Agência Mira renova-se e estreia serviços de vanguarda para quem está longe e quer continuar a cuidar dos seus

Manuel Mira e Fátima Mira, importantes continuadores de um negócio que já está associado à família desde 1850, preparam-se para os desafios de uma série de serviços que tem de estar em constante adaptação para cativar novos públicos.

Hoje, o serviço funerário não tem de ter toda aquela moldura solene e sombria tradicionalmente associada, e a Agência Mira, que concentra mais do que um serviço  – funerária, arte fúnebre e florista – quis mostrar que o recato ou tristeza que estão na origem da procura de alguns dos seus serviços não tem de ser agravada no momento do primeiro contacto com a agência.

Com a nova geração da família a dar sinais de interesse em fazer parte de significativas mudanças, Mira transforma-se numa marca – afinal, há quase 170 anos que o nome da família se estabeleceu como referência em Melgaço –  e inaugura um luminoso e amplo espaço na Rua do Rio do Porto, no centro da vila melgacense.

Nicolau e Catarina Mira, filhos e outrora pontuais colaboradores do negócio, assumem agora um papel de maior destaque e trazem com eles a modernidade que muitos dos novos utilizadores deste serviço não dispensam.  Atentos “às novas formas de comunicar o produto”, que como vimos, não se limita ao serviço funerário, o novo espaço de atendimento subdivide-se em três salas e pontos de atendimento para que os serviços ganhassem o seu devido contexto, como explicou Nicolau Mira.

“Temos atendimento ao público, exposição (de arte fúnebre) e florista. Quisemos independentizar cada um dos serviços, porque também temos flores para casamentos, baptizados e outras festas, tínhamos que fazer essa distinção”.

Os temos eram outros quando o fundador deste serviço em Melgaço, José Barbosa Martins – assim como o seu filho, Nicolau Barbosa Martins e posteriormente a esposa deste, Aurora dos Anjos Martins – idealizou o serviço funerário para o concelho.

Alvaredo era a sede e base de trabalho. Fátima Mira faz parte da quarta geração da família a trabalhar neste negócio, mas recorda-se do profissionalismo do seu “tio-pai” que, apesar de ter falecido cedo, aos 51 anos de idade, “o serviço era bastante reconhecido”.

“A partir do momento em que ele tomava conta, o cliente já não se preocupava com nada. Organizava tudo, desde o velório até ao cemitério. No velório, as casas eram todas adornadas com os panos pretos e na igreja, quando era um funeral rico, a ornamentação era diferente”, recorda Fátima Mira.

Mais remoto parecerá a muitos o que foi um passado recente, quando nos falam do esquife – que só o nome já merecia uma explicação – um género de maca em que se levava o defunto até perto do buraco e, aí chegado, “era despejado assim para a terra”. Sem qualquer caixa ou caixão. Noutro tempo surge o hábito dos caixões “feitos à medida”, o que implicava um carpinteiro sempre pronto para estes imprevistos, embora simples tábuas pregadas. Só mais tarde, “já noutra geração, quem forrava os caixões era a minha tia”, conta Fátima Mira.

É com toda esta história presente que a agência Mira percebe que o mercado lutuoso continua a mudar. E a mudança teve que ser mais do que uma reorganização do espaço físico. Depois de Alvaredo e da Rua Dr Afonso Costa, o local privilegiado do amplo piso na Rua do Rio do Porto, com 200 metros quadrados para exposição e venda, não é o único onde os serviços e montra de opções da agência podem ser solicitados.

“Tínhamos uma pessoa praticamente a fazer tudo, que era o meu pai [Manuel Mira]. Desde o contacto com o cliente até ao serviço final”, observou Nicolau Mira que, apesar do esforço que representa para a sua vida pessoal, pretende inovar e dar um apoio mais próximo ao negócio.

As plataformas tecnológicas são um auxílio à nova valência do serviço, pois a internet, além de ser um rápido veículo para participações de funeral ou missas, é também um aliado nas campanhas mais imediatas. O serviço de tratamento de campas, que a agência disponibiliza, permitem a qualquer potencial cliente, mesmo estando em França, nos Estados Unidos ou aqui ao pé, aceder ao site (mmira.pt) e escolher de entre as propostas apresentadas em que dia quer que limpem ou ponham flores na campa do ente falecido. “Chegamos ao mundo digital. Dantes tínhamos que andar a espalhar os anúncios dos falecimentos porta a porta e agora, com o Facebook, em meia hora já há dezenas de partilhas”, observou Nicolau Mira.

O novo site da agência servirá também para um serviço mais atento a quem, mesmo longe, queira mandar uma mensagem formal aos enlutados.

“O Memorial é a nossa primeira novidade digital. A participação de falecimento permite que as pessoas possam deixar uma homenagem escrita. Essa homenagem será depois impressa na mesma folha que é escrita manualmente no funeral, no livro de condolências. Assim a pessoa que escreve a mensagem [no site, não na partilha de Facebook] sabe que vai ser entregue”, explica ainda.

Ainda nesta plataforma, o utilizador pode activar notificações para ser alertado para a missa do 7º Dia ou de homenagem à pessoa falecida.

Também a escolha de flores e o envio pode ser algo mais personalizável: Se pretender enviar flores, poderá escolher o tipo de evento ou acontecimento, tipo de flores, colocar dedicatória e escolher o layout do cartão. No fim da compra ou solicitação de serviço, o pagamento poderá também ser feito por via online, garantindo no imediato o compromisso do serviço com a agência.

No entanto, uma das grandes propostas da agência Mira é o serviço de manutenção de campas, resolvendo desde já o problema de quem está distante mas quer que “a última morada” dos seus não perca a dignidade. “É direccionado para as pessoas que estejam emigradas ou não consigam fazer o trabalho. Nós lavamos a sepultura, substituímos as flores e colocamos velas. Esse serviço tem várias periodicidades, desde semanal, até trimestral, ou semestral, temos três planos”, destacou o responsável pela estratégia.

João Martinho
[texto publicado na edição de 01 de Novembro do jornal “A Voz de Melgaço”]