Uma sentida e emocionada homenagem a Maria Ernestina Sousa no dia do seu 80º aniversário

Ainda se aguardava que Maria Ernestina Sousa, a aniversariante, chegasse à festa surpresa de comemoração dos seus 80 anos, mas já havia emoção e gratidão para com a homenageada.

No dia 2 de Fevereiro, juntaram-se mais de 40 convivas em nervoso miudinho pela expectativa do que a surpresa causaria, e embora o número de pessoas pudesse fazer lembrar a Maria Ernestina as festas de casa de outrora, desta vez a festa familiar teve como espaço de convívio um restaurante local, reservado para o efeito e decorado com algumas fotografias da família (algumas com mais de 60 anos) que foram uma verdadeira máquina de tempo para as memórias de quem viveu o momento e a vida de que a imagem encerra.

O mais novo dos dez irmãos, Humberto Sousa, com 67 anos de idade, recorda com saudade a mesa grande (porventura também farta) nas ceias de Natal, em volta da qual se juntavam filhos, noras, genros e netos. “Éramos uns trinta ou quarenta a comer lá em casa. E cabíamos todos, mas também era uma mesa grande”, reforça.

Mas a família era grande, por isso, mesmo não faltando o essencial, Humberto Sousa frisa que o regime era outro e algumas práticas comuns de hoje, eram “luxos” raros com que só poderia imaginar por festas. “Não se comiam bolos! Só no Natal ou na Páscoa. E muitas vezes, à noite, só comíamos a sopa. A minha mãe cozia todas as semanas pão de broa. Nunca nos faltou pão, mas o trigo ou a carne, só ao domingo”.

Foi neste contexto social, num tempo em que “tocava ao meio-dia a hora na torre e à noite outra vez” e toda a família tinha de estar sentada à mesa para comer, que Maria Ernestina cresceu e onde voltaria mais tarde, já depois de casar, por ter enviuvado após 13 anos de casamento.

Humberto Sousa teria “14 ou 15 anos” quando a irmã saiu da casa paterna para viver a sua vida conjugal, mas é sobre o seu regresso a casa que fala com voz embargada pela emoção e que reforça a necessidade de que esta homenagem a Maria Ernestina fosse feita. “Fico muito contente, porque ela merece. A mim ajudou-me muito. Fiquei viúvo e ela é que me ajudou a criar os meus filhos. Depois ainda ajudou os netos e continua a ajudar, merece tudo isto”.

E a reunião da família e organização do evento de homenagem não se fez de ânimo leve. Rita e Liliana Fernandes, netas de Maria Ernestina, congeminavam já desde o Verão de 2018 a ideia de fazer algo em grande para o aniversário da avó e no último mês, passaram ao trabalho prático.

Rita Fernandes | Maria Ernestina Sousa | Liliana Fernandes

 

“Em Dezembro começamos a organizar mais a sério, e foi tudo num mês que fizemos tudo. No início de Janeiro preparamos os convites, para saber quem poderia estar. Aos que não podiam estar, fizemos umas gravações em vídeo, com mensagens de felicitações feitas por essas pessoas. Tentamos manter o segredo até ao dia e conseguimos, para que [a surpresa] fosse em grande. A nossa avó merece. Ficou emocionada, mas acho que está feliz e como não estava mesmo à espera, valeu muito a pena. Ela merecia isto e muito mais”, sublinhou Rita Fernandes.

E de facto resultou. De lágrimas de emoção a cada cumprimento, Maria Ernestina quis falar com todos, mas entre fotos e abraços, ainda nos falou da terra que teve sempre como casa-mãe e que ainda visita a cada mês, mesmo estando a viver em Viana do Castelo, com uma filha, há nove anos.

Além de ter assumido parte da responsabilidade de “tomar conta dos filhos” de dois dos irmãos que enviuvaram cedo, Maria Ernestina recorda ainda a ‘agenda’ difícil que tinha enquanto elemento de uma família numerosa. “Trabalhei muito, tinha o meu ordenado. Fui funcionária da Câmara, mas cresci a ter de me levantar cedo, ia trabalhar às seis horas da manhã e tinha de estar às dez da manhã em casa, para fazer a comida para o pessoal todo, porque éramos catorze ou quinze pessoas para comer”.

Foto de família. Uma recordação com mais de meio século

Da família com quem cresceu, foi criada e com os que ajudou a criar, guarda as melhores impressões, que se cimentaram com a massiva presença de muitos dos seus elementos.

“Éramos e somos ainda todos muito unidos, tanto é que estão aqui quase todos, faltam os que estão fora e um [imão] que faleceu. Julguei que era só as minhas netas e os meus filhos. Chego aqui e vejo esta gente toda, fiquei muito feliz”, confessa Maria Ernestina.

E sobre as imagens do passado que viu em foto? “Tenho boas memórias de todas elas”, reconhece.

Felizes 80!

João Martinho