Melgaço volta a queimar o Boneco do Ano Velho no alto de Castro Laboreiro

No dia 30 de Dezembro, Castro Laboreiro volta a convidar para mais um encontro de culturas e de gerações, em jeito de despedida de 2018.

A partir das 23 horas, em ambiente de grande folia, o povo sai à rua e despede-se do Ano Velho num momento único, onde reinará a boa disposição, a animação, muitas surpresas e malvadezes da ‘Meiga [bruxa] Mariluche’.

A tradicional queimada galega e os sons celtas, muito assentes nas tradicionais gaitas de foles, serão trazidos para este evento, relembrando assim tempos idos, na esperança de um ano melhor queima-se a figura do pai velho e deixam-se votos de um excelente 2018.

O evento tem concentração junto ao posto de turismo e da igreja, no centro de Castro Laboreiro.

“Vamos espantar a noite e o frio, com sonoridades de outrora muito ligadas à proximidade com a vizinha Galiza. As gaitas de foles marcarão presença nas ruas de Castro Laboreiro e contaremos também com algumas surpresas e animação ao longo de todo o percurso, onde o bom humor surpreenderá os participantes”, adianta Sónia Nogueira, responsável pela organização do evento.

 

O grupo musical ‘Os Rampeiros’ protagonizará um momento de música ao vivo. “O grupo distingue-se pela popularidade e musicalidade do seu reportório, que nos transportará para tempos ancestrais, fazendo emergir a vontade de deixar o corpo acompanhar os ritmos, entregando-se ao baile e à folia a que nos transportam as gaitas de foles», revela ainda Sónia Nogueira.

O ponto alto do evento culmina com a Queima do Boneco do Ano Velho, num misto de simbolismo e animação, onde será encenada a despedida de 2018.

A acção visa animar Castro Laboreiro e abre a possibilidade, gratuita, a todos os que se queiram juntar à festa. Um dos objetivos é «dar a conhecer os locais que compõem o Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), incentivando à cooperação entre diferentes stakeholders, num esforço conjunto de promoção do turismo da região, ao mesmo tempo que são divulgadas as tradições e culturas da região», explica Sónia Nogueira, sublinhando que “recuperar tradições e rituais de tempos remotos, incentivando à participação, quer de turistas quer de gentes da terra, revela-se cada vez mais importante no sentido de não deixarmos perder hábitos e costumes que são, afinal, os pilares da nossa cultura popular. O potencial turístico associado a este tipo de iniciativas é enorme, tal tem vindo a ser visível pela evolução que o turismo tem vindo a ter no nosso país”.

A organização é da JUST NATUR – Events & Experiences in Nature, uma empresa de animação turística dedicada a tours, eventos e experiências na natureza especializada no PNPG, e tem o apoio da Câmara Municipal de Melgaço e da União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro.

PROGRAMA

23h00 – Concentração junto ao posto de turismo de Castro Laboreiro
– Início do cortejo de rua com gaitas de foles e animação de rua
– Queima do Boneco do Ano Velho
– Queimada Galega, com música e baile

 

Queima do Ano Velho

CASTRO LABOREIRO está localizada em Melgaço, no planalto de Castro Laboreiro, numa extensa área dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, distando vinte e cinco quilómetros da sede do concelho.

É uma das localidades mais emblemáticas do PNPG. Possui um dos mais ricos patrimónios pré-históricos do país, que reúne gravuras e pinturas rupestres, 120 Dólmenes (datados de há 5000 anos) e Cistas (monumentos megalíticos funerários).

A aldeia possui um património histórico e arquitetónico de grande riqueza, destacando-se um tipo próprio de construções castrejas existentes em Castro Laboreiro: o Castelo de Castro Laboreiro – classificado como monumento nacional; a Igreja Matriz de Castro Laboreiro; o Pelourinho de Castro Laboreiro, datado do século XVI, classificado como imóvel de interesse público; igrejas medievais; os fornos comunitários; os espigueiros; e os moinhos.

Localizada no cimo da montanha, a mais de mil metros de altitude, levou a que os castrejos defendessem os seus costumes, e tradições de todas as influências estranhas, e que ainda hoje persistem. Uma dessas tradições é a das inverneiras e das brandas. Em meados de Dezembro, com a chegada do frio e dos nevões, as populações de Castro Laboreiro pegam nas suas roupas, utensílios caseiros e de lavoura e ‘tangendo o gado, migram em massa para os vales, onde possuem uma segunda casa e uma segunda aldeia.’ (Rocha, 1993, p. 127). E ficam nas Inverneiras, abrigadas do frio, até meados de março.

No Núcleo Museológico de Castro Laboreiro é possível conhecer os hábitos, costumes e tradições das gentes da terra. Terra das ‘viúvas dos vivos’, nome a que os seus habitantes davam às mulheres cujos maridos, filhos e netos emigravam em busca de condições de vida melhores.

É uma região de grande beleza, serpenteada pelo rio Laboreiro, que é atravessado por inúmeras pontes representativas das épocas romana ou medieval, das quais sobressaem a Ponte da Dorna, a Ponte da Capela, a Ponte Nova ou da Cava Velha e a Ponte Velha.

Castro Laboreiro é também conhecido pelo seu fumeiro e enchidos, confecionados de forma tradicional, por mãos hábeis e com o saber de anos e anos. O guardião desta localidade é o Cão de Castro Laboreiro, defendendo o gado do grande predador, o Lobo Ibérico, conhecido pela sua rusticidade, caráter e nobreza desde tempos idos.

Recorde-se que Castro Laboreiro foi finalista nas 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias e foi distinguida com o Prémio 5 estrelas, na categoria ‘Aldeias e Vilas’, no âmbito do concurso ‘Portugal Cinco Estrelas’ 2018.