“Falta de ética e intolerável má educação”: Saiba o que diz a Moção de Repúdio e Censura apresentada pelo PS na última Assembleia Municipal

Proposta do grupo parlamentar do Partido Socialista foi aprovada por unanimidade

 

O voto dos deputados presentes na Assembleia Municipal de 7 de Dezembro foi unânime na aceitação ao documento. Nele, o grupo socialista critica o teor da entrevista dada pelos directores executivos do Grupo Pinto da Costa & Carriço a este jornal, considerando que naquele texto “são feitas afirmações graves, culpabilizando autarquia, autarcas, antigos concessionários e tecendo considerações menos abonatórias sobre os melgacenses”.

A mesma moção critica o facto de os entrevistados terem “disparado em todas as direcções”, inclusive na responsabilidade do executivo municipal, quando foi este órgão, como indica a exposição dos socialistas, “que conseguiu, por um lado, chegar a um acordo com o dito proprietário no sentido retirar as Termas de Melgaço do processo de degradação contínua em que se encontrava – o que não foi nada fácil – e, por outro lado, que conseguiu os meios necessários para que as Termas de Melgaço recuperassem todo o seu esplendor”.

“A Câmara Municipal de Melgaço tudo tem feito no sentido de apoiar o projecto Termas de Melgaço”, defende a Moção.

“Não parece que seja uma entrevista como esta, revelando falta de ética e roçando uma intolerável má educação que venha ajudar os referidos empresários a conseguir parcerias”, considera ainda o grupo parlamentar do PS.

 

 Leia abaixo a Moção de repúdio e censura aprovada na última AM:


MOÇÃO DE REPÚDIO E CENSURA

 

Considerando:

– Que as Termas de Melgaço foram, são e serão um ativo do património de Melgaço único e de valor incalculável, o qual deve ser aproveitado em benefício da nossa terra; 

– Que se trata de um património propriedade de privados, no caso a VMPS – Águas e Turismo, S.A., que depois do período áureo das Termas em Portugal ficou votado ao abandono por opções de estratégia empresarial;

– Que foi um Executivo Municipal que conseguiu, por um lado, chegar a um acordo com o dito proprietário no sentido retirar as Termas de Melgaço do processo de degradação contínua em que se encontrava – o que não foi nada fácil – e, por outro lado, que conseguiu os meios necessários para que as Termas de Melgaço recuperassem todo o seu esplendor;

– Que a Câmara Municipal de Melgaço tudo tem feito no sentido de apoiar o projeto Termas de Melgaço;

– O teor da entrevista aos representantes do Grupo Pinto da Costa & Carriço, Lda. publicada online pelo Jornal “A Voz de Melgaço”, no passado dia 3 de dezembro; 

Propomos que:

A Assembleia Municipal de Melgaço aprove um Voto de Repúdio e Censura, em relação à entrevista, concedida ao Jornal “A Voz de Melgaço”, pelos Diretores Executivos do Grupo Pinto da Costa & Carriço Lda, Carina Pinto da Costa e Ricardo Ferreira, difundida através da página do facebook do referido órgão de comunicação social.

Na referida entrevista são feitas afirmações graves, culpabilizando autarquia, autarcas, antigos concessionários e tecendo considerações menos abonatórias sobre os melgacenses, culpabilizando-os até pelo insucesso do empreendimento já que em seu entender deveriam ser eles os principais utentes.

Os entrevistados “disparam” em todas as direções, lamentando-se das condições encontradas e vitimizando-se com a falta e deterioração de equipamentos, para justificar o insucesso empresarial, chegando ao cúmulo de até insinuar a falta de “milhares de equipamentos”.

Não podemos aceitar este tipo de ataque aos Executivos Municipais e/ou aos Técnicos ao serviço da Câmara Municipal de Melgaço em relação à correção e profissionalismo como foi conduzido o processo de recuperação do Balneário Termal.

As declarações dos “ditos empresários” roçam também a obscenidade quando se referem em termos impróprios e ofensivos a um autarca (vereador da Câmara Municipal) a quem devem respeito e consideração pois foi democraticamente eleito pela população melgacense.

No discurso dos visados não se encontra uma única vez, infelizmente, a preocupação em aludir às atividades que tenham realizado ou que projetem realizar, no sentido de dinamizar o Parque Termal e assim captar clientes não só de Melgaço, mas sobretudo de outras localidades, o que, em nosso entender deveria ser o objetivo principal.

Sabemos das dificuldades de pôr em marcha um empreendimento com estas características, mas não acreditando em “varinhas de condão” não será, concerteza, com entrevistas deste teor, sem humildade, sem estratégia de futuro e sem horizontes temporais que se conseguirá definitivamente alavancar o projeto termal.

Restará aos aludidos, com mais serenidade, com maior espírito empreendedor e menos economicista, ter um rebate de consciência e retratar-se, perante a autarquia, as pessoas ofendidas e principalmente perante o povo de Melgaço.

Não parece que seja uma entrevista como esta, revelando falta de ética e roçando uma intolerável má educação que venha ajudar os referidos empresários a conseguir parcerias e relação com as pessoas da Terra, conforme desejo expresso na mesma.

O Grupo Parlamentar do PS