‘Lista negra’: Portugal está a ser vítima de “jogos mais altos e a ser penalizado em prol de outros destinos”


Texto: João Martinho/AVM | Foto: DR


As campanhas de apelo à responsabilidade, segurança e bom senso quanto às medidas de higienização das mãos e distanciamento social continuam, mas a “acalmia” que Melgaço e o Alto Minho estão a viver relativamente à pandemia Covid-19 está a provocar uma “verdadeira invasão do território depois da abertura de fronteiras”, garante o autarca de Melgaço, Manoel Batista.

 O turismo espanhol e nacional está a acorrer ao alojamento local – “e mesmo o tradicional”, notou o edil – com ocupações “a cem por cento”.

“Não tenho dúvidas de que estamos com um grau de ocupação do território no alojamento e na restauração igual ou superior aos melhores momentos do ano passado. Estamos com taxas de ocupação excelentes. Há empresários que prevêem este ano conseguir maior facturação que o ano passado”, avança ainda Manoel Batista a este jornal.

O crescimento gradual que se tem verificado no concelho e na região desde 2017 poderá ter este ano um gráfico menos expressivo, mas o autarca reconhece que, a concretizar-se o crescimento, “ainda que reduzido”, é “uma grande vitória” para o território.

Os territórios “Safe & Clean” estão por isso com alguma vantagem face às regiões onde o surto pandémico registou nova vaga, ou primeiro aumento pela primeira vez, e Manoel Batista nota que o sofrimento “é do país” e não apenas dos territórios afectados.

Lisboa, Porto e Algarve são de momento as regiões que mais estão a sofrer com o aumento de casos de infecções. “Sofremos com todo o território que não está a ter aquilo que é importante para a sua economia e das famílias. Não temos que embandeirar em arco pelo facto de estarmos bem e os outro não”, observou.

A adicionar a este agravamento, o autarca considera pouco claras as motivações por detrás das ‘listas negras’ em que alguns países colocaram Portugal, alegando a nova vaga de casos como risco acrescido.

Note-se que ainda hoje, 24 de Julho, o Reino Unido rejeitou o pedido português para ser incluído no corredor aéreo ‘verde’, continuando a obrigar os britânicos a uma quarentena em casa, após permanência em Portugal.

“Posso ter apenas uma teoria da conspiração na cabeça, mas tenho algumas dúvidas em relação a estas ‘listas negras’ que estão a ser feitas. Faz algum sentido o Reino Unido colocar [Portugal] em ‘lista negra’, quando temos tido números, mesmo com o surto de Lisboa e Vale do Tejo, que são todos eles muito abaixo das médias da Europa e do Mundo? Temos uma percentagem de infectados por milhão de habitantes das mais baixas do mundo. Temos feito um percurso que, no início da pandemia, quase era o percurso desejado e hoje estamos a ser penalizados por ter conseguido um percurso que seria o melhor. Por não subirmos a pique e sermos capazes de fazer uma manutenção de casos, e é isso que estamos a conseguir”, considerou o autarca.

Apesar dos focos, Manoel Batista considera que o país está a ser vítima de “jogos mais altos”, de dimensão internacional.

“Há interesses maiores do ponto de vista do turismo que nós não dominamos. Portugal é absolutamente apetecível do ponto de vista do turismo, por isso foi com alguma arte que se foram cozinhando notícias sobre o país, na imprensa internacional, que nos estão a penalizar em prol de outros destinos, que estão a ser favorecidos. Mas o tempo o dirá. Portugal rapidamente dará a volta e receberá novamente imensos turistas, porque tem muitos trunfos nessa área”, rematou o edil melgacense.