Carlos Almeida leva Melgaço em imagens para todo o mundo através das redes sociais

Comunidade emigrante vibra com as suas melhores perspectivas e “brincadeiras” da sua terra natal

 

Carlos Almeida, de 63 anos de idade, é o autor de muitas das imagens que despertam o saudosismo e orgulho de quem, estando longe ou perto, tem Melgaço enquanto terra natal.

As partilhas que faz na sua página pessoal do Facebook, ou mesmo na página do grupo Amigos das Caminhadas, de que é administrador, na mesma rede social, são aclamadas pela esmagadora maioria dos seguidores de ambos os perfis, e isso tem motivado o fotógrafo amador a publicar com frequência as suas perspectivas do património melgacense.

Começou há cerca de quatro anos “a fazer uns trabalhos” e a aperfeiçoar a técnica, mas já há quase vinte e cinco anos que anda de máquina à tiracolo, sempre pronto para captar o melhor frame daquilo que vê. Mas não de tudo, se puder escolher.

“Não gosto de fotografar pessoas. Gosto de agarrar na máquina e ir pelo monte fora, tirar fotos à natureza. Ao rio, aos pássaros, às flores. O retrato… só a pedido”, confessa Carlos Almeida.

Confesso entusiasta do digital, assume não guardar especial apego ao processo de outros tempos, em que as surpresas após revelação podiam não ser sempre positivas, mas invariavelmente pagas. “Antigamente, para revelarmos uma fotografia tínhamos que revelar o rolo todo e pagar as fotos todas, estando bem ou mal. No digital, tira-se uma fotografia e se tiver ficado mal, apaga-se na hora e acabou”.

A universalização dos equipamentos digitais e dos sofwares de apoio são um plus para Carlos Almeida, que admite perder algumas horas a “brincar” com as imagens, realçando cores ou outros pequenos apontamentos que causem impacto nos admiradores das suas incursões fotográficas.

Talvez por isso, já aprendeu a reconhecer os truques de imagem quando se quer vender um determinado destino, embora nem sempre a campanha saia gorada. “Já me aconteceu ir aos locais e ter uma decepção e noutros casos fiquei positivamente impressionado, mas geralmente nas fotos de destinos, sempre que se vê uma foto muito bonita, está tudo trabalhado”.

Com mais ou menos ‘artifícios’ nas imagens, são sobretudo as comunidades emigrantes que mais pedem “postais” da sua terra. “Os emigrantes estão sempre a solicitar-me fotos, para lembrar Melgaço, muitos mesmo. Há muitos que eu não conheço, mas no Verão abordam-me e perguntam: “Você é que é o Almeida das fotografias?” Fazem-me uma festa! Ficaram a conhecer-me pela fotografia”, recorda.

Sobre a possibilidade de um dia montar uma exposição com as melhores imagens, admite não excluir essa hipótese, se reunidas as condições para que a mostra enalteça com qualidade o território que homenageia.

“Se calhar até gostava de fazer. Teria de seleccionar e imprimir em papel ou em tela, com qualidade. Tenho fotografias que me orgulho muito de ter, porque estão bonitas. Outras tiro por tirar, mas algumas gosto muito delas”.

João Martinho
(texto publicado na edição impressa do jornal “A Voz de Melgaço”)

Igreja do Mosteiro de Fiães (Melgaço) Foto: Carlos Almeida