Bombeiros de Melgaço assumem “corte radical” com ANPC “até que o Governo consagre em Lei as legítimas reivindicações dos Bombeiros”

Os Bombeiros Voluntários de Melgaço manifestaram hoje (10 de Dezembro), em comunicado, a sua concordância com a decisão da Liga dos Bombeiros Portugueses, presidida por Jaime Marta Soares, que anunciou no sábado (8 de Dezembro), “abandonar de imediato” a estrutura da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).

O “corte radical” – conforme noticiou no próprio dia o diário digital Observador – foi anunciado no final de uma reunião realizada no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, em forma de protesto “contra os diplomas sobre as estruturas de comando aprovados pelo Governo”.

Na sua tomada de posição, os Bombeiros de Melgaço “assumem as responsabilidades das decisões tomadas em Santarém”, mas garantem que “o apoio à população de Melgaço não esteve nem nunca estará em causa”.

“Deixamos de reportar as comunicações de ocorrências à ANPC”, enumera o comunicado, avançando também que a instituição não integrará o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) em 2019.

 

 

“Faltaremos a todas as cerimónias oficiais em que estejam presentes membros do Governo e/ou membros da ANPC”, referem ainda, assegurando que “todas estas medidas serão mantidas até que o Governo reflicta e consagre em Lei as legítimas reivindicações dos Bombeiros”.

 

 

A indignação das corporações de Bombeiros contra as propostas aprovadas pelo Governo a 25 de Outubro na área da protecção civil, com a maior contestação centrada nas alterações à lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergências e Proteção Civil, é esmagadora e coloca as associações humanitárias em confronto com o governo central.

No comunicado do Gabinete de Comando dos Bombeiros melgacenses, a missiva esclarece que “os Bombeiros voluntários reclamam uma Direcção Nacional de Bombeiros autónoma, independente e com orçamento próprio, um Comando autónomo de bombeiros” e ainda “o cartão social do bombeiro”.

 

Aos melgacenses, o comando garante que “a sua segurança continuará a ser assegurada com os mesmos níveis de prontidão, eficiência e socorro, mas articulando-se agora os vários corpos de bombeiros entre si, de resto como sempre o fizeram no passado”.

Em caso de dúvidas ou melhor esclarecimento sobre esta matéria, “a população poderá dirigir-se ao quartel de Bombeiros Voluntários de Melgaço e procurar o Comandante e/ou o Presidente para estes os poderem esclarecer”, indica o comunicado.

João Martinho