Câmara Municipal mantém possibilidade de contratação de médico, apesar de recusa da Misericórdia de Melgaço

“No caso de haver necessidade, este apoio será feito a qualquer instituição do concelho. Não estamos a trabalhar em exclusivo para o Lar Pereira de Sousa”

 

Perante a anunciada falta de médico de apoio aos utentes positivos residentes no Lar Pereira de Sousa, uma das duas residências para seniores da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço [devido às infecções de COVID-19 e restrições alegadamente impostas aos médicos que se voluntariaram para a prestação do serviço, como indicado pelo provedor Jorge Ribeiro no texto COVID-19: Após evacuação dos não infectados, SNS deixa 16 utentes sem apoio médico no Lar Pereira de Sousa], a Câmara Municipal de Melgaço lançou concurso para contratação de equipa médica para apoio a esta e outras instituições do concelho.

Ontem (23 de Abril) a autarquia anunciou nas redes sociais que, “no final do processo, o município dispunha de um médico local para prestar apoio aos utentes do Lar Pereira de Sousa”, tendo no entanto o provedor da Misericórdia melgacense dispensado a ajuda do município.

Em declarações ao jornal “A Voz de Melgaço”, o presidente da Câmara Municipal, Manoel Batista, referiu que a resposta do provedor Jorge Ribeiro, manifestada por telefone e posteriormente por escrito à autarquia indicava que “neste momento, com o apoio da médica que tem, embora só ao telefone, com o apoio do Delegado de Saúde local e com apoio dos estudantes, um de medicina e um de enfermagem do nosso grupo de voluntários, os internos e os do voluntariado, que tinha condições para fazer frente à situação do lar, neste momento já mais calma”.

No entanto, apesar do desfecho deste processo, Manoel Batista garante que a intenção não era gerar “polémica” mas responder, “em jeito de desespero”, a necessidade de uma “equipa transitória, com um médico e uma ou duas enfermeiras” para responder a esta necessidade.

“Fizemos este ponto de situação à população, porque quando dizemos que vamos constituir uma equipa e não constituímos, achamos que deveríamos dizer à população aquilo que foi dito, sem querer criar qualquer tipo de polémica. Consideramos, depois daquilo que percebi do telefonema e do e-mail do senhor provedor, que estão criadas condições no Lar para que o processo de acompanhamento dos utentes seja bem feito”, observou.

Além dos apoios já realizados na compra dos testes, que a autarquia contratou “a expensas próprias”, e permitiu testar até ao momento os utentes e colaboradores da Santa Casa da Misericórdia, Associação Social e Cultural Dona Paterna, Centro Social e Paroquial de Chaviães e APPACDM, a autarquia admite activar novamente o processo contratação do médico, caso se verifique necessidade deste apoio noutras instituições do concelho.

“Manifestamos ao médico disponível que de momento não contrataríamos, mas não fechávamos a porta, porque no momento em que outra instituição venha a precisar, poderemos vir a recorrer à disponibilidade que tem”, ressalvou o autarca.

A proposta mantém-se, por isso, também para apoio ao lar residencial da Santa Casa da Misericórdia, entre outros. “No caso de haver necessidade, este apoio será feito a qualquer instituição ou resposta social no concelho. Não estamos a trabalhar em exclusivo para o Lar Pereira de Sousa”, esclareceu.