Comércio local: “Aqui não há descontos de 70%, mas privilegiamos a exclusividade”

“Associação [Empresarial] devia estar mais presente, abordar os comerciantes”


 

“Épocas altas, agora não há”, confessa Sophia Araújo, gerente da loja de pronto-a-vestir Herdeiros, no centro da vila de Melgaço.

 

Os hábitos de consumo ainda vão cumprindo parte da tradição, permitindo “vender um bocadinho mais no Verão e no Natal”, mas a gerente garante que é com a cliente fidelizado, que cativa durante o ano, que equilibra o negócio. “Não é com os saldos nem com os clientes no Verão”.

A vontade de escolher as marcas mais populares e com a mobilidade que nos coloca “a um passo de Vigo ou de Viana”, torna desigual a competitividade de preço. “Nós, no pequeno comércio, não conseguimos descontos de 70%. 50 ou 60% e já é muito bom”, observou.

Com um stock estimado em mais de 400 peças, Sophia Araújo diz que dificilmente uma cliente – a loja é exclusivamente de roupa feminina – se cruzará com alguém com a mesma roupa, se comprada em Melgaço. “Tentamos ter exclusividade nas peças, para que quem compre saiba que vai ter um modelo que mais ninguém vai ter”.

Sophia Araújo reconhece que as dinâmicas que trazem movimento às ruas “são boas”, mas devem ser mais divulgadas e envolver a associação empresarial local com aqueles que mais directamente dependem deste projecto associativo.

“Acho que os comerciantes ou empresários não se importariam de pagar uma quota, ou apoiar de outra forma, mas era importante que alguém fizesse algo, criasse impacto. Devia haver uma maior presença da Associação, abordar os comerciantes e estar mais próxima deles. Até ao momento, ainda ninguém veio falar connosco”, referiu.

 

João Martinho