Caminho Minhoto Ribeiro: Municípios portugueses firmaram protocolo de implementação da rota de Santiago entre Melgaço e Braga


João Martinho


Os municípios de Melgaço, Monção, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Vila Verde e Braga assinaram, no dia 14 de Dezembro de 2020, o protocolo de cooperação para implementação e divulgação do “Caminho Minhoto Ribeiro”, um dos mais antigos que liga o Norte de Portugal a Santiago de Compostela.

Este Caminho entronca com o território nacional no lugar de Cevide, da Freguesia de Cristóval, (Melgaço). O conhecimento científico construído nas últimas duas décadas, mais precisamente 23 anos, segundo o investigador e coordenador do grupo de trabalho do Caminho Minhoto Ribeiro, Cástor Pérez Casal, levou as entidades galegas a desafiarem os municípios portugueses a desenvolverem os esforços tendentes à implementação da rota que prossegue em solo nacional até Braga.

Cástor Pérez Casal

Melgaço respondeu ao apelo do grupo de trabalho e deu o mote para que as conversações com os restantes concelhos ganhassem forma. Os municípios minhotos abrangidos pela rota manifestaram interesse em desenvolver a investigação histórico-científica, necessária à formalização de uma candidatura nacional para a devida certificação.

Com a assinatura deste protocolo, os seis municípios comprometem-se a desenvolver trabalhos de estudo de uma Rota de interesse Histórico e Cultural Intermunicipal, denominado “Caminho Minhoto Ribeiro”, para futura fruição pública.

 “A gestão autárquica é cada vez mais um trabalho em equipa, com a totalidade dos territórios, e não se compadece com fronteiras. Hoje, é o Caminho Minhoto Ribeiro que nos une do lado de cá e nos une aos nossos irmãos galegos. O Ministério da Cultura determinou, através do Decreto-lei nº51/2019, que os itinerários dos Caminhos de Santiago fossem geridos por entidades públicas e que estas agissem para um melhor conhecimento dos traçados e dos bens patrimoniais que os integram. O Caminho de Santiago representa uma expressão histórica da cultura europeia, é um pilar da nossa identidade colectiva, importante elemento de aproximação entre as nações e os seus povos. Impõe-se que redescubramos caminhos historicamente afirmados, como é o caso do Caminho Minhoto Ribeiro”, notou o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, na sessão de apresentação da rota.

O edil de Melgaço congratulou os congéneres minhotos por, “de forma eficaz e rápida”, terem integrado o compromisso de estruturar a “consensualização do projecto” que visa a “implementação de modelo de sinalização, manutenção e promoção do Caminho”.

Manoel Batista fez ainda referência de “gratidão” a Mário Monteiro, “um homem da fronteira, de Cevide”, por ter promovido os primeiros contactos entre a equipa investigadora e os municípios minhotos.

A “honrosa presença” do marco Nº1 de fronteira, em Cevide, foi reforçado nesta sessão com a entrega de garrafas de vinho da casta Alvarinho aos oradores e representantes políticos presentes, produzido pelo Soalheiro, que se associou à marca “Aqui Começa Portugal – O Ponto Mais a Norte”, com rótulo especialmente dedicado a esta homenagem ao território.

Manoel Batista, Mário Monteiro e António Luís Cerdeira (Soalheiro), na entrega do Alvarinho que assinala o Marco Nº1, em Cevide

María Nava Castro Domínguez, Directora de Turismo da Junta da Galiza, enalteceu a “colaboração transfronteiriça” e os “muitos e muito importantes os passos que se deram para dar a conhecer este roteiro”.

“Estou segura de que o trabalho do lado português será igualmente frutífero e rapidamente começaremos a ver resultados que nos permitam que este roteiro adquira maior nome e relevância nos territórios por onde passa”, perspectivou.

Com o ano Jacobeu 2021, a Directora do Turismo da Galiza prevê que esta via cultural, a juntar aos dez itinerários culturais já integrantes dos Caminhos de Santiago, será rapidamente reconhecida.

Directora de Turismo da Junta da Galiza, María Nava Castro Domínguez

A Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, destacou a importância destes percursos que se estendem “para lá do rio” e que anualmente cativam “milhares de peregrinos, seja por motivos religiosos, espirituais ou culturais”. Em momento de viragem do “ano difícil” que foi 2020, a iniciativa “marca a nossa esperança no futuro, no ano melhor que viveremos em 2021”.

Rita Marques nota ainda para a “estimativa” de que “em 2019 cerca de 350 mil peregrinos trilharam estes caminhos e temos esperança que muitos deles tenham trilhado os caminhos do lado Norte de Portugal”, apontando que é tempo de associar as entidades regionais de turismo para a promoção da natureza, do termalismo e do vinho.

Em 2021, no “ano importante” de afirmação do caminho e inclusivamente da inauguração de alguns trilhos no concelho de Melgaço, actualmente em obras, a Secretária de Estado do Turismo deixou a promessa de voltar à região para “fazer o caminho”. “Espero que possamos estar juntos e fazer um bocadinho deste Caminho”, sublinhou Rita Marques.

Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques

 

CAMINHO MINHOTO RIBEIRO RECEBE “A COMPOSTELA”

A Associação do Caminho Minhoto Ribeiro recebeu “A Compostela”, documento que certifica o fim da peregrinação a Santiago de Compostela, confirmando a passagem do peregrino pelo referido caminho, cujas etapas constam, através de carimbo, na credencial do peregrino.

Este reconhecimento oficial da Igreja teve lugar no dia 29 De dezembro, a três dias do Ano Santo Compostelano (Xacobeo 2021), iniciado no dia 1 de Janeiro, em reunião realizada com o Deán da Catedral de Santiago de Compostela, Segundo Pérez López.

Neste encontro participaram o vice-presidente da Associação do Caminho Minhoto Ribeiro e Presidente do Concello de Vedra, Carlos Martínez; o vice-presidente da Câmara Municipal de Monção, João Oliveira, em representação dos municípios portugueses; o historiador Cástor Pérez Casal e os investigadores José Ramón Estevez e Candido Pazos.

A Associação do Caminho Minhoto Ribeiro, fundada em 2014 por 16 concelhos galegos, tem como objetivo recuperar, divulgar e valorizar este trajeto até Santiago de Compostela.


Na proxima edição do jornal “A Voz de Melgaço” publicaremos o texto de Cástor Pérez Casal, intitulado “Caminho Minhoto Ribeiro, do vinho às águas quentes: A importância histórica da rota que une Braga a Compostela”, explicativo das origens do nome ao trabalho desenvolvido ao longo de mais de duas décadas de investigação. Por falta de espaço na edição impressa de Janeiro 2021, foi adiado para a edição do próximo mês.