de aerossóis. Esta nova técnica permitirá atender com mais eficácia os clientes portadores de rinite, rinossinusite, asma brônquica e bronquite. Com o aproveitamento dos arranjos exteriores, será possível, a organização de classes de ginástica respiratória para as crianças com problemas respiratórios. No circuito termal, em horas programadas e desde que se justifique, poder-se-ão criar classes de hidroginástica para pessoas com raquialgias, doenças da coluna ou doenças respiratórias.

O circuito termal da piscina servirá essencialmente como apoio aos tratamentos, ou pode ser utilizado sem qualquer prescrição ou acompanhamento clínico pelo utente comum?

Em determinados períodos, bem definidos, poderá ser utilizado como equipamento para tratamentos de hidrobalneoterapia, sob prescrição médica e controlo de fisioterapeuta ou técnico de balneoterapia. Fora desses períodos pode ser utilizado sem prescrição, segundo o regulamento próprio e responsabilidade individual.

As propriedades destas águas, cuja bandeira promocional assenta nas potencialidades no combate à diabetes através da ingestão controlada, poderão ser potência noutro tipo de tratamento?

Como águas gasocarbónicas bicarbonatadas, sódicas e magnesianas, têm o seu expoente no tratamento da diabetes do tipo 2.
Como as duas outras águas engarrafadas do mesmo tipo que existem no mercado, a sua acção não se esgota aqui. São extremamente digestivas, um auxílio precioso no alívio da hiperacidez, das digestões lentas, dos excessos alimentares e da obstipação. Esta última, pela acção que têm a nível da vesícula biliar e do fígado. E poderão desempenhar um papel importante na prevenção do risco cardiovascular. Estas afirmações são fundamentadas em estudos médico-hidrológicos e em investigação experimental, distinguida no Congresso Mundial de Hidrologia Médica em 2008, no Porto.
As doenças respiratórias encontram nas águas bicarbonatadas um meio de eleição para combater, quer a vertente infecciosa de umas, quer a componente alérgica e inflamatória de outras, como a rinite, rinossinusite, asma, DPOC, bronquite crónica, bronquiectasia e enfisema.
As doenças reumáticas e músculo-esqueléticas, na aplicação externa, em banhos de imersão, duches/massagem e na utilização interna, em hidropinia (ingestão), em determinadas situações reumatismais, em particular as gotosas, encontram um bom alívio com estas águas.
O aspecto esfoliante e calmante das destas águas, pela sua riqueza em bicarbonato e cálcio, atribuem-lhe uma potencialidade a explorar no domínio da dermatologia, psoríase e da cosmética. 

João Martinho
(texto publicado na edição impressa do jornal “A Voz de Melgaço” de Julho 2018)

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