Aqui não paga renda! Melgaço arranca em Setembro com as lojas Pop-Up

Enquanto única localidade portuguesa integrante do projecto europeu URBACT “Re-grow City”, que tem a cidade alemã de Altena como exemplo de boas práticas de revitalização das cidades em declínio, Melgaço inaugurou, no dia 27 de Julho, o conceito e instalações daquela que é a primeira Pop-Up Shop do país.

O novo conceito arrancou naquela que será a base propulsora do projecto até à entrada em obras de remodelação (que deverá acontecer no início do próximo ano), a conhecida “loja do Sr. Hilário”, localizada numa das principais ruas do centro urbano da vila melgacense.

O modelo de funcionamento pretende “revolucionar” a dinâmica comercial, horários de funcionamento e até as ideias de negócio, onde não entram as ideias recatadas do escritório fechado nem o conformismo do “negóciozinho” das 9h às 17h.

A sessão de apresentação, animada com bombos, concertinas e actuações ao vivo, foi também de esclarecimentos por parte do grupo de trabalho e coordenação do projecto europeu, mas neste texto explicaremos em linhas gerais as características deste conceito e vantagens a considerar se pretender lançar uma marca ou ideia de negócio.

O grupo de trabalho está a finalizar algumas das normas de utilização e tem já aberto o período de inscrições para que a comunidade possa submeter o seu pedido de adesão a este modelo de ocupação dos estabelecimentos comerciais do centro urbano.

José António Lopes
Coordenador do URBACT Melgaço

Assim, se nos próximos dias lhe propuserem parceria ou sugerirem que avance com a sua ideia de negócio e que pode usufruir de uma loja no centro da vila sem ter de pagar renda, não estranhe, porque nem sempre ‘o santo’ tem de desconfiar quando ‘a esmola é grande’.

“Eu acho que as pessoas vão perceber, embora tenhamos de comunicar mais o que é a ideia do projecto”, observou o presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista.

 

Os coordenadores do projecto querem avançar já em Setembro com três lojas em funcionamento – na Rua Dr Afonso Costa e Praça da República – e com algumas das candidaturas propostas já instaladas, perspectivando, em curto prazo de tempo, ter muitos mais espaços aderentes ao conceito.

Jorge Ribeiro, membro do Grupo de Trabalho

Acautelando o eventual receio dos comerciantes já instalados na praça, o autarca explica que o comércio local “não pode sentir isto como uma forma de concorrência. Não tem nada a ver com isso, pelo contrário, a ideia é criar mais dinamismo e onde há mais dinamismo ganhamos todos”.

Para uma primeira abordagem ao comércio tradicional, a autarquia esclarece que os primeiros contactos e explicação do conceito está a ser feito pela Associação Empresarial Minho Fronteiriço, podendo os empresários já estabelecidos associar-se e serem promovidos nestas novas plataformas.

No terreno, a equipa que fará a selecção de propostas e o consequente acesso aos espaços destinados privilegiará “projectos interessantes que singrem, tragam novidade e economia, poderemos ter aqui um bom resultado”.

Se após o mês de Setembro, e no período de um ano e três meses estipulados para a duração do projecto, o sucesso da medida se efectivar, a autarquia irá equacionar “replicá-lo no final de 2020 e manter esta dinâmica de reutilização de espaços comerciais”.

Andreia Pereira e Inês Ribeiro protagonizaram alguns dos momentos musicais

Como funciona?

As Pop-Up Shops privilegiam ideias de negócio e de funcionamento que rompam com o modelo e horário tradicional. Se uma loja estiver aberta até mais tarde e venda um produto diferente ou que cative um perfil de consumidor mais moderno, as ruas da vila ganharão mais movimento e ‘ruído urbano’ que estimula a economia nos estabelecimentos em causa e por extensão aos restantes modelos tradicionais que queiram aproveitar a dinâmica.

 

Limitação de períodos de utilização por 3+3 meses

Para que haja rotatividade e as eventuais candidaturas possam ter resposta, as Pop-Up Shops podem ser utilizadas até um máximo de três meses, prorrogáveis por mais três se o empresário/vendedor tiver interesse, o conceito funcionar e o grupo de trabalho validar o interesse da proposta face à matriz do projecto. Mas há algumas condições que mudam, inclusive na renda.

 

Um começo sem despesa de renda

A vitória ou morte (do negócio) não passará certamente pela aflição de ter que arranjar volume de negócio para pagar renda. O projecto europeu quer proporcionar condições de “conforto para avançar com um negocio, que de outra forma não existe”.

“Se a ideia de negócio que o candidato apresentou ao grupo de trabalho na candidatura [há um formulário para o efeito], que apresentou Candidatura ao grupo de trabalho é boa e vem dinamizar o espírito da vila, entra por um período de três meses e não paga renda. Paga apenas os contadores da luz ou água, dos consumos que fizer. Se resultar muito bem, pede ao grupo mais três meses e nos segundo período vai pagar uma renda simbólica de 1 euro por metro quadrado. Ou seja, se a loja tiver 50 metros quadrados, paga 50 euros de renda e não a renda comercial que se pratica por aí”, explicou a este jornal José António Lopes, arquitecto, consultor da autarquia e coordenador do programa URBACT em Melgaço.

 

E se correr bem? Está pronto para experimentar uma renda comercial

Findos os dois períodos de protecção da despesa de renda, num total máximo de seis meses, o jovem empresário “está em condições de tentar uma renda comercial normal e lançar-se, já não precisa do apoio do projecto. A essa altura, quem precisa são os outros que estão na fila de espera”, observou ainda o coordenador.

Qualquer pessoa se pode candidatar

O que é que NÃO cabe neste conceito?

“O exemplo de outras cidades europeias, como Altena que é a nossa referencia, é que isto tem de ser diferente do habitual . Aquela ideia do negociozinho tradicional das 9 às 5 não cai muito neste programa”, explica José António Lopes.

Mesmo fora de qualquer avaliação, por restrições legais, estará a área da restauração e bebidas, Bar, ou animação nocturna. “Tudo o que implique legislação que é muito restritiva em Portugal, não. Porque a loja pode não ter condições para albergar esse negócio”.

Os conceitos ‘benéficos’

Quanto às ideias e formatos de negócio, “que venham os mais diferentes possíveis”.

“Vamos privilegiar horários que contrariem as horas mortas. Se for um horário das 10h da manhã às 21h30 e se está aberto ao Sábado e Domingo, melhor ainda, ganha os pontos todos”, sublinhou ainda o responsável local do URBACT.

Sobre possíveis entendimentos de concorrência com possíveis benefícios por parte do comércio tradicional, José António Lopes dá como exemplo o estímulo comercial aplicado nas grandes superfícies. “Se eu for para um centro comercial e quiser alugar lá uma loja, eu vou escolher o corredor o mais concorrido”, ressalvou.

João Martinho

Bruno Pereira, noutro dos momentos musicais do evento