Iniciou a época! Nem César resistia à lampreia do Rio Minho

De Caminha a Melgaço, o Alto Minho sai do Inverno com degustações das mais diversas formas de preparar a Lampreia, o ciclóstomo amado por uns, preterido por outros (pela intensidade do sabor) que no Rio Minho ganha características bastante apreciadas, até por incontornáveis figuras históricas.

A iniciativa “Lampreia do Rio Minho – Um Prato de Excelência”, promovida pela ADRIMINHO e os seis municípios do Vale do Minho (Melgaço, Monção, Valença, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha) iniciou a 15 de Janeiro e prolonga-se até 15 de Abril. 

Além das apresentações mais comuns, com arroz ou à bordalesa, há também novas formas de degustar o manjar com opções contemporâneas, como sushi, escabeche ou empanada.

Em Melgaço e em Arbo (Galiza), a abundância de outrora que o Rio Minho trazia até estas paragens, obrigou a aguçar o engenho na conservação da lampreia. Por isso, além de consumida fresca, a lampreia seca tornou-se prática comum e hoje referência, sendo servida como entrada em alguns restaurantes locais.

 

Do Minho para Roma: As lampreias de César

Em Arbo, a escassos quilómetros de Melgaço, o município raiano da Galiza tem no mercado da lampreia a sua segunda maior fonte de receita, a seguir ao vinho da casta alvarinha.

A importância deste ciclóstomo na história do concelho reflecte-se nos símbolos maiores da autarquia, figurando, a par da cultura do vinho, na bandeira e brasão de armas da localidade.

A história de Arabo encontra-se por diversas vezes com eventos ligados à lampreia do Rio Minho e o estatuto de “auténtico manxar” vem já desde o tempo dos romanos, que levavam a César, o Imperador, as lampreias destas águas, e eram muito apreciadas em Roma.

O Centro de Interpretación del Vino y la Lamprea, Arabo, perto do centro urbano do município galego, tem, no último de três pisos, uma atractiva e ampla sala onde o visitante pode ler em grandes painéis iluminados uma sucinta mas esclarecedora história sobre a lampreia.

No momento da festa grande da lampreia “verde” (fresca), geralmente em Abril, Arbo monta uma tenda para o evento que engloba todos os produtos típicos do concelho e todas as formas tradicionais de confeccionar a lampreia na localidade galega.