Destaques do Mês || Edição de 01 de Janeiro

Assim sem que nos apercebamos, já estamos com 18 anos de novo milénio – sim, sei que estamos em 2019, mas o ano 2000 ainda é do fecho das contas da década de 90 – e para muitos parece que pouco mudou.

Vão desculpar-me os mais velhos, mas este que se assina não tem grandes memórias dos anos 90. Uma música, um momento da escola Primária, ou da (à altura) Preparatória, um momento da convivência em casa, um livro que li… Pouco mais. Portanto, talvez por maioridade ou por maior concretização profissional, só o novo milénio me trouxe momentos mais definidos e a ideia de que foi a partir de 2000 que tudo aconteceu.

Ainda continuamos a olhar para o passado e a dar-lhe razão pela assertividade com que ele (o ‘passado’) resolveu as coisas. Talvez porque na prática pouco mudou. O Salário Mínimo Nacional subiu apenas cerca de 30 contos (ou 150 euros); continuamos a instalar saneamento básico e abastecimento de água à população, ou a reivindica-lo, em alguns casos; continuamos a discutir posses, quando já sabemos que 1% da população ficou com 80% da riqueza mundial. Por isso, andamos aqui a medir quintais, quando já sabemos que só seremos os maiores da nossa rua quando a economia mundial ‘quiser’.

Mas andamos todos com a ideia de que hoje tudo acontece a um ritmo muito mais alucinante porque medimos a pulsação ao mundo através de um telemóvel ligado permanentemente às redes sociais, onde meia hora é fundamental para determinar se um assunto é actualidade ou lixo digital.

Ainda assim – e porque às vezes precisamos de um ‘banho’ de humildade para recentrarmos os nossos objectivos – esperamos todos que 2019 seja determinante para muitos dos leitores deste jornal e que não é por estarmos cá em cima, no nosso cantinho do país, que não podemos ser o centro da Europa e quiçá do mundo. E conta-lo online! (tinha que ficar a provocação).

Destaques do mês:

Na abertura da Festa do Espumante de Melgaço, no final de Novembro de 2018, o presidente da Câmara Municipal de Melgaço mandou alguns recados para o Secretário de Estado da Defesa do Consumidor, João Torres – convidado a estar presente na abertura do evento – entregar lá em baixo ao Governo.

Variante à EN 2012

Manoel Batista quer que a os cerca de 7 milhões de euros previstos para intervenção na estrada de Valença a São Gregório, em 2020, sejam investidos na recuperação integral da estrada e não na “lógica terceiro-mundista” adoptada pela empresa na recente intervenção realizada em secções do pavimento.

Depois da publicação de uma parte do texto online, no site do jornal “A Voz de Melgaço” (em www.vozdemelgaco.pt) lançamos agora na edição impressa o texto completo da entrevista com os gestores executivos do Grupo Pinto da Costa & Carriço Lda, Carina Pinto da Costa e Ricardo Ferreira. Diziam-nos, após o fecho no final da época alta, que a despesa mensal acima dos 30 mil euros inviabiliza o funcionamento das Termas de Melgaço em época baixa.

O teor das declarações do parceiro privado da Cura Aquae desde 2017 não foi recebido da melhor forma pelas entidades e população melgacense e o assunto chegou mesmo a ser discutido em Assembleia Municipal. Nesta edição levanta-se o véu sobre o que aí poderá vir, mas poderá haver esclarecimentos que conformem ambas as partes.

Em Dezembro realizaram-se dois eventos que são já tradição em terras melgacenses: Castro Laboreiro renovou a tradição da Queima do Ano Velho e chamou à serra centenas de curiosos, no dia 30. O evento tem traços pitorescos e com uma mística especial que faz todo o sentido no alto castrejo.

Cá em baixo, mais junto à ‘ribeira’, em Penso realizou-se a Alumiada a São Tomé. A origem do acto perde-se, com contornos de lenda, no passado da Freguesia, mas a cada 20 de Dezembro se levantam as ‘fachuqueiras’ em fogo para guiar os passos ao santo. Assim se perpetue por muitos anos.

Alimiada a São Tomé Foto: Célia Marques

Passando em perspectiva algumas iniciativas de 2018, recordamos o Pegada Zero. A iniciativa trouxe mais uma vez a Melgaço os influenciadores de referência nacional e mostrou que “estamos no caminho certo”. E que o concelho se transforme na nova ‘trend’ turística… Mas moderado.

Já que falamos de turismo, falemos de filmes, que são também um género de cartão-de-visita dos locais onde gravam (outrora filmavam, porque se usava filme/película). O Mini Zip é o anfitrião gastronómico de Melgaço no filme “Angola Momentos Kodak”, e com ele promove-se tudo o resto.

Se tudo correr como o previsto, salvaguardou o realizador, o filme estreará no final de 2019. Curiosamente, pela mesma altura em que o Mini Zip tem planeada a mudança para o novo espaço. Vai ser um fim de ano em grande para aquele espaço de restauração local.

 

Estamos também em tempo de ‘deitar um olho’ ao apoio social. Muitas vezes visto como um sector rentável, nem sempre é um mar de rosas para algumas associações. Por cá, temos o exemplo do Centro de Apoio ao Doente Oncológico, que está em risco de não poder acompanhar utentes por carência de fundos. Veja porque é que esta causa, que presta apoio a pessoas que sofrem com a doença do século (esperemos que este século a resolva também) passa por dificuldades e de que forma as instituições e empresas locais a podem ajudar.

 

Há 185 produtores sediados no Parque Nacional Peneda-Gerês que trabalham com saber o sabor genuíno do melhor da região, mas ninguém sabe o que fazer no momento de fazer chegar o produto ao consumidor. Há ambição para vender e felizmente há mercado para o comprar, mas falta quem saiba intermediar estas vontades de forma eficaz e valorizadora para ambas as partes.

O projecto RevitAgri, que está a tentar mostrar aos produtores que há outras soluções, identifica casos de falta de associativismo e “ilegalidades” involuntárias de quem apenas quer produzir no PNPG. Nem tudo é fácil, quando se vive numa área especialmente protegida.

A Associação de Pesca Lúdica e Desportiva de Melgaço (APLDM) realizou em 2018 o seu primeiro almoço convívio de sócios mas, depois da festa, mãos à obra e pulso de ferro para enfrentar os assuntos que incomodam o sector.

O presidente da Direcção fala-nos da inútil protecção das maternidades de peixe existentes no Rio Minho, uma delas em Cevide, e da proibição da pesca da enguia adulta, que alegadamente apenas interessa mais aos pescadores de Caminha e Cerveira.

Festa do Espumante 2018 Foto: CM Melgaço

Nos eventos desportivos de 2018, abordamos um dos últimos do ano, o Campeonato de Portugal de Drift que teve dois melgacenses no pódio na mais concorrida das provas do CPD. A 5ª prova teve Melgaço como cenário e ultrapassou as 80 000 visualizações online. Um interesse assinalável por este desporto motorizado.

 

Outro dos grandes eventos, mas relativamente a uma das imagens de marca do concelho, a Festa do Espumante 2018 assinalou novos máximos e redobrado interesse do público: No dia da abertura, Manoel Batista dizia que a região ultrapassou “bairrismos bacocos” e que a convergência de António Barbosa foi “crucial” para uma “estratégia mais alargada” de promoção.

 

Na rubrica “Viagens Nesta Nossa Terra”, Valter Alves recorda-nos a excelência do Presunto de Melgaço ao longo dos tempos, que já “há cerca de 500 anos o pre­sunto de Melgaço já fazia parte dos tributos a pagar ao rei D. Manuel I”.

A comprová-lo existe o foral manue­lino de 3 de Novembro de 1513, indicando “o rei e seus sucessores deviam receber por ca­sais reguengos dispersos pelas fre­guesias de Rouças e Chaviães três presuntos por ano”. Um texto que merece a nossa atenção (e o presunto também).

 

“Há um Movimento solidário que não precisa de dinheiro para poder ajudar em 36 concelhos do país”. Odete Costa, fundadora e presidente do Movimento Lírio Azul, esteve em Melgaço a propósito de uma iniciativa solidária da Quinta de Soalheiro e contou-nos como é que consegue ajudar e apoiar causas sem sequer ver a cor ao dinheiro. Havemos de voltar a falar das causas deste Movimento, mas para já, merece que conheçamos um pouco como funciona.

E assim fechamos esta síntese, com um exemplo de esperança.

Um Feliz Ano Novo… E boas leituras!