AECT Rio Minho propõe Cartão de Cidadão Transfronteiriço para acabar com “muro de Berlim” entre territórios raianos


Texto e fotos: João Martinho/AVM


Desde ontem, 15 de Junho, já é possível a passagem de trabalhadores transfronteiriços e transporte de mercadorias entre Portugal e a Galiza na ponte internacional do Peso, em Melgaço, mas também entre Monção e Salvaterra do Miño e entre vila Nova de Cerveira e Tomiño.

Melgaço, que seria o terceiro ponto de manifestação dos concelhos raianos no sentido de pedir a reabertura de fronteiras, acabou por ser o local onde se anunciou a “grande vitória” do território que tem o Rio Minho em comum, face ao entendimento dos Governos para a passagem dos trabalhadores e serviços essenciais, mas também o local onde se anunciou a nova causa do Agrupamento Europeu de Cooperação Transfronteiriço (AECT) Rio Minho.

Conferência de Imprensa, a meio da Ponte Internacional do Peso (Melgaço)

Úxio Benitez, Director do AECT Rio Minho, acompanhado por mais de uma dezena de autarcas representantes dos municípios integrantes deste agrupamento, congratulou, a meio da ponte internacional, esta vitória para o território que conseguiu “aliviar quinze dias” a economia dos trabalhadores, encurtando a distância entre a sua residência e o local de trabalho a partir de meados do corrente mês, tendo em conta o período de tempo antecipado em relação à reabertura total de fronteiras, que só acontecerá a 1 de Julho.

“Isto não soluciona todos os problemas. Temos a problemática do comércio transfronteiriço, aqueles comércios que estão de um lado do rio, mas tem boa parte da sua clientela do outro lado e não podem receber os seu clientes porque não lhes está permitido passar”, notou o director do AECT Rio Minho.

Para salvaguardar a livre circulação destas populações em futuros casos em que seja necessário limitar a circulação entre países, Úxio Benítez anunciou a proposta de um projecto-piloto que visa criar um Cartão de Cidadão Transfronteiriço que funcionará como ‘livre-trânsito’ para a população raiana.

Úxio Benítez, director do AECT Rio Minho

“Um cartão que identifique todos os que vivam neste território. Os que fazemos a nossa vida, o nosso trabalho e o nosso lazer indistintamente de estarmos num estado ou no outro”, reforçou o responsável do agrupamento.

Considerando as perdas para a economia do território devido ao encerramento das passagens fronteiriças desde 17 de Março, na fase inicial da pandemia Covid-19, cujo impacto será avaliado em estudo a ser desenvolvido pela Universidade de Vigo, o AECT Rio Minho vai instar as entidades regionais, nacionais e europeias a que “instruam os procedimentos económicos compensatórios necessários para que se compense este território por ter tido as fronteiras fechadas”.

“À fronteira mais dinâmica social e economicamente não se pode permitir que esteja afogada como esteve todos estes meses, com um muro de Berlim que nos puseram”, considerou Úxio Benítez, perspectivando que estas limitações afectarão “em dobro” a economia fronteiriça, relativamente à crise que afectará a economia mundial.