Restauração inflexível nos horários “pode prejudicar imagem do concelho”, diz Vânia Dantas

Proprietária do Mini-Zip lamenta que os colegas do sector na praça melgacense não se adaptem aos hábitos dos novos turistas 


 

Com os indicadores relativos ao sector do turismo a registarem a tendência crescente na procura de Melgaço para visitar e experimentar, há alguns alertas um dos agentes locais do sector da restauração quer deixar, para que a campanha estratégica de promoção da excelência do turismo local não perca ‘estrelas’ no momento de sentar o visitante à mesa.

Vânia Dantas, proprietária do restaurante Mini-Zip, localizado numa das ruas mais visitadas do concelho, manifesta a sua satisfação por ser cada vez mais uma opção segura para os visitantes e turistas que querem experimentar a gastronomia melgacense, mas lamenta que outros não sejam tão disponíveis para atender as necessidades (e particularidades) dos turistas.

“Quem vem a Melgaço ao fim-de-semana, vem para comer, mas o problema para muitos turistas é mesmo comer. Porque uma pessoa que está no hotel e toma o pequeno almoço às dez horas da manhã não vai almoçar ao meio-dia, mas depois das 14 horas já é um problema porque já ninguém serve. Sei de muitas críticas, por parte dos turistas, que chegam aqui às 14h30 porque não os serviram”, explica Vânia Dantas.

A posição despreocupada dos colegas de sector, com quem partilha a praça local, está em contraciclo com a adaptação dos comerciantes às tendências de visita ou de agenda de quem procura Melgaço.

“Eu não sou a última escolha das pessoas, mas quem não conhece procura por aí e acaba por vir ao meu restaurante. É só um alerta, cada um faz a casa que quer, mas acho que quem acaba por perder e ficar mal nem são os restaurantes, é o município. Porque se não forem atendidos, ficam com má imagem do município”, observou a proprietária.

Em dias de feira, o movimento habitual soma-se ao público que visita a feira mensal e aos turistas casuais, mas Vânia Dantas garante que nunca deixou de servir os clientes, mesmo para lá do horário convencional de funcionamento da cozinha.  “Às sextas feiras às 10h30 já tenho gente à espera de entrar para comer. Claro que não sirvo às 10h30, porque faço todos os dias comida fresca, mas às onze ou onze e dez já tenho a sala cheia”.

“A minha ‘casa’ serve a qualquer hora. Abro enquanto estiver aqui, e muitas vezes, quando estou a fechar a porta, volto para trás”.

A persistência da empresária, que diz ter “projectos” que a motivam a trabalhar de forma mais vocacionada para todo o tipo de públicos – inclusive para os que chegam fora de horas – leva-a a focar-se ainda mais na mudança de espaço, para o Monte de Prado, onde poderá receber mais clientes e subir ainda mais a qualidade do espaço e da ementa. Inicialmente previsto para o final de 2019, conforme já noticiamos em edição anterior, o novo Mini-Zip poderá ter a sua inauguração para o “início de 2020”, depois de “acalmar um bocadinho as ideias”. Contudo, fica a promessa: “Lá vou trabalhar da mesma forma, sem horários específicos”.

No novo espaço, tal como neste, a ideia é nunca perder a referência da gastronomia local e onde se pode pedir “a qualquer hora”, o queijo, o presunto ou o vinho de Melgaço.

João Martinho