COVID19: Vacinação já começou em Melgaço. Lar “Cantinho dos Avós” recebeu primeira remessa de 52 vacinas


João Martinho


A Residência Sénior “Cantinho dos Avós”, da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, foi a primeira instituição do concelho – e a segunda instituição das Misericórdias no distrito de Viana do Castelo, a seguir a Caminha – a receber a primeira dose da vacina conta a Covid-19.

A primeira de duas doses  necessárias para a imunização ao vírus SARS-CoV-2 (não há ainda certezas quanto à duração desta imunidade) foi administrada hoje (20 de Janeiro) aos profissionais de saúde, técnicos e utentes do lar “Cantinho dos Avós”.

A Equipa local de saúde estabeleceu contactos com a misericórdia melgacense desde a semana passada e iniciou naquelas instalações, após visita e organização dos espaços de vacinação e recobro/período de observação a eventuais reacções alérgicas à vacina, o processo de imunização à doença em unidades onde não se registasse qualquer caso de infecção activo.

A valência da Santa Casa, uma das duas unidades para acolhimento de idosos da instituição, reunia condições para o acto inaugural da vacinação em Melgaço, sem qualquer caso activo (até à data) de infecção entre os utentes e colaboradores, tornando-se elegível para receber 52 doses da tão desejada vacina a nível mundial, destinadas a 30 utentes e 22 colaboradores.

“Esperamos que nos venha trazer alguma paz e tranquilidade, porque estamos a aproximar-nos de [completar] um ano de uma luta muito cerrada e muito forte, que faz com que estejamos todos esgotados”, notou o provedor da Misericórdia de Melgaço, Jorge Ribeiro.

“Os utentes estão saturados, as famílias e os profissionais estão cansados. Esperamos que esta vacina nos venha trazer alguma normalidade, respeitando sempre as instruções da DGS, porque não há garantias de que isto esteja resolvido de hoje para amanhã”, reforçou.

A “normalidade”, até ao momento, tem passado por vários estados, no entanto, o actual Estado de Emergência decretado pelo governo voltou a restringir as visitas das famílias a uma janela.

“Não há entrada das visitas nas instalações. Veem apenas pela janela e falam por telefone”, explica ainda o provedor, que não esconde alguma surpresa perante a “serenidade” dos utentes face a toda a adaptação que foi necessária.

“Acho surpreendente a forma como aceitam, com uma serenidade que só a idade traz, o facto de estarem fechados, sem estarem com as famílias e mesmo as actividades de animação diárias que mudaram. Até o facto de jogar cartas teve de ser questionado, porque passam de umas mãos para outras”, observou Jorge Ribeiro.

O provedor da Misericórdia local considera que “a continuidade de práticas” desde Março do ano passado levou a uma ‘normalização’ da nova convivência restringida, mas também a um olhar atento para evitar um surto como o verificado na primeira vaga da pandemia Covid-19.

“Nós próprios já testamos os nossos colaboradores ao primeiro indício. Ao primeiro contacto são testados por nós, temos meios para o fazer, e isso tem-nos permitido atacar no início qualquer situação que ocorra, isolar, separar e até ao momento temos conseguido salvaguardar os nossos utentes nos lares”, reiterou.

Contudo, o expressivo número de contágios na comunidade – 164 casos registados, segundo números divulgados a 19 de Janeiro pela autarquia – a que se somam os isolamentos profilácticos dos familiares conviventes, tem criado alguma dificuldade de recursos humanos na instituição.

“Os que estão em isolamento porque tem familiares infectados, ou por casos de filhos, na escola, está a criar-nos problemas a nível de recursos humanos”, revela Jorge Ribeiro, que admite ter já “mais de uma dezena de colaboradores” em isolamento profiláctico, resultante dos casos de alerta registados no seio familiar.

A equipa local de saúde prevê para os próximos dias a administração da primeira dose da vacina também na Unidade de Cuidados Cuidados Continuados Integrados de Melgaço, ainda sem data ou doses de vacinas definida.

“Zero dor, zero desconforto”

Bruno Magalhães enfermeiro na Misericórdia melgacense desde Junho de 2020, foi o primeiro a receber a dose inaugural da vacina. Aquele que foi o seu (e da comunidade) “primeiro passo para acabarmos com isto” não lhe trouxe qualquer dor nem receio.

“Zero dor, zero sensação de desconforto. Tenho apenas as recomendações para pôr gelo se necessário, no local da injecção e vigiar efeitos secundários que podem ser comuns, como dor no local da injecção, febre, dores de cabeça, pingo do nariz, são os sintomas mais normais”, tranquilizou o enfermeiro.

O período de especial atenção aos sintomas é de até 72 horas após a administração da vacina mas, no caso de se manifestar qualquer um dos indicados, deverão ser considerados “uma reacção normal à vacina, sem qualquer motivo de preocupação”, observou Bruno Magalhães.

Ainda assim, fica o alerta: “Só se fica imune a partir da segunda dose. A primeira é para preparar o nosso corpo a segunda é para nos deixar imunes. Esperemos que nos deixe imunes a todos”, realçou o enfermeiro da instituição. Ainda assim, e até que sejam conseguidos melhores índices de imunidade de grupo, “o uso de mascaras continua a ser necessário”.

 

“Por vezes doem-me mais as do Plano Nacional de Vacinação”

Marisa Castro, também enfermeira na residência sénior da Misericórdia de Melgaço, valida o processo indolor da vacinação contra a Covid-19.

“Não senti nada, não me doeu nada. Por vezes doem-me mais as que tomo que estão no Plano Nacional de Vacinação. Não sei se será uma particularidade desta vacina ou não, no meu caso não senti absolutamente nada”, reforçou.

Além do período de especial vigilância aos sintomas no período após a vacinação já indicado, Marisa Castro sugere que alguns hábitos de higiene praticados pelos profissionais de saúde poderão conter o surto que nas últimas semanas tem somado mais casos na comunidade melgacense.

 Hábitos como o de “tirar a roupa do trabalho e ir tomar banho” ao chegar a casa poderão fazer a diferença. Nos dias em que o nível de exposição ao risco foi maior, a enfermeira Marisa Castro redobra os cuidados entre a vida profissional e familiar.

“Se na instituição lidei de perto com algum caso suspeito, já tive situações em que fui primeiro a casa tomar banho e mudar de roupa e só depois ir buscar as crianças à creche”, frisou.