O melhor e o pior do postal turístico da Branda da Aveleira [com fotos]

A Branda da Aveleira (Gave, Melgaço) é, de momento, o postal turístico com a fórmula mais afinada do concelho de Melgaço. Exclusivamente vocacionada para o turismo em meio rural, as casas da branda são o retiro ideal para quem queira “desligar” – voluntária ou involuntariamente, já que o problema de rede ainda persiste por ali, em alguns pontos – da vida urbana ou do trabalho.

Esforço, faça-se justiça, dos representantes da Associação de Promotores da Branda da Aveleira e do Município de Melgaço, que têm feito com que a branda da Freguesia de Gave seja um exemplo de recuperação e nova dinâmica de um local que em meados dos anos 90 (do século XX) estava votado à ruína após o abandono do pastoreio e da transumância.

Hoje, o xisto ou o granito que reveste as casas de turismo daquele local são um dos atractivos, mas já há sinais de uma nova vida em torno de tudo isto, sem perturbar a paz ou a ligação directa com a natureza que as entidades promovem.

No entanto, a quase homogeneidade da branda é pontuada por pequenos exemplos que mancham um aglomerado que tanto lutou para sobreviver e dar boa imagem.

A propriedade de cada um é privada e por isso também a decisão de fazer o que melhor conseguir fazer com ela, mas queremos acreditar que a classificação deste património enquanto paisagem cultural protegida trará mais vantagens (inclusive financeiras) do que entraves à aposta dos proprietários das casas abandonadas que ainda pululam no coração da branda.


Há autênticos “palheiros” ou mesmo cortes que destoam da paisagem, quer pelos materiais utilizados na construção ou reconstrução de casas de pastores, quer pelo nível de ruína a que foram votados. Há mesmo uma caravana que, pelo aspecto (como a foto o comprova) já não terá condições de utilização. No entanto, é um contraponto com as casas de xisto e granito que parece nascem da terra e pertencem àquele lugar desde sempre.

A Branda da Aveleira, pelo trabalho já feito, merece essa protecção e cautela especial com a paisagem humanizada. Ainda na edição impressa de Julho do jornal “A Voz de Melgaço” falamos de dois projectos que começam a criar raiz (literalmente) na área da Branda, com a aposta de milhares de euros para que vinguem, sem chocarem com a paisagem.

Merece por isso que também os proprietários das casas destoantes da paisagem façam algo em prol desta harmonia a mais de 1000 metros de altitude. Por todos.

Um bom exemplo de imagem da paisagem humanizada da branda