Fecho de fronteiras: “Questão já foi discutida politicamente e posta de parte”


João Martinho


Durante o período de confinamento da primeira vaga da pandemia Covid-19 e com o fecho de fronteiras, o Agrupamento Europeu de Cooperação Transfronteiriça (AECT) Rio Minho, que representa os dez municípios alto-minhotos e 16 concelhos galegos da província de Pontevedra, acelerou a discussão em torno da criação de um Cartão de Cidadão Transfronteiriço. Entre outras vantagens, o documento facilitará a circulação de trabalhadores da zona raiana mesmo em contexto de pandemia, sem os constrangimentos que se verificaram durante o Estado de Emergência decretado entre Março e Maio de 2020.

Manoel Batista refere que o cenário pandémico voltou a colocar essa pretensão à lista de desejos dos municípios agrupados ao AECT Rio Minho, mas a vontade já não é de agora. “São assuntos que vêm a ser tratados desde 2004, pelo menos”, garante o autarca, recordando que se seguiram estudos relativos às condições desta mobilidade transfronteiriça encetados em 2007.

 

“Estas questões relacionadas com o Cartão de Cidadão Transfronteiriço, com a partilha de serviços de saúde, colocadas na última Cimeira Luso-Espanhola, são resultantes de todo este processo, e a pandemia veio dar nota de que estes assuntos são importantes e merecem reflexão. Esta região de fronteira teria tudo a ganhar se fossem encontradas soluções de partilha. Serviços de saúde, transportes e de haver um cartão do trabalhador transfronteiriço para mobilidade absoluta, em pandemia e fora dela”, realçou.

Face a um possível Estado de Emergência, embora não passe ainda de especulação e o Governo procure activar essa medida de confinamento apenas em último recurso, o edil de Melgaço diz ser improvável que a comunicação viária entre Portugal e Espanha volte a ser interrompida.

“Não me parece que essa questão se venha a pôr. Já foi discutida do ponto de vista político ao mais alto nível e foi posta de parte. Não vamos fechar fronteiras outra vez”, garante o edil.

 


texto publicado na edição impressa de Novembro do jornal “A Voz de Melgaço”