Santa Casa: Directoras técnicas negam “perseguição” às colaboradoras. Sindicato diz que “uma das directoras” assinou comunicado “por obrigação”


Texto: João Martinho || Fotos: DR


No momento em que cerca de uma dezena de colaboradoras, ex-médico e representantes das estruturas sindicais do distrito se manifestavam em frente ao Lar Pereira de Sousa, as directoras técnicas da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço fizeram chegar à comunicação social presente um comunicado em defesa do provedor Jorge Ribeiro.

A denúncia pública levada a efeito ontem (11 de Dezembro) pelo CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, alertava para alegados casos de “perseguição” e incumprimento de lei por parte da instituição às colaboradoras.

No comunicado, as directoras técnicas “das várias respostas sociais” da Misericórdia melgacense asseguram que “em momento algum sentimos ou presenciamos qualquer situação que manifestasse perseguição, pressão, incumprimento de lei e repressão aos trabalhadores da instituição”.

“Apesar de, por vezes, haver as naturais ocorrências emergentes do processo de gestão de recursos humanos, o Sr. Provedor pautou sempre a sua atuação pela ponderação e respeito para com os colaboradores envolvidos”, defendem ainda as técnicas responsáveis, lamentando a “dispensa de energia” que as colaboradoras contestatárias encetaram.

“Entristece-nos constatar que o atual foco para com a nossa instituição, numa altura de particular dificuldade e exigência em que todos deveríamos estar empenhados na defesa da saúde dos nossos utentes e colaboradores (…) passa agora pela dispensa de energia e recursos humanos em tarefas vazias de propósito no que ao atingir da nossa missão diz respeito”, consideram.

“Nestes momentos difíceis em que, felizmente, temos contado com a boa vontade de todos os colaboradores os quais, particularmente em Março e Abril deste ano, mostraram a fibra de que são feitos e do amor que tem à instituição e aos utentes com os quais trabalham (…). Assim, resta-nos dizer que percebemos como diz o Papa Francisco que “estamos todos no mesmo barco” e todos os dias aprendemos que “só tem direito a criticar, quem tem coração para ajudar” como tão bem disse Abraham Lincoln”, conclui a comunicação das directoras técnicas.

 

Sindicato questiona validade da defesa: “Vindo das directoras técnicas, até podem estar a ser coagidas”

 

“O senhor provedor devia ter vergonha de invocar o nome do Papa, tendo em conta a postura que tem para com algumas trabalhadoras”, atirou a coordenadora do CESP, Rosa Silva, a este jornal.

A coordenadora sindical afirma ainda saber de uma reunião na noite anterior à da acção de denúncia pública organizada pelo CESP, que diz ter sido para “fazer a cabeça às trabalhadoras” que se posicionaram em defesa da instituição à altura da manifestação junto ao Lar Pereira de Sousa. Afirma saber “da ameaça que fez a certas trabalhadoras para estarem ali”.

Rosa Silva admite ainda que até mesmo a estrutura directiva pode estar sob coacção. “Podem estar a ser coagidas. Aliás, uma das directoras técnicas até fez isso por obrigação, por medo. Que posso dizer mais sobre isso?”.

Sobre possível reunião com o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, a coordenadora do CESP diz ter em agenda para marcar “futuramente, se ele tiver abertura” a propósito de “outros problemas a tratar”, no entanto, em relação a este assunto, não haverá pedido.

“O senhor provedor se queria manifestar a sua boa vontade, tinha-o manifestado antes, não é perante uma afronta que vem safar-se. Portanto, não vale a pena”, concluiu.

A estrutura sindical afirma já ter apresentado queixa à Autoridade para as condições do Trabalho (ACT) e compromete-se a acompanhar “a ferro e fogo” o caso da “repressão das trabalhadoras que estiveram na manifestação”.

“O sindicato vai acompanhar, ao pormenor, as trabalhadoras que estiveram hoje (ontem, 11 de Dezembro) na rua, porque se porventura houver represálias, aí agiremos de outra forma. Sabemos o chão que pisamos”, frisou Rosa Silva.