FIGURAS & FACTOS Nº01: Melgacenses em destaque e comunidade solidária

Neste espaço, que será tão frequente quanto as histórias que consigamos recolher ou nos façam chegar – para redacao@vozdemelgaco.pt – daremos nota figuras da vida melgacense ou naturais de Melgaço que se destacaram profissionalmente ou pelo seu trabalho em prol da comunidade; mas também de factos que merecem referência positiva ou negativa.

Para esta colectânea de figuras e factos merecedores de referência reunimos vária informação que nos foi chegando e que, tratando-se do reconhecimento ou chamada de atenção para o acontecimento, não carecia de urgência noticiosa. No entanto, após este primeiro lançamento da rubrica, faremos a cada edição deste jornal a devida menção à figura ou facto que nos faça chegar ou que durante o mês nos surja como pertinente.

 

É de Melgaço o encarregado geral da maior ponte do mundo

Ocídio Domingues

Ocídio Domingues, Engenheiro Civil, natural de Ribeiro de Cima, Castro Laboreiro, foi o encarregado geral da obra que deu forma àquela que é hoje a maior ponte do mundo.  A travessia marítima que liga Hong Kong, Zhuhai e Macau tem 55 quilómetros de extensão e estabelece novos recordes para a engenharia. Foi inaugurada em Outubro de 2018, após nove anos de construção, numa cerimónia em que esteve presente o Presidente da China, Xi Jinping, e mais 700 convidados.

Ocídio Domingues, de 47 anos, enquanto chefe das equipas da empreitada sem precedentes sobre os mares da China, estaria entre os presentes neste acto inaugural, representando a empresa francesa Bouygues Travaux Publics.

 

Os Olhares HD de Christophe Afonso

Em 2018, Christophe Afonso, filho de melgacenses, foi distinguido pelo conceituado site de fotografia Olhares como o Autor do Mês (Abril) daquela plataforma. As imagens que capta são de apurada qualidade pictórica e de riqueza de cores, o que torna cada imagem digna de contemplação demorada.

“Nasci em Paris, mas digo sempre que sou de Melgaço”, diz-nos o autodidacta no mundo da fotografia, nutricionista, licenciado pela Universidade do Porto e a exercer actividade profissional nos Laboratórios Bial.

“É na natureza que encontro os meus principais motivos para fotografar, sou assumidamente um fotógrafo de paisagem, desde o mar até à serra. É um tipo de fotografia que nos faz viajar, sonhar. A imprevisibilidade da fotografia de paisagem também torna o acto de fotografar ainda mais apaixonante pois nunca sabemos o que a natureza nos vai oferecer”, refere Christophe Afonso no texto publicado pela plataforma Olhares no mês em que destacou o melgacense, e que aqui reproduzimos em parte.

Vive na Madeira, sendo por isso nas ilhas portuguesas que recolhe muitas das imagens de nosso deleite. “Mas sempre que posso não perco a oportunidade de fotografar no continente, onde existem belíssimos locais que são visitados por fotógrafos de todo o mundo”, diz ainda.

Pode encontrar os trabalhos de Christophe Afonso em olhares.com/chrisafonso21 ou no Facebook, em: facebook.com/christopheafonsophotography.

 

Comunidade juntou-se para operar cadela e arranjar-lhe um lar para viver

A história chegou-nos através de Gina Morais e dá-nos prova de que quando a causa solidária é genuína, a população dá sem interesses.

Uma cadelinha abandonada, na estrada do Peso, com uma perna partida, estaria certamente destinada à fatalidade de um atropelamento, quando foi salva. Face ao diagnóstico, havia que operar. Mas como não há SNS para animais – apesar de o PAN querer propor algo parecido no seu programa eleitoral – teve de se pagar a factura com outros recursos.

“Fez-se um peditório pelas pessoas da Vila e todos ajudaram como puderam, só assim se pôde realizar a operação”, conta-nos Gina Morais, sublinhando a importância desta referência enquanto agradecimento “a todas as pessoas que ajudaram para a que a operação fosse um sucesso, e um muito obrigado à Ana Gonçalves, do Peso, que teve todo o trabalho de angariar o dinheiro”.

Após a cirurgia, a cadelinha foi adoptada e a recuperar já junto da nova família. Pode soar cliché e a filme de matiné de sábado, mas é o final que todos desejariam.

 

Temos hoje mais floresta do que tínhamos até ao século XIX

A destruição do mito de que até à revolução industrial, em Portugal era tudo verde e viçoso surpreendeu até o colega de painel na rubrica “E o Resto é História”, da Rádio Observador.

Discutia-se a origem histórica dos incêndios e as causas quando o historiador Rui Ramos refere que a evolução e a consciência social para a florestação da paisagem, iniciada em meados do século XIX, tornou o nosso país mais verde… Embora com as espécies erradas.

“Portugal tem mais floresta hoje do que tinha há duzentos ou trezentos anos. Nós começamos a desenvolver-nos e a ter mais floresta. Quando chegamos ao século XIX, de acordo com os estudos oficiais, quando se iniciou a arborização do país, as nossas serras eram penhascos havia muita charneca, de mato rasteiro e muitos areais. Foi precisamente por isso que na década de 60 do século XIX se iniciou um processo de arborização do país. Nós queríamos ser ricos, ter a legislação avançada e ter as florestas verdes como os países do Norte da Europa. Mas como sabíamos que não podíamos ter o mesmo tipo de árvores, fomos escolher umas que crescessem mais rapidamente e nos permitissem ter florestas mais depressa. Daí os pinheiros e o eucalipto”, atirou Rui Ramos.

O jornalista João Miguel Tavares, que acompanha o historiador nesta rubrica de rádio, pergunta-lhe, face às catástrofes dos incêndios dos últimos anos nas manchas florestais dessas espécies, se estamos hoje a pagar por uma “estupidez do século XIX”.

“Estamos a pagar algo que parecia uma boa ideia, não para toda a gente”. Os discordantes desta política de florestação eram, como avança Rui Ramos, as populações rurais das zonas de montanha, que usavam as serras para pastoreio e que o regime florestal em implementação vinha limitar.

Hoje, volvidos menos de dois séculos desde o início da campanha de florestação (mais ou menos cuidada) do território, estamos afincadamente decididos em conquistar a paisagem portuguesa anterior ao fascínio pelos países nórdicos.

Só falta mesmo aplicar as penas que se aplicavam noutros tempos, como refere ainda o historiador Rui Ramos. “No tempo das ordenações Manuelinas (século XVI), os incendiários arriscavam açoites em público e degredo para África”. Uma vez que ir para África já não implicam degredo, restam-nos os açoites em público aos incendiários.

Fiães

 

João Martinho