CTT Melgaço: Do fim anunciado ao funcionamento exemplar

Nova centralização de serviços garante “98% dos serviços”. Transferências de dinheiro ainda não são possíveis

 

Foi “de repente” e sem contarem com a proposta que Daniel Carvalho e Manuela Fernandes, gerentes da UKUBO, empresa de informática, contabilidade e mediação imobiliária, receberam a proposta para assumir os serviços do Posto dos Correios do centro da Vila de Melgaço.

Não conseguem precisar a data do primeiro contacto, mas terá sido no final do Verão, em Setembro de 2018, que o “director responsável pelos fechos”, contactou os empresários melgacenses para encontrar uma solução que atendesse à continuidade do serviço CTT no mesmo edifício e, por outro lado, à vontade de crescimento da empresa melgacense, que prevê duplicar o número de colaboradores nos próximos anos.

Foi este contacto, discreto e por telefone, uma vez que aquele responsável terá dito que “nem vinha a Melgaço porque se o vissem sabiam que era para fechar”, que obrigou os empresários a estabelecer novos objectivos e reorganizar a equipa.

O assunto foi tratado com sigilo, por ser “um tema sensível”, mas o compromisso, garantem, foi assumido por completo e assegurando todos os que estão em prática nos restantes postos, isto é, “todos os serviços, excepto os financeiros, que nem nós nem nenhum Posto pode ainda fazer”.

Assumir a operacionalização de um serviço para o qual não tinham formação – nem mesmo da equipa, que trabalha essencialmente com informática e contabilidade – implicou para os gerentes da UKUBO recrutar alguém que se dedicasse “exclusivamente” para o entendimento ao público no serviço CTT. Um cuidado que garantem ter causado boa impressão à empresa CTT.

“Somos dos poucos Postos de Correio que tem uma pessoa cem por cento dedicada a isso. Ficaram admirados, porque geralmente os Postos vendem outros serviços e os Correios são o serviço acessório. Nós fizemos ao contrário, o serviço principal naquele espaço é o dos Correios”

 

O único constrangimento, sublinham, é a política proteccionista dos CTT, da qual dependem até para colocar um segundo trabalhador para o serviço dos correios. “Mesmo querendo dar uma maior resposta às pessoas e criar um segundo posto de trabalho, não podemos decidir por nós apenas, são os CTT que tem de dizer se podemos ou não”.

O “sistema fechado” dedicado à operação do serviço CTT não passou sem alguns percalços, e alguma despesa acrescida para a UKUBO. “Houve facturas que o sistema que estava lá perdeu e tivemos de ser nós que pagá-las. Os clientes não têm culpa”.

Apesar da experiência prática da UKUBO na área informática, qualquer problema com os computadores ou o “sistema fechado” dos CTT tem de ser resolvido por técnicos “de Lisboa”, destacados por aquela empresa especificamente para este serviço.

Daniel Carvalho recorda a este propósito “um problema de arranque”, no início deste processo. “Estive até às cinco da manhã com eles a tentar resolver um problema, e não conseguimos. Estivemos três dias com os serviços em baixo porque o sistema operativo, as linhas telefónicas, é tudo deles. A única coisa que é nosso, além da responsabilidade em prestar o serviço, é o recurso humano que lá temos”.

 

A melgacense Patrícia Pereira foi o recurso contratado “de imediato”, assim que os empresários tiveram conhecimento dos procedimentos e preparação necessária. Já com formação para o serviço dos Correios, a nova funcionária é, para já, o rosto mais visível da nova extensão da empresa melgacense, que já tem planeada a introdução de outros serviços para o mesmo espaço.

“Quando surgiu esta oportunidade soubemos logo qual era a pessoa que devíamos chamar, que se mostrou logo disponível, por isso o processo foi mais fácil. Só temos a agradecer à Patrícia, que também está a formar as pessoas que colocamos, que são da área da contabilidade, para quando era quiser ir de férias termos lá alguém”.

 

Mais serviços e horário alargado

Prestes a começar com novos serviços, Daniel Carvalho diz que é tempo de reestruturar a equipa e o (novo) espaço uma vez que a empresa está com “um problema de crescimento”.

“Recrutamos mais um informático e já não tenho sala para trabalhar. Somos vinte, vamos ser vinte e um em breve e ter mais três pessoas em estágio. Mas queremos que nos próximos três anos duplique, portanto precisamos de espaço”, conta Daniel Carvalho.

Assim, ainda com o edifício a ser desenhado para as múltiplas funcionalidades que pretendem implementar, os empresários garantem que o novo Espaço Cidadão albergará o Posto CTT, mas também serviços na área da contabilidade, informática, contratos de electricidade “e outros ainda em negociação”.

Mas a readaptação e redimensionamento do espaço implicou com alguns “muros”, uma vez que a área da distribuição continua a ser “cem por cento” dos CTT, no qual os novos concessionários não podem intervir. “Apenas ficamos responsáveis pelo balcão. Fizeram um muro entre o balcão e o espaço da distribuição. Está tudo isolado, não se passa de um lado para o outro. E só começamos o trabalho quando fizeram as obras e vedaram essas áreas”, notam.

 Contudo, a concentração de serviços e o horário alargado promete ser uma vantagem para a comunidade. “Se uma pessoa vier pagar impostos, por exemplo, e tiver dúvidas, há uma pessoa de contabilidade que pode ajudar. De outra maneira não tinham. Ou até para preencher um formulário, os Correios não tinham ninguém para ajudar. Neste momento, a Patrícia pode tentar ajudar, mas se não puder, há lá sempre outra pessoa que pode esclarecer. A nível de serviço as pessoas estão melhores, disso não tenho dúvidas”, garante Daniel Carvalho.

Também o horário alargado, que apenas aguardava validação por parte dos CTT, estenderá por mais tempo o atendimento ao público. Depois de iniciar com o horário 9-12h/14-19h, o serviço considerou os períodos de maior utilização do serviço e readaptou o horário de funcionamento diário entre as 9h e as 12h30 e das 14h até às 18h30, suprimindo apenas meia hora no final do dia. Ainda assim, com mais meia hora em relação ao funcionamento anterior do serviço CTT, que era até às 17h30.

 

Melgaço com melhores condições para empresas que trabalhem com “fibra”

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João Martinho

Leia a notícia na integra na próxima edição do jornal “A Voz de Melgaço”