Melgaço perdeu quase mil habitantes entre 2011 e 2018. Manoel Batista acredita que novo fôlego da industria e do turismo pode inverter tendência


Texto e foto: João Martinho | Infografia: PORDATA


O estudo da PORDATA – projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos – reuniu dados estatísticos com 54 indicadores-chave do município de Melgaço comparando dados de 2010 e 2018, e embora alguns números estejam francamente melhores (como o do investimento na cultura e desporto) a perda de população é um dos mais sonantes desta compilação de resultados.

A análise, que tem por base “mais de vinte fontes oficiais” que comparam a evolução do território melgacense ao longo de quase uma década contabiliza, em 2018, 8.197 habitantes no concelho.

Comparados com os Censos de 2011, a contagem do Instituto Nacional de Estatística indicava haver em Melgaço 9.187 habitantes. O INE voltará a actualizar os contadores em 2021, mas os dados agora avançados pela PORDATA verificam que, em sete anos, Melgaço perdeu 990 residentes.

 

Face a estes números, o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, observa que, no âmbito do território alto-minhoto, “há municípios com perdas mais aceleradas do que Melgaço”, mas que são “o reflexo daquilo que tem sido a tendência demográfica do país”.

“O que é importante reter desta análise, para além da redução, é perceber os processos”, notou o autarca, em declarações ao jornal “A Voz de Melgaço”.

A “explosão” do turismo de natureza, que promovem uma maior segurança pelo contexto de isolamento que poderá associar-se – e dessa forma uma fuga aos centros urbanos, focos maiores de infecção de SARS-CoV-2 – será uma das vantagens e oportunidades para o território, admite o autarca.

“O interior será o destino mais procurado. Se isto é a alavanca para fazer a inversão demográfica, ainda esta para ver, mas é claramente uma oportunidade”, considera.

 

O acolhimento de industrias que complementem a capacidade industrial do sector automóvel da Galiza, pela proximidade geográfica e em consonância com o trabalho que está a ser já desenvolvido por alguns dos municípios minhotos, poderá colocar Melgaço na ‘corrida’ do sector industrial. Para tal contribuirá o arranque, “ainda este ano”, do processo de implementação da nova Zona Industrial de Alvaredo, cujo projecto já foi submetido a financiamento e, não tendo ainda resposta definitiva, “tem todas as condições” para receber aprovação e financiamento a breve trecho, assegura Manoel Batista.


Na próxima edição do jornal “A Voz de Melgaço” divulgaremos uma lista mais detalhada dos indicadores considerados pelo estudo da PORDATA, assim como outras declarações e reacções à evolução concelhia dos oito anos considerados.


 

Infografia: PORDATA