Destaques da edição de 01 de Novembro | Investimentos em “fim de linha”

Já que o tempo está a pedir recolhimento, e antes de passarmos aos destaques deste mês do jornal “A Voz de Melgaço”, partilhemos uma breve reflexão sobre Melgaço, berço de muitos, casa de outros.

É quase consensual que o concelho melgacense tem trunfos qualitativos, de vida e de produtos endógenos, capazes de ombrear com as melhores localidades europeias. É um postal, tingido de verde e de pedra, sublinhado por um rio que lhe humedece os pés e mantém a frescura que se sente nos vinhos e em tudo o que cria, e é uma bênção nos verões cada vez mais inclementes dos últimos anos.

Por outro lado, a geografia e o traçado administrativo que há quase 900 anos determinou onde começava e acabava Portugal deixou-nos também naquele início (ou fim) de linha que o instinto de vida em grupo foi tornando cada vez menos atractivo para trabalhar. Para quem investe, estar mais ou menos 20 quilómetros de uma auto-estrada é determinante; estar num centro populacional, onde a cada anúncio de emprego há vinte ou trinta respostas, ou num meio onde as propostas ficam sem resposta, é determinante para quem quer investir.

Por isso, cada proposta de investimento em Melgaço deve ser seriamente considerada pelas entidades e/ou associações determinantes na implementação deste negócio ou serviço. Porque ninguém investe de ânimo leve muito do seu tempo, capital e empenho num sector que não entenda como próspero e fomentador da actividade social e económica do meio onde se pretende inserir.

As condições de implementação de um negócio não devem ser mais exigentes em Melgaço do que em Monção, Arcos de Valdevez ou Valença, quando o concelho tem primeiro de rebater o entendimento dos seus (alto-minhotos) que, mesmo estando a menos de 45 minutos de qualquer recanto do distrito, consideram que Melgaço “é longe”.

Para rematar o assunto em tom ligeiro – e para não lhe deixar o café que está a tomar na Transmontana ou na Broa de Mel com um sabor azedo – Os fundos europeus deviam até contemplar uma pequena parcela da verba que atribui aos projectos para contratar um serviço de pequeno-almoço, a entregar na cama dos investidores neste território. Quem investe aqui deve ser mimado, porque a competição pelo desenvolvimento empresarial tecnológico e social dos territórios de baixa densidade já começou e convém que todos entremos na corrida ao mesmo tempo.

 

DESTAQUES DA EDIÇÃO DE 01 DE NOVEMBRO

Nos assuntos do mês, destacamos a grande entrevista ao provedor da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, Jorge Ribeiro, no momento em que está prestes a terminar o seu mandato e submete a sua equipa para os próximos quatro anos à votação dos Irmãos.

Diz-nos que salvou a instituição solidária de uma dívida de 750 mil euros com juros quase incomportáveis que terão levado a anterior gestão a ponderar a entrega de alguns bens imobiliários, como o Solar e Quinta de Eiró, para conseguir terminar e pôr a funcionar o novo lar (hoje “Cantinho dos Avós”). Mas há mais revelações, merece a atenção.

O ensino superior chegou a Melgaço em 2011, e desde lá melhorou as condições de ensino e a sua implementação na comunidade. A Escola Superior de Desporto e Lazer abriu o ano lectivo 2018/2019 com cerca de 350 alunos e a tendência, face ao reconhecimento que a escola e os seus técnicos tem conquistado dentro do meio desportivo, pela investigação e discussão que tem promovido, é para aumentar.

Essa tendência poderá estar a apanhar de surpresa o mercado de arrendamento local. Face a alguma falta de resposta, a autarquia está a ponderar “fazer investimento” no sector, para tornar a oferta mais equilibrada para os estudantes da ESDL. A seguir com atenção.

 

Melgaço vai ser o anfitrião do Monção e Melgaço Granfondo em 2019. Depois do sucesso da edição deste ano, que teve partida e chegada em Monção, com passagem por alguns dos pontos turísticos do concelho melgacense, a continuidade da prova está garantida.

O facto de ser já a segunda maior prova de cicloturismo do país, atrás do Douro Granfondo, é já meia campanha para que o interesse dos grandes da modalidade seja maior e esta possa ser uma referencia nacional.

 

Também na área do desporto, automóvel, ainda este mês, Melgaço receberá a grande final do Campeonato de Portugal de Drift (CPD) e tem o melgacense Paulo Nunes a encabeçar a categoria Semi-Pro. Tudo indica que o teremos no pódio. Há que torcer por ele, sem receio de o distrair, porque parece que ele já está habituado a multidões…

O Bar da Alameda, um dos estabelecimentos de referência do concelho, abriu ao público após uma renovação total, mas o espírito ‘café-del-mar/sunset-party’ está a sofrer com os rigores do inverno. O vento ou mesmo as chuvas da estação baixa inutilizam a vasta esplanada que era vantagem no Verão, tornando apenas área útil aquela que está protegida por vidro. Apesar de continuar a ser um espaço luminoso e agradável para as tardes, torna-se limitado para o negócio, assume Bruno Gonçalves. Há solução de Inverno para o estabelecimento?

 

A Real Confraria do Vinho Alvarinho realizou em Melgaço, na Fonte Principal das Termas, o seu XII Capítulo de entronizações, e há entre eles alguns melgacenses. O autarca, Manoel Batista, assume que esta foi a cerimónia “mais estruturada” e com maior impacto da confraria, marcada também por entronizados emblemáticos.

 

Mélita é a pintora da Gave que toda a gente conhece, numa casa onde há também licores que adoçam o gosto a todas as gerações. Pinta em tela e em telhas, mas a criatividade não tem limites, por isso esperemos para ver… Se ainda não se cruzou com ela, fique com esta pequena referência.

Vânia Dantas, proprietária do restaurante Mini Zip, planeia mudar o estabelecimento para um conceito diferente, no monte de Prado, mas antes faz um sentido reconhecimento ao motivador deste projecto e da sua vida: O pai. Por isso, antes da mudança, reconheçamos a vontade e trabalho da empresária

 

Nunca o medo tinha juntado tanta gente na noite de Melgaço. Ficou assim o título, e diz-se que foi mesmo verdade. Ninguém teve medo “genuíno”, obviamente, também porque, com a grande adesão popular que se registou, o receio maior era que chovesse… A Noite dos Medos parece que veio para ficar… e fazer as gerações saírem à noite, nem que tamanho encontro festivo se verifique apenas uma vez por ano…

 

Especialistas reuniram em Melgaço para discutir vantagens do Ozono. Antonino Gomes, médico-dentista e um dos entusiastas desta terapia, diz que este é o “o medicamento do século” e que só não é mais popular porque “não interessa” à industria farmacêutica, mais focada para vender comprimidos do que para discutir soluções alternativas… Saiba que aplicações pode ter a ozonoterapia na sua vida.

 

Por último, uma nota a um texto cuja pré-visualização já disponibilizamos online: Há cada vez mais turistas a escolher Melgaço como destino, e até de proveniências menos comuns, como Israel e Rússia. Contudo, é o vinho que ainda figura como uma das nossas principais bandeiras: O Solar do Alvarinho é dos espaços mais visitados. Aproveitemos o potencial!

Boas leituras!