Humberto Coelho, o padre-bombeiro que quis assegurar que mais ninguém lhe havia de morrer nas mãos

Tudo começou um dia quando estava num “con­vívio e uma pessoa caiu para o lado, inconsciente. Um homem na casa dos 50 anos”.

“Eu, como tenho o curso de suporte básico de vida (SBV), iniciei imediatamente as manobras de reanimação e mandei chamar o 112. Mas o socorro diferenciado estava longe e não foi possível salvá-lo”. A partir desse dia, este padre-bombeiro quis assegurar que mais ninguém lhe havia de morrer nas mãos por falta de meios de socorro.

Capelão nos Bombeiros Voluntários de Carrazeda de Ansiães, presta socorro nos Bombeiros de Miran­dela. Salvar vidas e salvar almas está-lhe no sangue. E, às vezes, as duas vertentes confundem-se. O padre Humberto já teve de parar uma missa, para dar lugar ao bombeiro Humberto e socorrer um paroquiano dia­bético que desmaiou na igreja.

Humberto Coelho tem 42 anos e já cumpriu dois dos três sonhos de criança. O primeiro era ser padre – já o é, desde 2004, depois de se ter formado em Te­ologia, na Universidade Católica Portuguesa. O segundo era ser bombeiro, o que conseguiu há quatro anos, depois de ter feito a formação no Corpo de Bombeiros Voluntários de Carrazeda de Ansiães. Hoje é bombeiro operacional, Tripulante de Ambulância de Socorro, nos Bombeiros Voluntários de Mirandela.

Só lhe falta cum­prir o terceiro sonho, o de ser maquinista de comboios. “mas até agora ainda não tive a sorte de alguém me deixar conduzir um”, confessa a rir.

O padre Humberto comprou, do próprio bolso, um Desfibrilhador Automático Externo (DAE) e passou a andar com ele no carro. “Só tínhamos um desfibril­hador nos bombeiros. A nossa população é maioritariamente idosa. Eu circulo pelo concelho todo na minha atividade de sacerdote e estou muitas vezes em grandes ajuntamentos de pessoas. Por isso, resolvi adquirir um DAE e tê-lo no carro.”

“Vivemos numa zona em que para se chegar a qualquer aldeia levamos entre 20 a 25 minutos e numa situação destas o tempo que conta e que salva é o imediato e quando saímos para uma situação destas o intervalo de tempo é mínimo, o que não nos dá uma grande margem de sucesso”, argumentou Humberto Coelho.

 

Texto publicado na edição impressa de Dezembro de 2019 do jornal “A Voz de Melgaço”