PSD reage à entrevista da empresa gestora das Termas de Melgaço: “Não passa de miúdos incompetentes, sem formação e sem educação”

A indignação após a entrevista dada pelos directores executivos do Grupo Pinto da Costa & Carriço, Lda – empresa gestora das Termas de Melgaço desde 2017, quando integrou a parceria na empresa municipal Cura Aquae – ao jornal “A Voz de Melgaço” (que pode ler AQUI) fez-se sentir e o teor das declarações proferidas foi um dos temas da Assembleia Municipal do último dia 7 de Dezembro.

Na sessão foi aprovado por unanimidade um “voto de repúdio ao teor da entrevista”, no entanto, os deputados municipais da coligação “Prá Frente Melgaço” pedem ainda, em comunicado enviado hoje (9 de Dezembro) à imprensa, que “as acusações de fraude sejam investigadas” e o grupo gestor do complexo termal de Melgaço seja “afastado” da parceria.

“Há denúncias de fraude e acusações graves, às quais exigiremos respostas adequadas. E há responsabilidades que têm que ser assumidas”, refere o PSD local no comunicado que transcrevemos abaixo.

 

Comunicado

Em 30 de junho do ano passado, na reunião da Assembleia Municipal, já em pleno período de pré-campanha para as eleições autárquicas, o Presidente da Câmara Manoel Batista, apresentou aquilo que pretendia fazer passar como uma grande notícia para o concelho de Melgaço: “encontramos um grande grupo, com grande experiência empresarial na área da saúde e da hotelaria, que vai repensar e reestruturar o funcionamento das Termas”.

De imediato, e como é óbvio, os deputados da oposição perguntaram quem era esse grupo, ao que Manoel Batista de recusava a responder, alegando que não se podia dizer tudo, que o segredo era a alma do negócio.

Os deputados insistiram, afirmando que estávamos perante o órgão máximo do município, que tínhamos direito a saber quem era o grupo, quais eram os seus investimentos e experiência na área da saúde e do turismo, qual era o seu volume de negócios, quantos funcionários tinha. Depois de muita insistência e da intervenção do presidente da Assembleia, apelando a Manoel Batista para que respondesse às questões apresentadas, o Presidente da Câmara acabou por confessar que “não se lembrava do nome do grupo e que não tinha bem presente a restante informação”.

Para nós ficou bem claro, naquele momento, que se tratava de uma aposta irresponsável, imponderada, com o único propósito de apresentar uma bandeira para a campanha eleitoral que se aproximava.

Quando, depois da reunião, conseguimos a informação acerca do suposto grupo, percebemos que se tratava de uma sociedade por quotas, Pinto da Costa e Carriço Lda, constituída dias antes, portanto sem qualquer experiência ou atividade, com um capital social de 50.000€, cujos sócios eram dois jovens desconhecidos. Portanto, nada de grande grupo, nada de experiência. E ficou também claro o porquê de Manoel Batista não responder às questões levantadas. Não havia volume de negócios, porque a empresa ainda nem tinha atividade, não havia número de empregados porque a empresa não tinha empregados, não havia unidades de saúde ou hoteleiras, não havia nada.

Mas a coisa foi útil a Manoel Batista, foi alimentando as redes sociais do município e da sua campanha (que se confundem) com permanentes notícias acerca do grande grupo e dos seus CEOs (sim, porque grandes grupos não tem gerentes ou responsáveis, tem CEOs).

Recorrentemente líamos e eram partilhadas, em especial pela máquina de campanha de Manoel Batista, notícias daqueles jovens desconhecidos, dizendo que iam ajudar os Bombeiros, que iam fazer inúmeros investimentos, que iam alavancar Melgaço.

Rapidamente toda a população de Melgaço percebeu que esta conveniente sintonia das notícias lançadas sobre Pinto da Costa e Carriço Lda e a candidatura de Manoel Batista, era meticulosamente trabalhada pela empresa de comunicação que gere a imagem da Câmara, de Manoel Batista e … da empresa Pinto da Costa e Carriço!

Estivemos sempre, acima de tudo, perante um trabalhar de notícias e de imagem, que pouco tinham de sustentável, de ligação à verdade e, inevitavelmente, um dia o castelo de cartas viria abaixo.

E, como não podia deixar de ser, aconteceu. E da pior forma. A empresa Pinto da Costa e Carriço, sócia da Câmara na Cura Aquae, deu uma entrevista à Voz de Melgaço, onde ataca e acusa a Câmara Municipal, ataca os agentes políticos melgacenses, ataca e acusa a empresa Casais, ataca e chama medíocre à população de Melgaço, faz acusações e denúncias de fraude gravíssimas.

Na última reunião da Assembleia Municipal, ocorrida a sete de dezembro, o Partido Socialista e Manoel Batista tentaram abafar o assunto, com um voto de repúdio ao teor da entrevista, a qual nós votamos favoravelmente, mas não chega. É, aliás, muito pouco.

Há denúncias de fraude e acusações graves, às quais exigiremos respostas adequadas. E há responsabilidades que tem que ser assumidas.

É para nós claro que esta gente não tem condições para continuar como sócia do município de Melgaço. Os melgacenses não querem continuar a ser enganados e maltratados por gente que não passa de miúdos incompetentes, sem formação, sem educação.

Exigiremos que as acusações de fraude sejam investigadas, que aquela empresa seja imediatamente afastada da gestão das Termas e que se inicie de imediato o procedimento necessário para encontrar um novo parceiro.

Brevemente emitiremos novo comunicado.

Os deputados municipais da “Coligação Prá Frente Melgaço”