74ºAniversário: Marcelo Rebelo de Sousa deu-nos os parabéns. Mas dissemos-lhe das boas (e menos boas) de viver na raia


Texto: João Martinho | Foto de Marcelo R. Sousa: Presidência da República


 

No momento em que o jornal “A Voz de Melgaço” comemora o seu 74º aniversário (no dia 1 de Junho), quisemos que este momento de especial provação à “sobrevivência” de inúmeros sectores – no qual se inclui o dos jornais, sobretudo os que ainda privilegiam o papel – também chegasse ao poder central.

Nas notícias que nos chegam diariamente discute-se quem aceitou ou não 90 mil euros ou de quem beneficiará de mais de um milhão… Por cá, como já estamos habituados a alguma contenção e a viver com muito menos que isso, essas são contas que nunca foram do nosso rosário. Ou então, para utilizar outra frase feita e já que volta o futebol: Não é o nosso campeonato.

Na nossa missiva para Marcelo Rebelo de Sousa, além do devido enquadramento acerca do jornal que há quase 75 anos e ininterruptamente (quinzenalmente e agora mensalmente) faz chegar a voz dos melgacenses à comunidade local e à diáspora, demos também nota de um território com varandas mais amplas para a Galiza do que para Lisboa.

Demos-lhe nota de que somos um concelho localizado na ponta de um país – ou princípio, já que foi aqui enterrado o marco Nº1 de Portugal, em Cevide – que por sua vez está na ponta de uma Europa que faz sempre a “bolinha” da centralidade europeia em França ou na Alemanha, relegando-nos (ao país) para uma ‘cauda’, sem que percebamos bem que ‘animal’ é este que já perdeu membros e continua com sintomas de desunião de partes.

Recordamo-lo de que a nós, concelho raiano vizinho da Galiza, o Governo pede-nos que olhemos para Espanha como terra de oportunidades… E é verdade que a Galiza (no caso fronteiriço do Minho) representa uma significativa bolsa de oxigénio para o comércio e empresas, mas ao mesmo tempo parece-nos que o poder central nos está a recomendar (permitam-nos a alegoria) ir buscar sustento aos parentes já que a ‘nossa’ família esta a morar longe e não vai chegar a tempo de nos trazer o almoço.

Dissemos-lhe que os projectos transfronteiriços são exemplos de união que resultam melhor no momento da assinatura do protocolo do que no momento de assinar contratos e emitir factura. O que não tem nada a ver com a circulação de pessoas e o movimento financeiro que geram, quer no Minho, quer no Miño. Referimo-nos aos grandes projectos de parceria empresarial e/ou turística que, com jeito (e não fosse ‘o’ Covid-19, esse bode expiatório que ainda vai dar para muito, não obstante os entraves que colocou) começarão agora a dar sinais de acontecer.

Fizemos ainda saber a Marcelo Rebelo de Sousa que, para o bem ou para o mal, somos “A Voz de Melgaço”. De todos os que a queiram ler ou ser até voz activa para comunicar. Somos a comunicação que está próxima das pessoas. Respiramos o mesmo ar que a nossa comunidade (e esta alegoria poderá não ser tão ‘saudável’ em tempo de pandemia, mas é a que melhor traduz a vivência) e mesmo quando os mais diversos sectores centram atenções em promover-se fora das fronteiras do concelho e olham para nós “apenas” como parceiros na aproximação à comunidade local e comunidades, não esmorecemos e continuamos a levar a voz deles aos mais de 1600 assinantes em Portugal e no Mundo.

Por isso, e ainda antes de fechar a missiva com os cumprimentos da praxe, propusemo-nos adivinhar que pouco ou nada do que fazemos por cá (ou é notícia aqui) chegará ao ‘clipping’ que o Ex.mo Senhor Presidente da República receberá, mas se nos permitem a presunção, somos o primeiro espelho do que a comunidade local faz. E se o considera incompleto, não tenha pejo, nem receio de que seja a pagar, para nos dar a saber.

Faça-nos saber… E se merecermos a sua companhia, junte-se a nós nesta missão de chegar aos 75 anos.

 

Resposta da Casa Civil do Presidente da República:

 

Encarrega-me Sua Excelência o Presidente da República de agradecer a mensagem e os esclarecimentos enviados por V. Exa (…) Recordo que o Senhor Presidente da República tem feito sua, desde há anos, a batalha por uma Imprensa Regional forte e economicamente saudável, como cimento essencial da unidade do País e também como pilar da democracia portuguesa, porque cidadãos mais informados são cidadãos com maior capacidade de decisão e, como tal, mais livres e cientes da sua liberdade.

Esse é também o caso do jornal “A Voz de Melgaço”, um exemplo maior da resiliência e do espírito de missão que encontramos um pouco por todo o país, ao longo dos últimos quase 75 anos.

Permita (…) que lhe envie um abraço do Senhor Presidente da República, bem como os votos de parabéns pelo 74º Aniversário do jornal “A Voz de Melgaço”.