MULHERES: Uma exposição “mais etnográfica do que fotográfica”, na Casa da Cultura

 

“Mulheres”, de Mercedes Vázquez Saavedra, é uma mostra de fotografia que retrata mulheres de várias regiões, entre elas mulheres de Castro Laboreiro. A exposição será inaugurada oficialmente amanhã, dia 7 de Março, pelas 16 horas, e estará patente na Casa da Cultura até ao dia 28 deste mês.

O projecto é uma homenagem às mulheres do mundo rural, especialmente às mulheres das raias e das aldeias comunitárias, com as quais estabeleceu uma forte ligação, o que levou a escritora e fotógrafa galega a estudar os seus modos de vida, costumes e tradições, e posteriormente a fotografá-las.

Mercedes Vazquez Saavedra, galega de nascimento (de Sárria, Lugo) e mulher da raia por proximidade e afinidade, guardou para a posteridade os rostos – alguns ainda vivos, outros já perecidos – das mulheres que viveram sempre a um passo da fronteira.

São dezenas de imagens que a autora considera serem “mais etnográficas do que fotográficas”.

“No momento, procurava mais estar com elas do que preparar a foto. Era o que surgia no momento”, conta-nos a fotógrafa, que não resistiu a encontrar-se com as mulheres que conhecera, mas também com a geração seguinte.

Quando começou os registos, não pensou que este compromisso com as gentes chegasse tão longe.

“A fotografia foi circunstancial. Comecei a escrever livros de viagens e tinha que incluir fotografias, então fui adicionando. No princípio, quando cheguei a Pitões [da Júnias, onde tem casa] e vi aquelas mulheres, motivou-me a pensar que podia deixar uma memória do quão maravilhosas eram. Mas foi pouco a pouco, no início falava mais do que fotografava”, recorda.

 

De Pitões a Tourém e a Castro Laboreiro, entre outras, ouviu histórias que poderiam estar contadas em livro mas, inebriada pela experiência de as ver e ouvir sem filtros, optou por guardar-lhes o registo mais expressivo.

“Quando vim fotografar Castro Laboreiro encontrei umas mulheres fantásticas, que me contavam histórias impressionantes. Tudo era tão especial nelas e foram tão solidárias, que quis fazer-lhes uma homenagem”, recorda a fotógrafa.