‘Casas da Floresta’ ao abandono: Transferência de competências permitirá dar nova vida aos edificados a partir de 2020

O concelho de Melgaço tem actualmente cerca de duas dezenas de antigas casas do Guarda Florestal, a sua maioria abandonadas e em ruínas.

À excepção de alguns aproveitamentos, destinados a uma experiência mais “radical” de comunhão com a natureza – como é o caso da Casa Abrigo de Bico de Pássaro, em Lamas de Mouro, cuja experiência não resultou, nem em Melgaço, “nem no país” – ou outras recuperações de apoio a serviços turísticos ou equipas de agentes florestais, os restantes edificados (contamos pelo menos dezoito) tem apenas as paredes em pé como testemunho desta ocupação e vigilância do território.

Há cerca de duas décadas, a autarquia terá tido uma experiência de gestão e exploração para fins turísticos de uma destas casas da Guarda Florestal em Cavaleiro Alvo, mas a experiência, naqueles moldes, também acabaria por não resultar.

Mas esta luta contra a erosão provocada pelos elementos no património histórico poderá ter solução a médio prazo, se a autarquia e os privados com interesses no território conjugarem esforços.

O município de Melgaço, no âmbito da transferência de competências do Governo central para as autarquias que aceitou no corrente ano, vai poder mediar e facilitar o aproveitamento destes ou outros imóveis.

“Uma das competências que o município aceitou foi precisamente essa do património que não está a ser usado”, assegurou o autarca de Melgaço, Manoel Batista, notando que esta gestão local procurará “dar resposta às solicitações” das Juntas de Freguesia, comissões de baldios e associações “que precisam de uma ou outra casa para albergarem serviços”.

“Agora que assumimos esta competência, no início do próximo ano queremos perceber exactamente que património é que temos e fazer com que ele seja rentabilizado. Não faz sentido que ele fique a cair sem utilidade”, adiantou.

Dada a localização, em contexto de montanha e florestação, a autarquia considera que a sua maioria terá forte apetência para o turismo, mas prefere que seja a iniciativa privada a adquirir ou utilizar via comodato, durante cinquenta anos, as ‘casas da floresta’.

“A câmara não tem capacidade nem vocação para isso. Devem ser os privados a agarrar nesse património espalhado pelo território e fazer uso e negócio com ele. Há uma enorme procura para desse tipo de alojamento, em espaço rural”, sublinhou o edil, dando nota de um exemplo que atesta o crescente interesse dos investidores por este tipo de imóvel.

 

“Este ano, uma das casas da Guarda Florestal, na Portelinha (Castro Laboreiro) foi vendida num leilão que aconteceu em Paredes de Coura. Estavam muitos outros edifícios do distrito em leilão, mas o de Castro Laboreiro foi o mais licitado”.

Também há poucos anos, a venda de uma antiga Escola Primária, em Cousso, assinalou a vontade de reutilizar estruturas outrora ligadas aos serviços do Estado. Sobre esta posse, convirá esclarecer que, apesar de pertencerem ainda ao Estado (excepto as escolas, que são já património das autarquias há décadas), os municípios poderão ser um mediador entre os eventuais compradores ou utilizadores das casas do Guarda Florestal e o Governo para a concretização do processo.

João Martinho

(texto publicado na edição impressa de 01 de Outubro do jornal “A Voz de Melgaço”)