Figuras & Factos: Fevereiro 2020

 

Lucinda Rodrigues, a influencer melgacense que já chega a milhares

Lucinda Rodrigues

Lucinda Rodrigues (@lucinda.rodrigues, no instagram) nasceu ao segundo mês do ano de 1997 em França, mas é em Melgaço, onde vive actualmente, que passa para a grande nuvem informativa que é a internet as suas experiências saudáveis de vida.

Há cerca de um ano criou o site Um Cantinho Fitness, um espaço de experiências e conselhos relativos à qualidade de vida, saúde, beleza, bem-estar e fitness. Os mais conservadores (ou que ainda não conheçam a página) poderão dizer que o contexto social em que Lucinda se move não permitirá grande hype ao site, mas o contabilizador de acessos diz o contrário. As dicas da jovem geram um acesso diário de mil a dois mil visitantes e, em dia de publicações, “já chegou a atingir cerca de cinco mil”.

Sobre a missão nas plataformas digitais, Lucinda Rodrigues diz que tudo o que sugere e propõe é experimentado por si. É portanto a primeira cobaia dos conselhos saudáveis que coloca em pequenos textos, com fotos que tornam a experiencia da visita mais apelativa.

“Tem como interesse ajudar as pessoas a melhorarem os seus estilos de vida. Contém receitas saudáveis elaboradas por mim, com alimentos benéficos para o nosso organismo; exercícios de actividade física, cuidados de estética elaborados e testados em mim, pequenos desabafos e textos de motivação em que as pessoas se possam enquadrar e perceber que embora sejamos diferentes, somos todos iguais”.

Ressalva para os textos sobre alimentação e exercício: Qualquer tema abordado no blog tem a aprovação de um profissional da área.

 

Maria Pires e a frescura na voz da pop

Maria Pires

Com uma musicalidade na voz que não passa indiferente, Maria Pires também já não é uma ilustre desconhecida na comunidade melgacense. Não raras vezes, a jovem de Parada do Monte tem actuado em eventos e bares locais, em duo ou mesmo acompanhada pelos irmãos, Paulo e Luís Pires, nos instrumentos.

Tem um canal na plataforma de vídeos YouTube onde tem alguns covers de hits nacionais ou mundiais. E dá, com voz de veludo, uma fresca mas intimista camada musical às canções que ouvimos diariamente na rádio. Já cantou algumas das melhores de Carolina Deslandes, de Sam Smith, de Calum Scott e da banda (portuguesa) The Gift, cujos vídeos podemos encontrar no YouTube.

Em 2020 promete voltar a actualizar a página de partilha de vídeos, com os covers que já lhe renderam milhares de visualizações, mas promete novidades, uma vez que se tem dedicado à escrita para lançar alguns originais este ano. Ainda vai dar que falar, por isso não diga que não foi avisado deste pré-sucesso.

 

Bruno Pereira canta-nos Melgaço… e vai cantar ‘Abril’

Também conhecido por cá por cantar covers, sobretudo de artistas portugueses, Bruno Pereira saltou para o estatuto de figura pública – se quisermos considerar a vida cultural de Melgaço como um universo com ‘bolha’ própria – quando começou a cantar a sua versão, à guitarra, do tema “Recanto do Alto Minho”, musicado por Sérgio Fernandes, com letra de António Moura Alves e arranjos de Mário Monteiro.

A sua versão acústica foi ganhando expressão e em Agosto de 2019, no concerto de António Zambujo, integrado no programa “Melgaço em Festa”, conquistou um honroso momento de destaque, tocando e cantando ao lado do reconhecido artista nacional.

Zambujo acompanhou à guitarra e deu uns toques no refrão, mas foi Bruno Pereira que aguentou toda a lírica da mensagem, com a tensão de tocar ao lado de um dos seus ídolos musicais e em frente a milhares de melgacenses. Há provas disso no YouTube, com vídeo do concerto.

Bruno Pereira vai voltar a cantar para a comunidade em breve. É um dos cinco artistas convocados para ‘cantar Abril’, em que dividirá o palco com mais quatro músicos locais.

 

Valter Alves e a busca pelo rigor da história melgacense

Já todos nós, comunidade que lida com as tecnologias e a internet ou mesmo na rubrica “Viagens Nesta Nossa Terra” publicada mensalmente neste jornal, nos cruzamos com um dos textos de resenha histórica de Melgaço, compilados ou tratados pelo professor Valter Alves.

Valter Alves

Por isso, ou em papel ou em computador, no blogMelgaço, entre o Minho e a Serra, entramos em vários momentos chave da História de Melgaço, ou de passagens lenda que tornam a história de cada local tão peculiar.

Natural de S. Paio, o incansável investigador da história melgacense mostra que não há séculos que não tenham informação digna de nos enriquecer a cultura dos dias de hoje. É o autor do livro “Santa Casa da Misericórdia de Melgaço – 1517-2017: Um Compromisso no Cinco Séculos”, lançado por altura da comemoração dos 500 anos da Misericórdia melgacense, e é também um dos investigadores – a par do antropólogo Álvaro Campelo – da rigorosa tarefa que deu origem ao Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço, apresentado publicamente em Agosto de 2019.

O texto, mas sobretudo o levantamento fotográfico efectuado para que os trajes não desvirtuassem os hábitos melgacenses, tornam esta actividade – um trabalho de bastidores geralmente pouco conhecido – merecedora de reconhecimento.
Porque o rigor da História, na maior parte das vezes, não é tão ‘pop’ como as histórias de hoje.

 

Luís Domingues, homenagem à história de um homem

Luis Domingues

Quando quis a profissão e o contexto de trabalho, que conhecesse de perto Luís Domingues, o ex-emigrante, ex-contrabandista e homem de projectos a longo prazo deslumbrava-me com as histórias dos tempos do contrabando.

Era a criatividade na passagem dos produtos, quando havia que passar valores, mas sobretudo a ‘luta’ diária de um modo de vida que raramente deixava viver qualquer homem da raia um sono descansado.

E Luís Domingues conseguia contar isso com o rigor de quem o viveu, mas enriquecia-o com apontamentos de humor, porque aquele tempo, embora nos chegue hoje através de testemunhos sofridos e fotografias a preto e branco e sépia, não era tão ‘cinzento’ como nos faz pensar.

Era um tempo de homens fortes, que trabalhavam de noite, de dia e ainda arranjavam tempo para se divertir. E em Cristóval, de onde ele era natural, havia uma actividade comercial e vida social que sempre lembrou com muito orgulho do seu cantinho raiano.

Faleceu a 29 de Agosto de 2019, aos 74 anos, vítima de uma doença que lhe roubava a cada dia a memória da sua vida tão vivida e cheia de objectivos para cumprir, como se lhe quisesse tirar um dos grandes troféus pelo qual sempre lutou.

Não teve tempo para desfrutar das suas conquistas e do conforto que sempre quis para si e para os seus, mas se a escrita serve para fazer justiça às conquistas de homens e mulheres que foram heróis na História mundial, que esta, na humildade do espaço que lhe cabe e universo de influência que possa ter, faça justiça à história de Luís Domingues e às memórias que deixou.

 

(publicado na edição de 1 de Fevereiro 2020 do jornal “A Voz de Melgaço”)